Adeus Columbus

Deixem Lula falar com a patuléia

Lucidez é um artigo raro no jornalismo político brasileiro… De tão cegos, não enxergam o óbvio que o Gaspari aponta. Reproduzo abaixo:

Lula conseguiu construir sua agenda e ninguém conseguirá tirá-lo do trilho. É um cestão com progresso (5,4%) e aumento do consumo das famílias (13,4%). Há mais carne no prato e menos mês no fim do salário.

Nosso Guia impôs sua agenda falando diretamente à patuléia. É injusto querer limitar seus movimentos. Em 2002, quando FFHH recebeu seu 18º título de doutor honoris causa na Universidade de Oxford, vivia sua campanha, no mundo encantado que tanto aprecia. Pulando de palanque em palanque e torturando a gramática, Lula faz campanha em outro mundo, o de seus encantos.

Assim como a estabilidade da moeda saiu da agenda de FFHH , impondo-se a Lula e ao PT, o cestão de Nosso Guia haverá de demarcar os rumos da política brasileira por um bom tempo. Seria aquilo que o governador Aécio Neves chama de “Pós-Lula”.

O “Pós-Lula” já começou. É um quadro no qual não adianta xingar os programas sociais. O coração dessas iniciativas, como a leis trabalhistas de Getúlio Vargas, o fundo de garantia de Castello Branco, o Funrural de Emílio Médici, tornaram-se parte da sociedade brasileira. Podem mudar, mas não acabam. Pelo contrário, acabará quem propuser que acabem.

No bojo desse êxito está o desafio do “Pós-Lula”. Já não há cartões para distribuir ao andar de baixo. O baú da transferência de renda esvaziou-se, ajudando a criar um Brasil diferente. Não se trata mais de pensar na família que está na miséria, mas de milhões de pessoas que saíram dela, ou que viajaram no “elevador social”.

Coisas que hoje parecem idéias de jerico poderão entrar na agenda. Por exemplo: a universalização de um plano de saúde básico. É desnecessário lembrar que esse é um dos principais assuntos da campanha eleitoral americana. Seria necessário misturar o SUS com as operadoras de serviços privados. Coisa dificílima, mas, quando se trata de tungar a Viúva, é matéria fácil. Até hoje ela não conseguiu receber regularmente o dinheiro que gasta com o atendimento, na rede pública, de segurados de empresas privadas.

Por que São Paulo, como Nova York, Londres e Paris, têm bilhete único de transporte público, e o Rio de Janeiro não tem? Teria, segundo o governador Sérgio Cabral, no final deste ano, mas a promessa ficou para maio de 2009 e há um forte cheiro de empulhação no palavrório disponível. Por que o programa de regularização de lotes urbanos só é um êxito em Manaus?

No “Pós-Lula” será necessário mudar a qualidade da discussão de assuntos desse tipo. Em geral, os burocratas sacralizam um obstáculo e esterilizam as propostas. Assim, o ressarcimento do SUS não anda porque as operadoras vão à Justiça. Lorota. O jogo virará no dia em que o ministro da Saúde mostrar ao país o caso de um magano que paga ao plano de saúde e, tendo batido com o carro, foi para um pronto-socorro onde seu tratamento custou uma fortuna, mas o SUS levou um beiço. No dia em que governadores e prefeitos botarem a boca no mundo, virarão o jogo dos transportes públicos em todas as cidades dominadas por cartéis semelhantes ao do Rio de Janeiro.

Na área da educação e da segurança pública, há dezenas de temas semelhantes. Cada um terá sua trava, mas nenhuma dessas travas resiste à exposição pública. Talvez a principal novidade do “Pós-Lula” seja que a patuléia veio para ficar.

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Provocações

“A era Lula foi boa para o Brasil. “Foi”, porque o próprio presidente acaba de anunciar o seu fim. Nunca antes na história deste país um presidente da República fez seu primeiro comício eleitoral com quase três quartos de mandato pela frente. A oposição pode tirar o cavalinho da chuva para 2010, anunciou ele, já de saída. Assuntos de Brasil? Tratar com doutora Dilma. Lula, o precoce, já está na estrada em busca do ponto D. O problema é que o ponto D começa a exalar certo cheiro de queimado. O Planalto admitiu que o “cadastro” dos cartões de FHC foi montado no governo mesmo. Ou seja: D, a companheira de armas, voltou à clandestinidade, desta vez dentro da Casa Civil. É a primeira trincheira oficial da história.”

