Adeus Columbus

Tibet urgente

Os monges continuam comendo o pão que o diabo amassou no Tibet.

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Desossando os fatos

“É inegável que os chineses oprimem o povo tibetano e cometem toda sorte de violação aos direitos humanos. Também está fora de questão que o governo central de Pequim vem, ao longo das últimas décadas e por diversos meios, erodindo a base da cultura tradicional tibetana. Mas daí não se segue que os chineses sejam bandidos desalmados que apenas tiranizam os heróicos e pacíficos tibetanos, sempre a um pequeno passo da santidade.”

“É verdade que Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama, é uma figura simpática. Está sempre sorrindo e vem, há quase cinco décadas, liderando uma luta de independência nacional. Fê-lo sem recorrer ao terrorismo ou a outras formas de violência muito exacerbada. Defende com o que parece ser autêntica convicção o equilíbrio ambiental do planeta. E isso já bem antes de Al Gore. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz (1989) e a medalha de ouro do Congresso dos EUA (2007), além da cidadania honorária canadense (2006).”

“O que não se menciona tanto é Tenzin Gyatso chegou a ser o monarca de uma teocracia absolutista que, até 1951, ainda mantinha o regime de servidão. Segundo o tibetólogo Melvyn Goldstein, com exceção de cerca de 300 famílias nobres, todos os tibetanos eram servos (”mi ser”) ligados a terras pertencentes a aristocratas ou monastérios budistas.”

“Apoiamos a causa tibetana porque ela é “justa”. Pelo menos no plano instintivo, não nos damos ao trabalho de definir o que é justiça. Servimo-nos de aproximações. Vale até identificar o fraco a bom e o forte a ruim. Quantos de nós já não nos pegamos torcendo pela seleção de Camarões contra a poderosa Alemanha? Basicamente, temos uma vontade quase irrefreável de “equilibrar o jogo”.”

Tem verdades que quase nunca vêm a tona. o Hélio Schwartsman sempre que pode acende as luzes.

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- “Estar perante vocês é uma grande honra. O Holocausto enche a nós, alemães, de vergonha. Me curvo perante as vítimas. Me curvo perante os sobreviventes e todos aqueles que os ajudaram a sobreviver.” Palavras fortes sobre coisas fortes. Angela Merkel discursando (pela primeira vez um chefe de estado alemão discursa no parlamento israelense) e rendendo loas a Israel.

- A The Atlantic é uma das revistas mais conceituadas e cabeçudas do mundo. Coisa fina, de intelectuais. O problema é que essa semana ela chegou às bancas com Britney Spears na capa. Opa! Quem foi que disse êpa? Pois é, houve quem achasse que ela havia se rendido ao hype da fofocagem. Mas não é. Tem uma puta matéria que o Doria indicou sobre o circo que se armou ao redor da cantora, e o detalhe: dominado por brasileiros.

- “It was super complicated for me in the ’80s… I was totally open with the band and my family and my friends and certainly the people I was sleeping with. I thought it was pretty obvious.” Ohhhhh! Pois é, o Michael Stipe, do REM, resolveu sair do armário (¬¬). Falta quem? Morrisey?

- O Radiohead virou fetiche do Trent Reznor. Depois de lançar um disco mezzo gratuito mezzo pago via internet (obra quádrupla e instrumental), o Nine Inc Nails também resolveu chamar os fãs para uma disputa. Quer ver quem produz o melhor videoclipe com as músicas do novo disco. Tudo, igualzinho como fez a turma de Thom Yorke.

- Necrofilia da arte: Kurt Cobain pode ficar aos seus pés (afe, que trocadilho infame). Seguinte, o ex-líder do Nirvana vai virar tênis. Quer dizer, trechos do seu diário irão servir de estampa para uma nova coleção de All Star que a Converse lança nos próximos dias. Tudo com autorização da viúva.

