Espanando
- “Dispenso, ignoro conversa de botequim. Delas deixei de participar há mais de 30 anos. Eram duras, às vezes. Falava-se mal de Deus e do Mundo. Principalmente deste último. O mundo não valia o que o gato enterrava. E coisas assim. Conheço, ou ao menos, me lembro de nossas gentes. Do que bebem (conhaque Dreher e um chopinho) e de quem falam (mulheres, mulheres, mulheres, dando, dando, dando). Política? Economia? Jeito nenhum.”
Lessa, inspirado.
- “Quem não acredita em Papai Noel mas ainda duvida da necessidade de reformar as regras do jogo financeiro americano, deve prestar atencão às ações do banco de investimentos que era dirigido pelo atual Secretário do Tesouro, Henry Paulson. A Goldman Sachs cobrou milhões de dólares da California para ajudar a vender bônus do estado enquanto aconselhava seus maiores clientes investidores a apostar contra os mesmos bônus.O Los Angeles Times desta terça-feira revela que a Goldman Sachs não informou o o Secretário do Tesouro da California sobre a estratégia das short bets que poderia baixar o preço dos bônus, criando uma crise de confiança e um aumento do custo de empréstimos para o estado.”
Lucia, explicando as coisas.
- Quais são as coisas mais raras e desejadas do rock?
- “Entre você e o público ou entre você e o Marcelo?
Entre eu e o Marcelo.
Quem é o profissional que você mais admira na música brasileira hoje?
Ah…O Marcelo (Camelo), né!
Você está loucamente apaixonada?
Loucamente apaixonada.”
- E Hillary como dama de ferro? Mas eu prefiro o Rahm.
- Porra cara, eu curtia a Dido. Um montão. Quero ouvir o disco novo dela.
- Roots, no SNL. Classe, hein?
- “Mas, já que eu não estou aqui para trair Nico com Anita, vamos voltar ao que interessa: dos braços de Fellini, Nico cai nos braços de Andy Warhol e comparece, com caras, bocas e tudo mais de direito na composição do Velvet Underground, cult entre os cults, ao lado de Lou Reed e John Cale. Isso, em New York City – mas antes a moça já percorria a Swingin’ London (onde se relacionou com Brian Jones, dos Stones, e Jimmy Page, então nos Yardbirds) e Paris (onde teve um filho com Alain Delon, e conheceu Bob Dylan, que lhe dedicou uma música no álbum “Blonde on blonde”).”
Mario Ivo, sobre Nico.
- “Um episódio vivido pelo escritor Alessandro Buzo dá idéia do que move as idas e vindas da literatura nos dias atuais. Em 2001 ele foi convidado a dar entrevista numa rádio comunitária de Suzano. Quem o esperava era Sacolinha, um cobrador de lotação de 17 anos e seu entrevistador. No caminho até a rádio, Buzo percebeu que andavam em zigue-zague, pois o rapaz parava nas casas para recolher e entregar livros. Uma espécie de bibliotecário delivery, pensou. Então ouviu de uma moradora: “Fulano não está, mas mandou dizer que adorou o livro”. Sacolinha recolheu o volume e deixou outro no lugar. “Eu levo leitura até os manos”, disse. Sacolinha é um verdadeiro ornitorrinco. E dos raros.”
Joca, sobre o Sacolinha.
2 comentáriosCurtas
- Obama inaugurou - além de outros - um viés interessantíssimo no diálogo entre políticos e eleitores. Nenhuma campanha fez uso tão eficaz da internet, no contato e na arrecadação, como a que o levou à Casa Branca, faz uns dias. Agora, ele anuncia que a tônica será a mesma, quando assumir o comando do mundo. Os pronunciamentos continuarão disponíveis no YouTube. Bola dentro.
- Uma mulher com roupas breguíssimas e cara de sedenta (?!), um entregador de pizza, dois dedos (sem trocadilhos, por favor) de prosa e… pimba! Eis mais um filme pornô, com a sequência de clichês enraizada do começo ao fim. Sempre a mesma coisa. E o Guardian destrincha tudo.
- A julgar pelo Goncourt, a onda de escritores afegãos exilados ainda é hype. Com cachorros, meninos e pipas. Mas, uma busca rápida vai dar conta que o vencedor, Atiq Rahimi, parece ser um escritor de fato e não um engodo, como costumam seus pares.
- “No momento em que saiu o documento, foi uma correria em Washington para localizar Madame Natasha, a famosa professora de piano e português. Era preciso traduzir a decisão histórica para os brasileiros. O telefone da velha senhora foi conseguido com o jornalista Elio Gaspari, e ela socorreu de pronto os párias do idioma: ‘O G-20 quis dizer que a reunião foi ótima, a comida estava uma delícia e se Deus quiser essa crise vai embora’.”
Fiúza, zoando o G-20. Curti.
- Eu nem sei se o livro presta (certamente não vale os protestos. Gente estúpida) mas as ilustrações do “Boys and Girls”, um manualzinho de sexo para adolescentes são matadoras.
- Uou. Galerinha que curte fortes emoções…
Deixe seus comentáriosPontos nos is
Eu não gosto de Tarso Genro, geralmente discordo dos seus posicionamentos. Mas dessa vez ele tem razão. Sobre isso:
“O ministro da Justiça está certo. Os grupos de esquerda que recorreram à luta armada para enfrentar a ditadura não eram terroristas. Ações isoladas podem ser classificadas como terroristas, porque atingiram inocentes que nada tinham a ver com a ditadura. Mas foram exceções. O terror não foi um método usado por nossa esquerda. Carimbar aquela geração de terrorista é uma injustiça. Equivaleria a dizer o mesmo da Resistência Francesa. Seria um erro histórico. Obviamente, hoje é fácil enxergar que a luta armada foi um equívoco. Estava fadada ao fracasso, mas era uma atitude de resistência contra um regime de opressão.”