Como é bom ler quem provoca com classe. Uma dica? Joguem seus Reinaldo Azevedo e Paulo Henrique Amorim fora. E fiquem com o Fiúza =)

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Dossiê Pelicano

Luis Nassif, que neste fim de semana continua série de reportagens sobre a revista Veja, tece comentários sobre a origem e a função do dossiê/banco de dados montado com gastos realizados com cartões corporativos e contas tipo b no governo FHC. Não estou de todo convencido das observações feitas por ele, a partir de conversas com um jornalista amigo que atua em Brasília, mas vale como arcabouço e alicerce para aos poucos irmos tirando conclusões definitivas sobre o caso. 

Ps.: Eu, como leitor de Veja, gostaria muito de ler um desmentido da revista, mas não só um desmentido, um desmonte da tese que Nassif vem apresentando na série de reportagens sobre a banda podre da publicação. Mas não é o caso, Veja não vai responder e sinceramente, tudo que Nassif vem mostrando é crível demais para ser desmentido com simples achaque. A revista vai mal. Bom para o leitor, que se inteira de como realmente opera o jornalismo brasileiro.

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Revolução no andar de baixo

A oposição ao governo Lula tem dois caminhos: ou parte para um projeto pós-Lula e não anti-Lula, apresentando em 2010 um plano de governo e poder que assumam o que é fato (a manutenção da política econômica e a ampliação dos programas sociais estão mudando o país) e ampliem o que é bom para o povo, seguindo a tese de Aécio Neves - vejam bem, a tese, não necessariamente a candidatura -, ou saltita no bate boca sem fim e na incapacidade de dialogar com a sociedade. A sociedade que sente na mesa e na casa que algo está mudando e para melhor. Sob o risco de conseguir dois dedos de prosa apenas com a classe média espremida entre impostos e arrocho salarial. Um terceiro caminho, que parece medo de assumir o óbvio, é achar que é tudo sorte do presidente. Já a imprensa, seria tão bom que refletisse sobre o modo ridículo como vem fazendo a cobertura política (dividindo-se entre “reinaldazevedianos” e “paulenricamorinianos”)… Afinal, fato é fato, não se desarma com falsos argumentos. Que o diga o Gaspari, em sua coluna de hoje, na Folha de SP, que reproduzo abaixo.

O Boston Consulting Group apresentou uma idéia à praça: há 1 bilhão de novos consumidores prontos para serem atendidos pela economia mundial. A maior parte desse mercado está na China, na Índia e no Brasil. Ele começa logo acima da linha da pobreza e acaba no início da classe média. São pessoas que estão fora do radar de muitas companhias e deverão provocar mudanças na economia mundial. Pode-se arriscar que sejam semelhantes às que ocorreram na Europa nas duas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra.

No Brasil, esse mercado tem 120 milhões de fregueses, com renda familiar inferior a R$ 1.200 mensais. Eles produzem perto de um terço da renda nacional e ficam com metade do consumo, cerca de R$ 200 bilhões anuais. Uma família típica gasta 78% do que recebe em casa, comida, transporte, saúde e telefone. Sobram 22% para ir às compras. No topo do grupo, o excedente chega a 50% da renda. É um dinheiro que começa a mudar o perfil da produção nacional. De cada 10 brasileiros que fazem parte desse mercado, 6 trabalham na informalidade e 8 recebem seus pagamentos em dinheiro. Mesmo assim, gastam R$ 28 bilhões por ano com prestações e 1 em cada 2 acredita que poupará mais no ano que vem.