- “Demonstration in Paris on March 16 near the Chinese embassy to protest against the Chinese government policies concerning Tibet. Marking the 49th anniversary of the Tibetan uprising against Chinese occupation, which led to the exile of the Dalai Lama, the protest takes a new meaning a few days later as violent riots erupted in Lhasa. The first peaceful demonstrations by the monks led to arrests, which in turn resulted in more protests demanding the release of the prisoners.” Fotos de manifestações a favor do Tibet, na atual onda de protestos contra o domínio chinês. A coisa tende a piorar e acreditem: será muito, mas muito cruel a repressão. Se não for agora, por causa das Olimpíadas, e claro, a China não vai querer queimar mais ainda o seu filme, vai ser depois, quando todo mundo for embora de lá, na surdina, às escondidas.

- Não é porque saiu da mídia que o assunto encerrou, não senhor. As Fac ainda rendem um bom pano para a manga. Quer ver? “(…) as FARC perderam 30% dos combatentes (de18 mil a cerca de 12 mil), muitos por deserção; perdeu aliados entre os camponeses, viram cair em 40% suas receitas com as ligações no narcotráfico e sequestros - estes últimos se reduziram em 92 %, de 998 a 75.” Uma análise de gente que saca do assunto.

- Aguenta soco no estômago? Sério? Mesmo? A menina desce para tomar café pela manhã e encontra o pai enforcado, ao lado a mãe, que ele acaba de matar. Me retorci todo aqui lendo isso.

- “Humilhados e ofendidos. De repente, eles viram a luz. Era o flash da câmera do Sebastião Salgado.” COisa do Ruy, que pena estar atualizando o Pura Goiaba poucas vezes, mas sempre pertinente.

- “Pega bem, hoje mais do que nunca, falar em “conciliar a ciência e a religião”, como se a compatibilidade pudesse ser obtida de modo sereno e pleno. Mas a frase é vaga e menospreza perigos que ora voltam a ameaçar, no Brasil e no mundo. Fui um dos que criticaram, por exemplo, o tom panfletário com que Richard Dawkins e outros pregam a abolição da religião, até porque há muitos cientistas que afirmam crer numa força superior ou num espírito presente na natureza. É possível pensar assim e não ser obscurantista, intolerante ou dogmático. No entanto, é fundamental ter consciência de que há muitas explicações religiosas para o funcionamento da natureza - e não há religião que não se disponha a explicar o funcionamento da natureza - que foram derrubadas pela observação empírica ou que ainda não são nada além de uma hipótese, para a qual não dispomos e talvez jamais venhamos a dispor de instrumentos para testar consistentemente.” O assunto é um vespeiro, espinhoso. Mas o Piza meteu o pé.

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- Não tem jeito. Quando se disputa poder (e qualquer disputa, em tese, é por isso) a ponto de tornar-se extenuante e cansativo, como o embate Obama x Hillary, a primeira coisa que sai pela porta dos fundos é a civilidade. Os golpes estão cada vez mais baixos.

- Eu havia comentado isso antes. Não é incrível que um fato comece a amainar na mídia e nos vem a impresão  que tal assunto está resolvido? Vejam a Guerra do Iraque, por exemplo. A Cruz Vermelha tem uma série de relatórios que adjetivam como “desesperadora” a situação no país. Algumas famílias chegam a gastar um terço da renda mensal só para comprar água límpa. Um horror, um horror. Todos os documentos estão disponíveis para download. Já para quem gosta de números

- O festival É Tudo Verdade, o maior do país dedicado aos documentários, acontece do próximo dia 26 até 04 de abril. Imperdível. A programação é aquele tipo de coisa estupenda que você escolhe um que quer ver enquanto perde três. Vai ser exibido um combo com os 10 documentários que mudaram o mundo que me interessa bastante. Além de estar curioso para ver O Rosto de Karim, um curta feito por Ingmar Bergman sobre sua mãe.

- Não é preconceito. É conhecimento de causa. Um reggaeiro pode se transformar numa das maiores empulhações sociais do mundo. Óbvio, assim como um metaleiro etc e tal. O problema do reggae é o caráter messiânico que atribuem a Bob Marley. O que não tira minha admiração pelo jamaicano, que agora vai ganhar dois filmes a seu respeito. Um baseado na história contada por Rita Marley, sua ex-esposa, e outro dirigido por Martin Scorsese.

