Adeus Columbus

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- O NY Times estreou semana passada um blog direto do Iraque. Serve para de alguma forma manter viva o relato da tragédia, que à medida que some do grande noticiário dá a impressão que acabou. Pelo menos para os não americanos, que num ano de eleições têm a discussão sobre a guerra na pauta do dia.

- Eu me sinto muito estranho por não achar graça nenhuma na piada entre Sarah Silverman, Jimmy Kimmel e Matt Damon. Que aliás, agora tomou ares de We Are The World, com Kimmel devolvendo o I’m Fucking Matt Damon, de Sarah, com Brad Pitt. Para mim é piada interna que se estendeu por tempo demais.

- Caiu na net a música do novo disco de Madonna, chamada 4 Minutes Four Minutes To Save The World, em parceria com Justin Timberlake. Se quiser, baixa aqui e ouve. Na boa? Eu acho Madonna superestimada e não dou a mínima para nada que ela faz nos últimos 20 anos. Pronto, falei.

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Eu disse que acho Madonna superestimada. Posso justificar, acho que fica melhor assim, no mínimo para não parecer apenas ranzinza. Com exceção de Ray of Light (como observou Ápyus em comentário interno), não consigo enxergar nenhum disco, fora os quatro primeiros, realmente relevantes para a música pop. Não há nada de inovador, tome-se como exemplo o último disco, onde ela se rendeu ao eletro-pop, produzida por Stuart Price, e agora escala Timbaland e Justin Timberlake, os dois na crista da onda, para dar um lustro e findar, de antes rainha do pop, para mais uma cantora de estúdio, de produtor. E assim ela segue, embarcando na onda da hora, com muito mais de oportunismo do que camaleoa, fazendo as vezes de celebridade mais do que cantora e figurando como o exemplo de como é possível continuar em atividade na terceira idade. Fora isso, é hype GLS e lembrança dos velhos tempos. Disco de produtor por disco de produtor, prefiro Blackout, de Britney. De brinde a gente ainda ganha um monte de barraco. Disse.

- Robert Fisk, o maior jornalista do mundo, analisa a morte de Raul Reyes (codinome), #2 das Farc, morto anteontem em confronto com o exército colombiano. Vale um desconto nalgumas ponderações de Fisk, mas não pode jamais ser uma opinião desconsiderada.

- Hillary dá sinais de desespero. Apesar de ser uma boa sacada, os comerciais da sua campanha eleitoral que estão sendo veiculados nos EUA são apavorantes. A diferença com cá é que lá eles não têm uma Regina Duarte, mas dá medo do mesmo jeito. Vê isso: ”São três horas da manhã e seus filhos estão dormindo tranqüilos. Mas há um telefone tocando na Casa Branca. Alguma coisa está acontecendo no mundo. O seu voto decidirá quem atenderá esse telefonema. Alguém que conhece os líderes mundiais e os militares, uma pessoa que já foi testada e que está preparada para liderar em um mundo perigoso”. No fim do comercial a voz cavernosa continua: ”São três horas da manhã e seus filhos estão dormindo tranqüilos. Quem você quer que atenda esse telefonema?

- Por trás de um grande Obama tem uma imensa Michele.

- O que FHC diria dessa menina que se aposentou aos onze anos? Pior, do cargo de deusa. É sério.

- “How many Brazilian producers reference Marx, Engels, Sartre and Lou Reed in their sleeve notes? On his third album, the DJ otherwise known as Helder Aragao de Melo continues to approach his craft of constructing dance tracks with the focus and precision of a Swiss watchmaker.” Moral, hein? Dj Dolores, que fala de Pernambuco para o mundo, com disco resenhado no The Independent.

- Eu achei que um cruzeiro de playboys pastilhados ouvindo psy trance 32 horas por dia era o fim da picada. Imagina um com centenas de neo-cons, tiozinhos podres de rico e filhotes de Leo Strauss? Pois foi.

