Perspectiva
Israel em 2040? Yehezkel Dror, conceituado cientista político, traça dois caminhos. Um de progresso humano, político e cultural, de convivênvia pacífica, o outro de economia cambaleante, além do permanente risco de conflito com os vizinhos, agora todos com armas de destruição em massa. Pode ser lido aqui.
Ps.: Quem seria capaz de traçar tal perspectiva hoje, no Brasil?
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- Eu falei alguns posts atrás sobre o problema que a Colômbia enfrenta (ou pelo menos precisa enfrentar) com os grupos paramilitares de direita. O conflito divide o país ao meio e requer uma habilidade que até agora, Álvaro Uribe concentrado em atacar as Farc, não conseguiu mostrar que tem. E tem mais. Como se não bastasse o problema interno, a recente confusão com o Equador, tem trêta com a Nicarágua.
- Um conflito afasta-se dois milímetros da mídia e nos dá a impressão de ter arrefecido. Mas coisas continuam correndo. Iraque, conflitos tribais no continente africano, Timor Leste, China x Tibet. E Israel x Palestina, como não poderia deixar de ser. A crise no Oriente Médio entrou numa daquelas fases em que a impressão recorrente é que o buraco não tem fim e nunca vão chegar a uma solução pacífica. Israel meteu-se numa incursão desmedida que matou mais de cem palestinos, que agora responderam com a morte de oito judeus num mosteiro rabínico. Pena, muita pena. Para os dois lados. Ainda mais porque agora deve vir uma reação estúpida israelense.
- Afim de ir para Espanha nos próximos dias? Cuidado. A imigracion está, como se diz no Nordeste, com o “cão nos couro”. Muita, muita sacanagem fazer voltar brasileiros sem uma justificativa palpável. Aliás, por que o governo daqui não retalia? Basta proceder da mesma maneira. Já pensou um ministro de estado americano ou inglês sendo obrigado a retirar até os sapatos para ser revistado? Simples, a justificativa é simples: foi o que vocês fizeram com ministros nossos, brasileiros. Na mesma moeda o pagamento.
- Pop na veia (não na véia =P). De 80’s a 00’s. Joguinho supimpa para testar conhecimentos. Quer tentar?
- Três discos imperdíveis e para download gratuito: Gnars Barkley, Isobel Campbell & Mark Lenegan (discaaaaço!), Landon Pigg (folk! folk! folk!).
- O Michael Chabon, que venceu não faz muito tempo um Pulitzer, e é um puta autor de língua inglesa (melhor que o DeLilo. Ok, essa foi para provocar), publicou uma reportagem muito saborosa na The New Yorker sobre super-heróis. Aliás, sabia que os Coen, Ethan e Joel, estão adaptando um livro dele para o cinema? Deus do céu… Como se não bastasse No Country For Old Men, do Comar McCarthy. Vem obra-prima por aí.
- Pena ser na Caros Amigos, uma revista que eu acho tão sectária (mas não desonesta, jamais) quanto a Veja, mas mesmo assim vale a leitura da entrevista que o jornalista Luis Nassif concedeu abordando a série de matérias que ele vem produzindo contra o cavaleiros do apocalipse: Mainardi, Mario Sabino, Euripedes Alcantara e Lauro Jardim, jornalistas e editores da Veja.
- Lembram daquela senhora que em depoimento na novela Páginas da Vida, de Manoel Carlos, confessou ter acordado “toda molhada e babada” depois de adormecer ouvindo Roberto Carlos? Deu xabu. A justiça condenou a Globo por causa da edição, segundo a decisão da juíza, prejudicial a imagem da senhora.
- “Já fumei maconha várias vezes. Não tenho problema com isso. Se você plantar em casa e fumar, qual é o problema? É diferente de comprar de um traficante”. O José Padilha abrindo o flanco em entrevista na Playboy desse mês. Acho que agora cai a imagem de fascista do filme, a começar pelo diretor. Adorei.
