Politics (Up dated)
Pincei dois textos lúcidos, necessários e inteligentes. O de Sérgio Dávila funciona como um guia conciso para entender a cabeça do americano (com todo o condicionamento cultural, social etc) na hora de votar. É bem interessante e demonstra como os EUA vivem um clima de transição dos seus paradigmas políticos. O outro é de Pedro Doria, um testemunho digno de nota, diria até que pela emoção como ele debulha suas idéias sobre o conflito Israel x Palestina, confessando que o tema entra em quarentena, por motivos pessoais. Seguem:
“O tom cinza nunca foi o forte dos norte-americanos. O povo daqui vê branco ou preto, sim, sim, não, não. Você toma o seu café com ou sem açúcar, dirige um carro ecologicamente correto ou um trambolhão bebedor de gasolina, gosta de filme de ação ou cinema “de arte”. Os cruzamentos são exceção. Em cinco minutos de conversa numa festa, o cantador já sabe se vale a pena levar a cantada adiante. Um conhecido confessou certa vez que, apenas pelo código de área do telefone da pessoa, ele decidia se dava prosseguimento ao papo ou não. É esse povo que vota em republicano ou em democrata. Escrever que são dois os partidos majoritários nos EUA é ser modesto: são os dois partidos, ponto.”
“A atual política de Israel é um desastre. A promoção de uma carnificina na Palestina - sem esquecer a do Líbano - é uma tragédia humana. É também estúpido. Israel nasceu como a esperança de vida após uma das maiores tragédias da história humana. É uma esperança que o governo da coligação Kadima e Partido Trabalhista, hoje no poder, trai por incompetência, insensibilidade e a mais pura estupidez. Os facínoras estão no comando. Saudades de Yithzak Rabin. O debate está ficando difícil (…) Entre pessoas que defendem a causa palestina sempre há um jeito de os bons e velhos anti-semitas se misturarem. E raramente são condenados.”
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Dávila explica via podcast como funcionam as primárias das eleições americanas, com especial atenção à próxima votação, no Texas. Bastante didático.
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1 comentárioAo ataque (Up dated)
60 mortos em apenas um dia. 100 mortos. É impossível defender Israel diante de tamanho descalabro, tão desmedida reação. Como exemplo de indefensável bastava a declaração imbecil do Vice-Ministro da Defesa, Matan Vilnai, dizendo que os ataques promovidos pelo Hamas contra o país na Faixa de Gaza levariam os palestinos a uma grande “shoah” (expressão que de tão judaica e por carregar tanto simbolismo, jamais deveria ser usada em vão), leia-se uma grande catástrofe, pois Israel “vai usar tudo que dispõe para se defender”. Mas isso não é legítima defesa. A desproporcionalidade de um míssel de pequeno porte e médio alcance, que causou a morte de um judeu, diante de uma incursão tão violenta, fortalece os detratores do estado israelense, essa gente ideologicamente pobre e sem alicerce histórico, que não consegue diferenciar terrorismo de genocídio, conflito reliogioso de Holocausto. São essas pessoas que agora, diante da ação mais violenta desde o início da intifada de 2000, sentem-se um tanto mais com razão. E isso é péssimo, depõe contra a legitimidade de Israel, enterra a lembrança de todos os atos falhos palestinos, a irredutibilidade suicida de Arafat em Oslo (a grande chance real de paz), porque no fim das contas, finda-se na contagem de mortos, no placar desigual. 60 x 01. E pior, tais fatos acontecendo num governo de aliança entre o Kadima e os Trabalhistas. Se igualharam ao Likud, então? Ou melhor, se igualharam ao lixo do Hamas? Foi para isso que chegaram lá?
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