- Falando em fã chato, e os do Los Hermanos, hein? Para as viúvas dos barbudos, Marcelo Camelo encheu o MySpace dele com coisas novas. Tem musiquinha assombiada, vídeos com uma molecada de Portugal e por aí vai.

- Amanhã tem show gratuito de João Bosco, no Memorial da América Latina. Isso quer dizer que tem coisas que até injeção de graça é melhor.

- Strokes tocando Lou Reed. Pois é, é só clicar aqui e começar a baixar.

- Alguns brasileiros que foram ao South by Southwest, um dos maiores festivais de música do mundo, que acontece no Texas, estão contando tudo que se passa por lá. Lembrando que de lá o Lucy And The Popsonics arruma as malas e faz quase trinta shows na Europa. Bacana demais.

- Saiu a lista dos cinquenta blogs mais influentes do mundo. Nenhum é brasileiro. Pô, a gente bem que podia fazer uma lista nacional, né?

- “Formado em direito em Harvard, ele fez carreira e fama como um agressivo promotor de Justiça especializado em perseguir altos executivos de Wall Street. Sempre cercando seus casos de ampla publicidade, ele se proclamava um paladino do cidadão comum que combatia a ganância dos “peixões” (fat cats). Intimidação, insinuações, vazamento seletivo de informações para repórteres que o apoiassem, a ameaça de processos que não ganharia, mas cuja abertura em si bastava para abalar a credibilidade de tal ou qual empresa.” Pois é, era essa a postura de Spitzer, o ex-governador do estado de Nova York que foi obrigado a renunciar por suspeitas de envolvimento com prostituição. Um dia de caça, outro…

- A mulher do cara pode ter jogado o MacBook Air dele no lixo, pensando que era jornal… Sério.

- Política internacional analisada e relatada com classe. Pois é, Erika Sallum já tem um blog.

- Bom, o disco físico só chega às lojas dia 01 de abril. Mas a banda já prometeu disponibilizar oficialmente o petardo para download por uma semana, antes disso. O fato é que já vazou na internet. E eu baixei. Supernatural Superserious, o novo lançamento do R.E.M. Curti. Bem nervosinho. O single é a melhor música do disco.

- Quando o quiprocó começou a moer no Tibet, só um jornalista estrangeiro estava lá. E ele conta como foi.

- Óbvio que não é simples assim, mas numa análise tosca, o país que conseguiria (o crescimento a passos de elefante mostram essa possibilidade) encarar os EUA como uma potência bélica e econômica no mundo atualmente é a China. A China que a cinco meses das Olímpiadas começa a mostrar as suas entranhas, seu lado podre, sujo, de repressão, desrespeito aos direitos humanos, violência e censura. O caso das manifestações no Tibet, onde mais de cem pessoas morreram (o governo chinês só admite dez) é típico de um estado arbitrário. Tanques contra templos e um plano ardiloso para eliminar uma cultura. Explica-se: desde que a China abriu uma imensa ferrovia que leva turistas e chineses a Lhasa, capital do Tibet, o inferno deu-se. A cidade virou um imenso Paraguai a céu aberto, por isso o ataque de tibetanos principalmente a lojas de chineses. O detalhe cultural e religioso que o Tibet possuía desde então, passou a figurar como secundário na intenção dos chineses que foram instigados a invadir o país e vestirem a carapuça de vendilhões do tempo. Em resumo, o país que pode ser amanhã a maior potência do mundo, esperando a queda dos EUA (coisa que faz os esquerdóides gozarem) trata as coisas com muito mais truculência e desrespeito. Na boa? A galera que abriu o contador para ver os EUA se ferrarem com suas crises políticas e econômicas, ainda vai sentir muita saudade. Principalmente quando a China decidir exportar a sua política interna. Aguardemos.

1 comentário

Tibet

tibet

Tem uma galera lá no Tibet indo às ruas contra a China.

Sobre o assunto, Claudia Trevisan faz uma análise bacana.

Ps.: Eu sei lá porque, mas na minha cabeça no Tibet não havia carros ou sequer um traço de modernidade. Juro. Para mim era tudo templo, Buda, monges carequinhas e coisa e tal.

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