Mais aqui, do Kennedy Alencar.
Deixe seus comentáriosA vitória
Hello Chicago! Há alguém ainda duvida que a América é um lugar no qual tudo é possível? Que os sonhos de nossos fundadores ainda estão vivos? A resposta está nas filas em escolas, em igrejas, hoje, com pessoas que acreditaram que poderiam udar. Americanos brancos e negros, republicanos e democratas, gays e straights, estes são os Estados UNIDOS da América.
Esta noite, por causa do que fizemos nesta eleição, a mudança veio à América. Recebi hoje uma ligação muito gentil do senador John McCain. Somos um país melhor pelos serviços prestados por este herói. Ele lutou pelo que considerava o melhor pelo seu país. Quero agradecer pelo meu companheiros nesta jornada, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden. E eu não estaria aqui sem minha melhor amiga nos últimos 16 anos, o amor de minha vida, a próxima primeira- dama, Michelle Obama. Sacha e Malia eu amo vocês mais do que imaginam, e vocês merecem o cachorrinho que ganharão. Sinto falta de minha avó tanto, essa noite. Agradeço a minhas irmãs e irmãos.
À melhor equipe de campanha jamais feita nos EUA liderada por David Axelrod. (PD: É verdade.) Principalmente, nunca esquecerei a quem esta vitória cabe: a vocês. Esta campanha pertence àqueles que doaram 5 dólares, 10 dólares. Aos jovens que não acreditaram nas ‘verdades’ que sempre lhes disseram. Àqueles que acreditaram que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu desta Terra. (Cita Lincoln.) Há grandes americanos, hoje, morrendo nos desertos do Iraque ou no Afeganistão. Nossa subida será difícil. Não vai ser resolvida em um ano, dois ou em um mandato. Mas, americanos, eu lhes prometo: teremos um futuro melhor. O governo não pode resolver todo problema. Mas eu serei honesto com vocês em cada momento.
Constuiremos este futuro tijolo por tijolo. A mudança não virá sem vocês, sem um espírito de sacrifício vindo de todos, no qual cada um de nós decidirá que trabalhará mais para que o melhor venha. O Partido Democrata venceu uma grande vitória esta noite, mas é uma vitória da humildade. Como disse Lincoln, não somos inimigos, somos amigos. Para os americanos cujo apoio não tive, posso não ter tido seu voto, mas quero conquistar sua confiança. Sou seu presidente. Estou ouvindo vocês. Um novo amanhecer da liderança americana vem hoje. Vocês que buscam paz e segurança no mundo, nós estamos do seu lado.
O grande mérito desta nação não é a força, são nossas idéias: democracia, oportunidade, liberdade. Esta é a América verdadeira. (Ele cita a história de uma eleitora de 106 anos que nasceu filha de pais ex-escravos e votou nele. Cita as mudanças em sua história, na história de sua vida.) Ela sabe o quanto este país pode mudar. Nós podemos. Yes we can. Se nossas crianças verão o próximo século, que mudanças elas verão? Que progresso verão? É isto que temos que construir. Yes we can.
mezzo by Doria.
Up Date
E a Bia postou esse aqui, da CNN:
Deixe seus comentáriosTestemunha a história
Em 40 anos, os seus filhos e netos vão perguntar onde você estava no dia 4 de novembro de 2008, às 22h de Chicago, quando o primeiro negro da história foi eleito para comandar os Estados Unidos.
1 comentárioDeu a louca no mundo
E São Paulo sem internet, hein? Horror. Já pensou que terror um mundo sem wi fi? Rá?
Falando em horror, os EUA preparam-se para entrar em mais uma enrascada. Essa galera não aprende mesmo… Esqueceram o Afeganistão na década de oitenta e de como aquilo lá findou na Al Qaeda? Agora planejam atacar o Irã. Pelo menos é o que se lê nas entrelinhas. Como no artigo de Saymour Hersch, na New Yorker.
Talvez o mais lúcido nisso tudo até agora, pelo menos com poder, tenha sido Robert Gates, secretário de Defesa, que numa reunião com congressistas saiu-se com essa pérola: “vamos criar gerações de jihadistas e nossos netos vão lutar contra esses inimigos aqui nos EUA”.
Ele está certo.
Deixe seus comentáriosHerança maldita
“Dos partidos brasileiros, o DEM está hoje entre os mais cartoriais. Uma geração mais velha transmitiu o controle do partido a uma geração mais jovem. Foi negócio de pai para filho e de avô para neto. Essa espécie de legenda hereditária, que se propõe a ser uma direita moderna, antenada com temas ambientais e comportamentais, vez ou outra dá mostras de ser o velho PFL de guerra. Muda a pele, mas mantém o vício. Com uma oposição desse tipo, fica mesmo meio difícil reclamar de Lula e do PT.”
Deixe seus comentáriosPor alguém menos imbecil
“IT IS hard to believe after all the thrills and spills, but the real presidential race is only now beginning. In any other country, the incredible circus that has marked the past year could not have occurred. The business of choosing the main contenders for the top job would have been done behind closed doors, or with a limited franchise and a few weeks of campaigning. Hillary Clinton and Barack Obama, by contrast, have spent well over a year in the most testing and public circumstances imaginable—and that was just to get to the final five months.”
A tese da The Economist é perfeita: seja quem for o vencedor da disputa entre McCain e Obama, já está de bom tamanho frente ao bronco estúpido que é o Bush Fillho.
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