Esses brasileiros estão um pouco melhor que os europeus do início da segunda metade do século passado. Como as coisas por lá foram de bom a melhor, aconteceram situações incríveis. Em 1950, na Alemanha, venderam-se 900 mil pares de meias de náilon para mulheres. Quatro anos depois, as alemãs compraram 58 milhões de pares de meias. A explosão do consumo europeu levou o escritor comunista Roger Vailland a dizer que os franceses não precisavam de geladeiras, um “símbolo da mistificação” americana.

“Nova classe média”, “turma do bilhão”, “neo-emergentes” ou seja qual for o nome que se dê ao fenômeno, ele está aí para mudar muita coisa. Não é à toa que grandes empresas começaram a mergulhar na periferia das grandes cidades e que o Banco Azteca (capitais mexicanos) abriu no Recife sua primeira agência sem exigência de renda para abrir conta, nem cobrança de tarifas. Ele opera acoplado a uma loja de móveis e aparelhos domésticos.

Do ponto de vista dos negócios, quem não olhar para o andar de baixo ficará com um mico. Do ponto de vista político, seria muito simples supor que essas famílias são devotas de Nosso Guia. Podem não ser, mas foi no governo de Lula que o crédito se expandiu e sobrou mais salário no fim do mês.

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Mãe do PAC, madrasta do dossiê

O governo Lula mete tanto as mãos pelos pés, que consegue se rebaixar ao tipo escuso e partidário da cobertura política da grande mídia. Ninguém sabe quem é pior, e todos se nivelam por baixo. Dilma, que era a mãe do PAC, agora virou madrasta do dossiê e se comporta (sempre foi esse o seu defeito e o medo de Lula) de maneira pedante. O que pode ser também, prenúncio da queda. Não há quem não queira manter a altivez para disfarçar que dança à beira do abismo. É aguardar novos lances do fato que pode minar a candidatura de Dilma à sucessão de Lula, numa crise criada pelo próprio governo, que acaba alimentando a sanha oposicionista da grande imprensa. Por enquanto, o que temos é isso: Dilma descarta demissão da funcionária que comandou a montagem do dossiê/banco de dados, há quem ja aposte na morte da candidatura de Dilma, antes mesmo de nascer, tudo leva a crer que a ação foi orquestrada pelo governo e não apenas por uma funcionária, há quem também queira tirar o braço da seringa, jogando a culpa no TCU e FHC o investigado, defende Dilma, mas a gente sabe que é só para fazer a média. 

É bom lembrar que ainda cabe o tratamento de “suposto” ao dossiê, não há crime comprovado, há indícios, que convenhamos a grande imprensa não faz a mínima questão de diferenciar. O que é péssimo para o cidadão, que não sabe que conclusão tirar de nenhum dos atos, seja a farsa do governo ou a sanha da imprensa. Péssimo. A reclamação do vazamento dos gastos de FHC e da ex-primeira dama Ruth Cardoso foi feita pelo governo, é tão de baixo nível quanto a divulgação desordenada que a imprensa faz, sem discriminar o que é pode ou não ser crime. O governo pisa na bola, e a imprensa entra de canela. Não há inocentes nesse jogo, novamente a lama dá no meio da canela. Até agora ninguém provou que houve chantagem contra a oposição, trouxeram à tona o que chamam de dossiê mas não lhe deram uma finalidade e o governo, inábil como sempre no trato das crises, ou se comporta como se nada estivesse acontecendo, ou é agressivo como Dilma. O jogo é sujo e niguém sabe quem é mais cabeça de bagre.

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Trocando em miúdos

Nesses últimos dias, quando a blogosfera e o jornalismo brasileiros deixaram de repassar notícias para serem a notícia, a turba de stalkers fez as vezes de espectadora e torcida. De um lado os “reinaldoazevedianos” e os “diogomainardianos”, do outro os “PHamorinianos” e os “minocartianos”, criando um clima de disputa que na real, resume-se em interesses velados. Todos macacos velhos, cobras criadas, gente que garantiu faz muito tempo o pé de meia e por causa disso mesmo, por não correr o risco de por uma demissão ou outra ir parar no beco da amargura, dá-se o luxo de manipular as massas com um jogo de cena que à primeira vista a gente pode jurar que é real. Tudo conto da caronchinha. E o Doria, na minha opinião, consegue provar isso por a + b.

