Adeus Columbus

Voto

“As pessoas falam que a solução é mais metrô. Você tem metrô na zona leste há décadas. E a zona leste está completamente entupida, congestionada. É preciso melhorar essa distribuição de gente e de trabalho no território. Ou seja, trazer mais gente para morar na região central.”

“O principal avanço dessa gestão do Kassab é a integração chegar no metrô. Isso fez uma diferença incrível na vida das pessoas. Muito mais gente passou a usar o metrô com o bilhete único. Então, cada um tem sua contribuição. Mais a Marta e o Serra-Kassab do que o Alckmin.”

“Faltou racionalizar melhor as linhas, os trajetos. Hoje em dia você tem congestionamento no corredor de ônibus, tem ônibus demais. Parece que a solução para o transporte coletivo é ter mais ônibus. A solução, em alguns lugares, é ter menos ônibus, para ele ter mais partidas e andar mais rápido.”

“Primeiro precisamos parar com essa idéia de que o prefeito, o governador e o presidente têm que ser um bom gerente, como se uma cidade fosse um supermercado. Administrar uma cidade é uma missão política que implica uma visão de mundo.”

Continuo querendo muito votar em Soninha.

2 comentários

Stuck in traffic

“Hoje só 20% da rede de 1.200 semáforos inteligentes funcionam na Capital e 2.500 dos 5.500 cruzamentos estão com faróis eletromecânicos ultrapassados. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) conta com apenas 1.800 guardas de trânsito, quando precisa de um número quatro vezes maior.”

“Agora sob pressão da opinião pública e cobrada pela mídia, a Prefeitura anuncia paliativos: vai impedir estacionamento em ruas movimentadas - a medida, em prática há anos, não resolve coisa nenhuma - e divulgar mais de uma centena de vias alternativas às que mais congestionam. Também já foi adotado antes e não funcionou.”

“A imprensa publica há semanas  recordes diários de congestionamento registrados no trânsito de São Paulo, e as reportagens tratam também dos transportes, questões indissoluvelmente interligadas. Só não apontam o que vou dizer agora, com todas as letras: a responsabilidade é dos tucanos.”

Na boa? O Zé Dirceu tem lá suas razões.

Deixe seus comentários

C.A.O.S.

sp

221 Km de engarrafamento hoje. Entendeu como eu gastei quase quatro horas entre Garulhos e Pinheiros?

Deixe seus comentários

Caos II

Logo hoje, que eu estava pensando em ir até o centro da cidade…

sp1

A cidade está completamente parada. É o quarto recorde do ano em uma semana =/

sp2

O pior que você entra nesse engarrafamento e sequer consegue se revoltar. Bate uma resignação filha da puta, sabe? É, vou ficar em casa…

Fotos: Filipe Araújo, AE.

Deixe seus comentários

Ps.: SP

Desde que cheguei a esta cidade, imerso num poema de Corsaletti - lambuzado pelos beijos de mamãe e sob o olhar poderoso do meu pai -, tenho tateado as ruas com dedicação canina. Inclusive pelas quais me perdi na dolorosa ilusão de que ao contornar o quarteirão estaria de volta ao exato ponto de onde parti. A cidade é antes de tudo um dédalo. Ainda a estranho, como estranhei a primeira Coca-Cola. O gosto acre que a fuligem acomoda nas papilas faz casa de tal forma, que aos poucos os referenciais de sabor mudam sem que percebamos. Estranhei como se deve estranhar qualquer céu decorado permanentemente com tons de cinza e raros lampejos de um azul tímido e sem sal. À medida que se caminha debaixo do sol órfão de brisa, a modorra invade os sentidos. Chamar de ar o que se respira não chega sequer a eufemismo. Num embrulho de calor, suor e fumaça escaldantes, o corpo se adapta à urgência da mudança com hostilidade, se debatendo e hasteando a bandeira escarlate que jorra do nariz. Haverá de se acostumar um dia, minto para mim mesmo. Desde que cheguei a esta cidade observo o ruge-ruge de pessoas esperando que um dia elas parem, que não ousem dar um passo a frente, que se neguem a movimentar por trinta segundos ao menos, a engrenagem de caos que se alojou nas ruas e por tabela na vida delas. Muitas, sempre muitas, a perder de vista e quase sempre sem que vejamos os rostos de tantas que são. Tantas, aliás, como a quantidade de cheiros e barulhos. Pungentes, agudos, o ronco dos motores cortando o asfalto ao meio, com parca poesia entre as paralelas dos pneus na água da chuva, que cai todo fim de tarde. Coisa que me acostumei a chamar de neblina, aqui chamam de garoa. A neblina é algo como embaço no vidro do carro, onde resta-nos escrever uma canção de amor. Amor que não se encontra na deselegância discreta das meninas que descem a Augusta, saindo dos brechós, catando aqui e ali um galanteio dos que mais a frente atravessarão a esquina da Ipiranga com a Avenida São João e não sentirão absolutamente nada acontecendo no coração, a não ser a pressa de chegar no trabalho, ou em casa, já quando o céu virou um enorme negrume.  Dar uma banda, tomar uns tragos; um novo ordenamento para velhas palavras, agora postas sob estranhas conotações, que despertam um sentimento difuso de preservação do sertão seco que carregamos nas marcas das mãos e no fundo dos olhos, abismados diante dos monstros de concreto fincados por todos os lados. Eis-me, diante da hercúlea tarefa de ter por minha, enquanto aqui estiver, o que nunca foi nem será de ninguém. Um lugar de passagem, túmulo dos sambas de morro e de roda que cada um dos que aqui estão deixou para trás. E mesmo que findem os dias respirando o ar modorrento, degustando o acre do seu sabor, estarão para sempre imersos na lembrança do lugar que deixaram ou do que sequer conheceram. Esta é São Paulo.

2 comentários