Dossiê Pelicano
Luis Nassif, que neste fim de semana continua série de reportagens sobre a revista Veja, tece comentários sobre a origem e a função do dossiê/banco de dados montado com gastos realizados com cartões corporativos e contas tipo b no governo FHC. Não estou de todo convencido das observações feitas por ele, a partir de conversas com um jornalista amigo que atua em Brasília, mas vale como arcabouço e alicerce para aos poucos irmos tirando conclusões definitivas sobre o caso.
Ps.: Eu, como leitor de Veja, gostaria muito de ler um desmentido da revista, mas não só um desmentido, um desmonte da tese que Nassif vem apresentando na série de reportagens sobre a banda podre da publicação. Mas não é o caso, Veja não vai responder e sinceramente, tudo que Nassif vem mostrando é crível demais para ser desmentido com simples achaque. A revista vai mal. Bom para o leitor, que se inteira de como realmente opera o jornalismo brasileiro.
Deixe seus comentáriosVeja, Nassif, blogosfera e jornalismo
Acompanho a série de reportagens (didáticas à perfeita medida) do jornalista Luis Nassif sobre a revista Veja desde o início e confesso que dei pouca ou pelo menos a não necessária atenção para o caso, acostumado que estava com as picuinhas entre ele, o Diogo Mainardi, o Reinaldo Azevedo e o Paulo Henrique Amorim
Diogo, Reinaldo e PHA me parecem na maioria das vezes fugir do bom senso, em textos argumentativos que apesar de bem escritos (os melhores do Reinaldo), se perdem na adjetivação barata, na passionalidade e às vezes na queda de nível entre bons combatentes, com golpes baixos ou respostas escritas com a bílis. Como se sabe, a bílis não raciocina, é puro fel. De todos o Nassif sempre foi o mais comedido. Mas essa não é bem a palavra, diria ainda que o mais acertado na crítica feita de modo parcimonioso e didático, como tem sido a sua série de reportagens sobre a Veja.
Obviamente quem mexe no vespeiro sabe que não pode esperar fanfarra e tapete vermelho, por isso acredito que Nassif sabe bem o que lhe aguarda, dentro e fora dos tribunais. Eis a grande questão, como bem observou a Cora Rónai (Em suma: quem é mídia ou tem espaço na mídia, e se sentir ofendido com o que foi escrito a seu respeito, que vá pro computador e responda na mesma moeda. Processar jornalista é coisa pra igreja universal do reino de deus ou pro PT), a frase é do próprio Diogo Mainardi: Jornalista não processa jornalista. E veio à tona justo quando da reclamação sobre os processos que PHA move contra ele, Diogo. A Veja que já decidiu não responder as acusações sob a esfarrapada desculpa de que assim daria crédito a Nassif, procurou os tribunais, dando suporte para que os jornalistas citados por Nassif o processem. Mas então, eu fico com o Diogo: Jornalista não processa jornalista. A Veja escolheu o pior caminho e desmentiu sua principal estrela, na sua melhor assertiva.
Como leitor de Veja e dos quatro jornalistas citados acima, penso que a série de Nassif é de grande valia, na medida em que presta informações que serão confirmadas ou não, mediante processos jurídicos ou desmentidos da história, que geralmente caminham no limbo, nos corredores das redações, restritos aos almoços dos coleguinhas (para ficar nesse termo horroroso), numa área acinzentada que o leitor não faz a menor idéia que existe. E isso precisa vir à tona. Está vindo.
Como internauta penso que essa luta renhida que há muito perdeu o senso maniqueísta e tolo de direita versus esquerda, é sobremaneira intestina do jornalismo nacional, mas que finda num passo importante para a consolidação dos blogs como veículos de mídia no Brasil. Faz algum tempo que nos EUA essa noção de que os blogs são uma ferramenta complementar ou independente das mídias tradicionais é indiscutível. No Brasil a coisa caminha (ou caminhava) a passos lentos e sob os olhares tortos dos dinossauros do jornalismo impresso ou televisivo. Pois é justo através dessa ferramenta relativamente nova dentro da imprensa brasileira que está sendo prestado o melhor serviço ao leitor atento.
O que eu espero como leitor dos veículos envolvidos na questão são respostas convincentes que provem cada um que o que afirmam é realmente verdade. Nassif com suas reportagens, Veja com um desmentido, que infelizmente virá da forma mais truculenta possível, procurando os tribunais e não usando a pena, a caneta, o texto, a palavra. Por enquanto, Nassif segue muito a frente do seu oponente e com a impressão (tomara que se concretize) de que há muita lenha para queimar nessa fogueira de tantas vaidades.
Ps.: Sobre a Veja em si (e isso não funciona como uma justificativa para o fato de eu ser leitor da revista, pelo contrário), destaco uma observação feita pelo jornalista Pedro Doria, que diz assim “a esquerda não gosta da Veja porque a revista é de direita. Ou porque se opõe ao governo corrente. São, ambos, argumentos de péssima qualidade. Primeiro porque num ambiente de plena liberdade de imprensa, um órgão de comunicação pode defender o tom ideológico que bem entender. Segundo porque imprensa tem mesmo que ser de oposição a qualquer governo. Terceiro porque o governo não precisa de defensores. Tem poder. Muito poder. Poder suficiente para voltar-se com raiva contra qualquer órgão de imprensa e tentar sufocá-lo, recusando-se a publicar anúncios.”
Deixe seus comentáriosCutucando
“Lula está perto da aposentadoria. Eu já consigo imaginá-lo daqui a alguns anos, em sua cobertura no ABC paulista, num dia qualquer. Acorda. Liga a TV. Desliga a TV. Chega a pedicure. Come dois pratos de estrogonofe. Demite a empregada doméstica. Desmonta o aparelho de ar condicionado. É incapaz de remontá-lo. Dá os retoques finais em seu tratado sobre o atomismo de Demócrito. Compra uma grelha antiaderente por telefone. Come dois pratos de nhoque. Mergulha de trampolim em sua piscina cheia de moedinhas. Demite o motorista. Chega Delúbio Soares. Despede-se de Delúbio Soares. Olha o que acontece nos apartamentos vizinhos com um telescópio. Dorme no sofá.”
O Mainardi aloprando o Lula.
Nota do Editor: Para assinantes
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