Às vezes, a conversa política fica difícil. Não era assim, passou a ser. Polarização não me incomoda pessoalmente. Mas polarização artificial, polarização inventada onde ela não existe, sim. E parte do público politizado, interessado em política, está sendo usado como massa de manobra.

Não há diferenças entre os planos de governo do PT e do PSDB. Ambos apostam na mesma política monetária. Ambos têm a mesma política social baseada em bolsas de renda mínima com contrapartidas. Ambos têm a mesma falta de projeto futuro para o Brasil.

Do ponto de vista de projeto de governo, a diferença entre PSDB e PT é mais ou menos como a diferença entre Hillary e Obama. Ou seja: quase nenhuma, de filigranas. Representam ambos, no Brasil, o mesmo que o New Labour inglês de Tony Blair representa, o que os New Democrats de Bill Clinton representaram. São as mesmas idéias.

PT e PSDB têm diferenças de história. Em seus núcleos duros, um dos partidos tem base sindical e o outro na elite de centro-esquerda paulista. Coisa equivalente existe dentro do Partido Democrata norte-americano. Há os democratas da Nova Inglaterra e há o poder interno das Unions. Não faz qualquer sentido que PSDB e PT sejam partidos diferentes. Mas são. Acaso o Brasil fosse lógico, faria sentido uma aliança PT-PSDB no governo e uma oposição DEM-PL. Ou vice-versa. Mas a lógica nós a abandonamos faz tempo.

O que realmente separa tucanos e petistas são os projetos pessoais de poder de seus líderes. Isso não enobrece ninguém. Há ódios, raivas, cálculo, esperteza - coisas da política. E parte da imprensa ingênua ou espertamente compra isso como se fosse diferença política de fato. Nesta toada, rusgas de alguns políticos, as várias brigas internas em governos, as histórias de corrupção que ambos têm, vão sendo alimentadas. O público é iludido. Usa-se a tática do inimigo externo - velha como a Sé de Braga. Para distrair o eleitor de meus problemas, que se jogue a culpa no outro, que fique bem disfarçado aquilo que realmente importa.

Enquanto isso, a imprensa tem um problema. Há uma mudança tecnológica em curso que dificulta a vida. Revistas vendem menos. A polarização, a incitação ao ódio, serve para vender revista. Serve para atrair leitores de blog. Mas que ninguém tenha dúvidas: imprensa ainda é um grande negócio que faz muita gente muito rica. E esta é uma segunda briga que rola em paralelo.

A Igreja Universal do Reino de Deus é o novo grande concorrente nesta disputa. Tem um canal de televisão que está crescendo. Terá um jornal diário. Tem um projeto político-partidário. Está mais influente na vida brasileira e quer seu espaço. Está preparada para um conflito. Do outro lado, os jogadores correntes deste mercado, nas tevês e jornais, também estão armados. Quem aumentará audiência? Quem perderá? Quem terá mais poder no final? Quem terá mais dinheiro?

Por causa da Internet, as grandes empresas de telecomunicação que emergiram da privatização de Sérgio Motta entraram no negócio da imprensa. Foi um movimento natural: a princípio, não havia nada em português na web e era preciso dar material de leitura para que as pessoas usassem o serviço. Hoje, virou negócio: há influência para exercer sobre um grande público e há dinheiro para ganhar.

A maneira como grandes negócios são conduzidos não é bonita. Há um emaranhado que envolve laços políticos, bancos, o peso que o governo tem por conta dos fundos de pensão. É muito dinheiro o que levantam as grandes telecoms. Ninguém envolvido neste jogo é inocente.

Empresas jornalísticas vivem de venda direta aos leitores e, principalmente, publicidade. O governo - qualquer governo - usa a verba que tem para beneficiar quem lhe interessa. Grupos com interesses próprios usam a imprensa para melhorar suas chances na política. Alguns veículos, em troca de gordas verbas publicitárias, se dispõem a atacar o inimigo de seu amigo. É uma máquina complexa com muitas variáveis, um jogo muitas vezes complicado de alcançar. As fidelidades de um dia no dia seguinte são outras. Mas não é jamais ideologia que está em jogo neste troca-troca de alianças e inimizades. É poder e é dinheiro.

