Adeus Columbus

Não é como parece

“Uma das estatísticas mais citadas [pelo governo de Hugo Chávez] é o declínio da pobreza de um pico de 54% no auge da greve geral de 2003 para 27,5% na primeira metade de 2007. Embora a mudança impressione, também é conhecido o fato de que a pobreza diminui quando há crescimento econômico. O PIB per capita da Venezuela cresceu em 50% neste mesmo período graças, principalmente, ao fato de que o preço do petróleo triplicou. A questão, no caso, não é se a pobreza diminuiu mas se o governo foi eficiente na conversão deste período de crescimento econômico em redução de pobreza. (…) O percentual de bebês subnutridos, por exemplo, saiu de 8,4% para 9,1% entre 1999 e 2006. O percentual de casas sem acesso a água corrente saiu de 7,2% para 9,4%. O de famílias que vivem em casas com chão de terra quase triplicou, de 2,5% para 6,8%.”

O trecho acima é de um artigo publicado por Francisco Rodríguez, economista venezuelano, com formação nos EUA e que foi, no início do primeiro mandato de Chávez da base de apoio do presidente. El gobierno venezuelano respondeu, mas não muito convincentemente a demonstração de que a vida do povo naquele país não é essa aquarela que Chávez pinta. Rodríguez rebateu.

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Desossando os fatos

“É inegável que os chineses oprimem o povo tibetano e cometem toda sorte de violação aos direitos humanos. Também está fora de questão que o governo central de Pequim vem, ao longo das últimas décadas e por diversos meios, erodindo a base da cultura tradicional tibetana. Mas daí não se segue que os chineses sejam bandidos desalmados que apenas tiranizam os heróicos e pacíficos tibetanos, sempre a um pequeno passo da santidade.”

“É verdade que Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama, é uma figura simpática. Está sempre sorrindo e vem, há quase cinco décadas, liderando uma luta de independência nacional. Fê-lo sem recorrer ao terrorismo ou a outras formas de violência muito exacerbada. Defende com o que parece ser autêntica convicção o equilíbrio ambiental do planeta. E isso já bem antes de Al Gore. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz (1989) e a medalha de ouro do Congresso dos EUA (2007), além da cidadania honorária canadense (2006).”

“O que não se menciona tanto é Tenzin Gyatso chegou a ser o monarca de uma teocracia absolutista que, até 1951, ainda mantinha o regime de servidão. Segundo o tibetólogo Melvyn Goldstein, com exceção de cerca de 300 famílias nobres, todos os tibetanos eram servos (”mi ser”) ligados a terras pertencentes a aristocratas ou monastérios budistas.”

“Apoiamos a causa tibetana porque ela é “justa”. Pelo menos no plano instintivo, não nos damos ao trabalho de definir o que é justiça. Servimo-nos de aproximações. Vale até identificar o fraco a bom e o forte a ruim. Quantos de nós já não nos pegamos torcendo pela seleção de Camarões contra a poderosa Alemanha? Basicamente, temos uma vontade quase irrefreável de “equilibrar o jogo”.”

Tem verdades que quase nunca vêm a tona. o Hélio Schwartsman sempre que pode acende as luzes.

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