Agora chega. Que domingo é dia de cinema. Adios.

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- “Acossado por um presente marcado pela ruína, o presidente dos EUA tentou empurrar o próprio julgamento para a posteridade. Bush disse que “a história vai julgar as decisões” que tomou. Bobagem. Desnecessário esperar tanto. Pode-se avaliá-lo imediatamente. Uma palavra resume-lhe os sete anos de gestão: desastre. Bush começou em vexame, colecionou ultrajes e termina em fracasso.” O bom artigo de Josias de Souza sobre o fim da Era Bush reforça um sentimento que nutro faz algum tempo: a completa incapacidade de atirar pedras nos EUA, a nação.

- Há que se condenar a política externa e os meios algumas vezes espúrios de manutenção do império, mas jamais não reconhecer a dinâmica da democracia americana que não deixa confundir os princípios políticos de um país com a política de alguns presidentes. Bush volta para onde nunca deveria ter saído, os EUA seguirão certamente com menos ranço após o trauma, aprimorando a sua democracia. O que me faz, além de recomendar a leitura de Tocqueville, ter muita dó de quem conta os dias para a “queda do império”. A troca de comando americano pelo chinês vai ser muito pior…

- New Journalism para contar como foi a micareta dos nerds, a Campus Party, que aconteceu esta semana em São Paulo. O Ibirapuera estava um primor. Texto de Pedro Doria.

- Na redifinição do mercado de arte pop e entretenimento que o mundo vem passando, idem o Brasil, as grandes empresas estão sendo obrigadas a admitir que existe um novo nicho, um potencial mercado e que precisa de apoio. Por isso, além de comemorar o incentivo da Petrobras aos festivais de música independente, cabe um aplauso a OI, que vai investir uma nota preta em cinema, música, artes plásticas e literatura. Incluindo meu afetivo Festival DoSol. Só uma coisa: é bom que isso se reverta para as bandas, em cachê e estrutura. E não apenas no DoSol,  mas em todos os festivais agora apoiados por grandes empresas, públicas ou privadas.

- E aí, tá afim de torcar no Abril Pro Rock? O festival este ano além de Paulo André, conta com a curadoria de Gui e Bruno.

- Fui ver o show da Mallu Magalhães no Studio SP, sexta passada. Perdi. Assim que cheguei, mais de meia noite, ela estava de saída. Tinha aula no outro dia, não podia dormir tão tarde. Coisa normal para uma menina de 15 anos. Próxima sexta prometo chegar mais cedo. Vai ser bom ouvindo uma menina nova e que não está fazendo samba com ruidinhos eletrônicos. Ah, dá para baixar um EP dela aqui, organizado por alguns fãs.

- Aproveita e faz download do disco Let It Die, para mim o melhor da canadense Leslie Feist. Soft folk com classe.

- Hum… Sei lá porque, mas hoje acordei com vontade de ouvir o disco Mezzanine, do Massive Attack. Parece que foi ontem o susto bom que tomei quando ouvi pela primira vez.

- Sempre existem aquelas categorias do Oscar em que na hora do bolão de apostas entre os amigos, a gente não faz a mínima idéia de em quem votar. Uma delas é a de Melhor Curta Metragem. Não fazíamos idéia. Agora os curtas indicados podem ser assistidos aqui.

- Um site fofo.

- Nós que não dávamos a mínima para a revolução e um dia fomos tão jovens, bonitos, imortais. Por Lawrence Schiller.

- Até Robert Fisk foi vítima da pirataria.

- É temeroso e tênue o limite entre a crítica e o desrespeito a um senhor de oitenta anos de idade, como Ariano Suassuna. Que como resume bem Xico Sá, é um grande escritor, mas um pensador de merda. Só que na espuma criada por suas palestras engraçadas e comoventes, esquecem justamente disso: do seu pensamento de merda, conservador e xenófobo. Nem tudo são flores. Aliás, algumas flores são verde oliva

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