Veja, Nassif, blogosfera e jornalismo
Posted by levino on fevereiro 20th, 2008 filed in C.A.O.S., Vida DigitalAcompanho a série de reportagens (didáticas à perfeita medida) do jornalista Luis Nassif sobre a revista Veja desde o início e confesso que dei pouca ou pelo menos a não necessária atenção para o caso, acostumado que estava com as picuinhas entre ele, o Diogo Mainardi, o Reinaldo Azevedo e o Paulo Henrique Amorim
Diogo, Reinaldo e PHA me parecem na maioria das vezes fugir do bom senso, em textos argumentativos que apesar de bem escritos (os melhores do Reinaldo), se perdem na adjetivação barata, na passionalidade e às vezes na queda de nível entre bons combatentes, com golpes baixos ou respostas escritas com a bílis. Como se sabe, a bílis não raciocina, é puro fel. De todos o Nassif sempre foi o mais comedido. Mas essa não é bem a palavra, diria ainda que o mais acertado na crítica feita de modo parcimonioso e didático, como tem sido a sua série de reportagens sobre a Veja.
Obviamente quem mexe no vespeiro sabe que não pode esperar fanfarra e tapete vermelho, por isso acredito que Nassif sabe bem o que lhe aguarda, dentro e fora dos tribunais. Eis a grande questão, como bem observou a Cora Rónai (Em suma: quem é mídia ou tem espaço na mídia, e se sentir ofendido com o que foi escrito a seu respeito, que vá pro computador e responda na mesma moeda. Processar jornalista é coisa pra igreja universal do reino de deus ou pro PT), a frase é do próprio Diogo Mainardi: Jornalista não processa jornalista. E veio à tona justo quando da reclamação sobre os processos que PHA move contra ele, Diogo. A Veja que já decidiu não responder as acusações sob a esfarrapada desculpa de que assim daria crédito a Nassif, procurou os tribunais, dando suporte para que os jornalistas citados por Nassif o processem. Mas então, eu fico com o Diogo: Jornalista não processa jornalista. A Veja escolheu o pior caminho e desmentiu sua principal estrela, na sua melhor assertiva.
Como leitor de Veja e dos quatro jornalistas citados acima, penso que a série de Nassif é de grande valia, na medida em que presta informações que serão confirmadas ou não, mediante processos jurídicos ou desmentidos da história, que geralmente caminham no limbo, nos corredores das redações, restritos aos almoços dos coleguinhas (para ficar nesse termo horroroso), numa área acinzentada que o leitor não faz a menor idéia que existe. E isso precisa vir à tona. Está vindo.
Como internauta penso que essa luta renhida que há muito perdeu o senso maniqueísta e tolo de direita versus esquerda, é sobremaneira intestina do jornalismo nacional, mas que finda num passo importante para a consolidação dos blogs como veículos de mídia no Brasil. Faz algum tempo que nos EUA essa noção de que os blogs são uma ferramenta complementar ou independente das mídias tradicionais é indiscutível. No Brasil a coisa caminha (ou caminhava) a passos lentos e sob os olhares tortos dos dinossauros do jornalismo impresso ou televisivo. Pois é justo através dessa ferramenta relativamente nova dentro da imprensa brasileira que está sendo prestado o melhor serviço ao leitor atento.
O que eu espero como leitor dos veículos envolvidos na questão são respostas convincentes que provem cada um que o que afirmam é realmente verdade. Nassif com suas reportagens, Veja com um desmentido, que infelizmente virá da forma mais truculenta possível, procurando os tribunais e não usando a pena, a caneta, o texto, a palavra. Por enquanto, Nassif segue muito a frente do seu oponente e com a impressão (tomara que se concretize) de que há muita lenha para queimar nessa fogueira de tantas vaidades.
Ps.: Sobre a Veja em si (e isso não funciona como uma justificativa para o fato de eu ser leitor da revista, pelo contrário), destaco uma observação feita pelo jornalista Pedro Doria, que diz assim “a esquerda não gosta da Veja porque a revista é de direita. Ou porque se opõe ao governo corrente. São, ambos, argumentos de péssima qualidade. Primeiro porque num ambiente de plena liberdade de imprensa, um órgão de comunicação pode defender o tom ideológico que bem entender. Segundo porque imprensa tem mesmo que ser de oposição a qualquer governo. Terceiro porque o governo não precisa de defensores. Tem poder. Muito poder. Poder suficiente para voltar-se com raiva contra qualquer órgão de imprensa e tentar sufocá-lo, recusando-se a publicar anúncios.”

dezembro 8th, 2008 at 9:22 am
O Problema da Veja não é sua posição ideológica, mas dirfarçá-la em forma de artigos jornalísticos. O posicionamento ideológico se faz por meio de editoriais, colunas assinadas. A matéria jornalística deve ser, sim, imparcial. A opinião deve ser dada como tal, não disfarçada em fato.