Antonio Carlos Magalhães costumava dizer que existem três tipos de jornalista. Um quer emprego. Outro quer dinheiro. O terceiro quer notícia. Assim, ele continuava, o político que souber diferenciar pelo olho um jornalista do outro sempre se dará bem. Ele tinha toda razão: é como somos. Controlava os três grupos como um mestre.

Não existe uma guerra ideológica na imprensa brasileira. Não existe uma guerra ideológica no Brasil. Não há polarização. Finge-se uma polarização para disfarçar empresas e grupos que têm interesses. E ainda existem os mesmos três tipos de jornalistas. Diferenciar um do outro requer bom olho.

Enquanto a disputa pelo poder de fato no Brasil rola, o leitor é ludibriado com uma briga ideológica inexistente.

Pedro Doria, em O Brasil Como Ele É.

1 comentário

Sobre caráter

Comentei algumas vezes aqui sobre meu descontentamento acerca dos rumos que o jornalismo político havia tomado no país. Lamentáveis, diga-se. Um processo de “reinaldoazevedização” assustador, onde o achincalhe vale mais que o fato, a opinião mais que a análise (eles são capazes de fazê-lo?). Nenhum dos dois lados da moeda, seja o grosseiro (mesmo que inteligentes), como Reinaldo Azevedo, ou o descaradamente governista, como Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, conseguem dialogar de forma sensata entre si, muito menos com o leitor/internauta. Preferem a arena. 

A demissão de PHA do IG acirrou essa discussão, alimentada por uma platéia de stalkers virtuais. É um jogo onde a lama dá, como se diz no Nordeste, no meio da canela. Não há santos nem candura alguma nos sujeitos citados. Perde, de certa forma, o leitor/internauta, que fica na maioria das vezes preso num maniqueísmo opinativo (Mainardi x Sader, Arbex x Rossi, Azevedo x Amorim etc), por outro lado, os mesmos tratam de expor publicamente as entranhas de um jornalismo podre que há muito usa de expedientes nada honestos para manipular e servir a interesses velados, aqueles que o público médio, da família que comenta a Veja, a Folha de São Paulo e os demais grandes veículos no almoço do domingo, não faz idéia do quanto são fortes.

Sobre PHA, que se arvora guardião do bom jornalismo no país, e por tabela a atitude “solidária” de Mino Carta, uma espécie de Forrest Gump um pouco mais rspeitável do jornalismo brasileiro, pincei um comentário de Cora Ronai, esposa de Millor Fernandes, uma das melhores jornalistas do país, sensata, lúcida e inteligente. Por aí, dá para perceber com quem lidamos quando abrimos o site/jornal ou ligamos a TV.

“Nos meus 36 anos de jornalismo, Paulo Henrique Amorim foi o único chefe que encontrei que me mandou deliberadamente alterar os fatos de uma reportagem. Fiz estardalhaço, me recusei a assinar a matéria. Ele me puniu durante meses; não podia demitir, porque o JB tinha um acordo com o sindicato. Mas eu fiquei proibida de escrever, passava os dias indo aos supermercados, conferindo os custos de uma tabela de produtos, coisa que qualquer analfabeto faria sem esforço. Todo santo dia eu chegava em casa à noite e chorava, chorava; o Millôr não entendia por que eu não pedia demissão. Tinha virado ponto de honra para mim, eu não ia fazer o jogo de um canalha. Quando o acordo com o sindicato venceu, fui demitida. E fui trabalhar com teatro, porque estava enojada com jornalismo. Se não fosse o Zuenir Ventura me chamar de volta à redação quando o Paulo Henrique foi - afinal! - demitido, talvez eu nunca mais tivesse feito as pazes com a minha profissão, que amo tanto.”

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Hoooooola!

“Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos.”

Mino Carta, incitando a patuléia. Ou vocês acham que ele é um anjo de candura?

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