Adeus Columbus

Tristeza do jeca

Fiquei terrivelmente triste quando li essa matéria estupenda do Ricardo Kostcho. É de uma vergonha que não consigo mensurar o que está relatado.

“Aos 88 anos, Tinoco está habituado a essas andanças entre estradas, palcos e picadeiros, que começou com o irmão Tonico quando tinha 15 anos; mas nessa noite não conseguiu dormir direito. Levantou-se cedo, como de costume, com o raiar do sol, tomou café e remédios, e deitou-se de novo. Dona Nadir, sua inseparável companheira de viagens, com quem está casado faz 56 anos, desta vez não veio com ele. Na mesma hora em que Tinoco se apresentava em Pirajuí, ela foi operada para a retirada de um tumor do pâncreas, no modesto Hospital São Cristóvão, na Mooca, zona leste de São Paulo.

(…)

Só quando lhe perguntei se ele ainda cantava apenas por gosto ou por necessidade - “as duas coisas” respondeu-me Tinoco - é que fui entender por que não estava ao lado da mulher nessa hora. José Perez, o Tinoco, um dos maiores nomes da história da música popular brasileira, ainda está em atividade porque precisa, e trabalha pesado para sobreviver. Com 73 anos de carreira, completados duas semanas antes da nossa conversa, ganha apenas R$ 1 mil por mês do INSS, aposentadoria que não dá para pagar suas contas, os remédios e as dívidas que se acumulam desde a morte de Tonico, em 1994, com seus cachês cada vez menores.”

Playboy

1 Comentário até o momento

  1. Leo Seabra setembro 29th, 2008 1:00 pm

    Matéria primorosa, o Kotscho é demais!

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