- Faz um tempo que o mercado editorial brasileiro vem passando por grandes mudanças. Empresas estrangeiras praticamente dominam o mercado de best-sellers atualmente, assim como o direito de publicação de autores consagrados nacionais e gringos. Agora são as livrarias que começam a entrar no jogo. A Saraiva, por exemplo, desembolsou 60 milhões de reais pela Siciliano. Na verdade as negociações começaram ano passado e só agora foram concluídas, inclusive a transição gerencial. Vem mais coisa por aí, até com rede abrindo capital na bolsa.
- “Nessas horas, é bom ver que Dylan segue alheio ao clima que o cerca (vai ver, é justamente por isso), sobe lá, não dá um “oi” nem olha pra platéia, e manda ver suas músicas. Foi o terceiro show dele a que assisti e cheguei à conclusão que, quanto mais se assiste, mais fácil de gostar fica. Porque uma vez que você tira da frente as questões mais óbvias (a voz rouca e cada vez mais rouca, os formatos modificados das melodias clássicas - impossíveis de acompanhar, mesmo que você saiba a letra -,o fato dele sempre deixar de fora alguma das suas favoritas), uma vez que já sabe e já viu isso tudo outras vezes, passa a prestar atenção em outras coisas - na grande banda que o acompanha, na vitalidade que as músicas mantém mesmo com andamentos modificados (vide “Highway 61 Revisited”), na diversão que é estar ali (em pé, preferencialmente).” Como eu não tinha 900 reais fáceis, não pude conferir o show do Dylan. De consolo só a boa resenha/crônica do Marco Aurélio Canônico sobre o evento. Aliás, como o Marco Aurélio Canônico é bom, leve, sem afetação, nem parece os estacas-no-cu da grande mídia, ainda mais do jornalismo cultural.
- Está afim de ler sobre rock? Quarenta e cinco dicas sobre o assunto, que tal?
1 comentárioPolitics (Up dated)
Pincei dois textos lúcidos, necessários e inteligentes. O de Sérgio Dávila funciona como um guia conciso para entender a cabeça do americano (com todo o condicionamento cultural, social etc) na hora de votar. É bem interessante e demonstra como os EUA vivem um clima de transição dos seus paradigmas políticos. O outro é de Pedro Doria, um testemunho digno de nota, diria até que pela emoção como ele debulha suas idéias sobre o conflito Israel x Palestina, confessando que o tema entra em quarentena, por motivos pessoais. Seguem:
“O tom cinza nunca foi o forte dos norte-americanos. O povo daqui vê branco ou preto, sim, sim, não, não. Você toma o seu café com ou sem açúcar, dirige um carro ecologicamente correto ou um trambolhão bebedor de gasolina, gosta de filme de ação ou cinema “de arte”. Os cruzamentos são exceção. Em cinco minutos de conversa numa festa, o cantador já sabe se vale a pena levar a cantada adiante. Um conhecido confessou certa vez que, apenas pelo código de área do telefone da pessoa, ele decidia se dava prosseguimento ao papo ou não. É esse povo que vota em republicano ou em democrata. Escrever que são dois os partidos majoritários nos EUA é ser modesto: são os dois partidos, ponto.”
“A atual política de Israel é um desastre. A promoção de uma carnificina na Palestina - sem esquecer a do Líbano - é uma tragédia humana. É também estúpido. Israel nasceu como a esperança de vida após uma das maiores tragédias da história humana. É uma esperança que o governo da coligação Kadima e Partido Trabalhista, hoje no poder, trai por incompetência, insensibilidade e a mais pura estupidez. Os facínoras estão no comando. Saudades de Yithzak Rabin. O debate está ficando difícil (…) Entre pessoas que defendem a causa palestina sempre há um jeito de os bons e velhos anti-semitas se misturarem. E raramente são condenados.”
Up Date
Dávila explica via podcast como funcionam as primárias das eleições americanas, com especial atenção à próxima votação, no Texas. Bastante didático.
Sinal dos tempos: Obama se apóia na Bíblia para justificar opinião em favor dos gays. Qual será o efeito disso?
1 comentárioAo ataque (Up dated)
60 mortos em apenas um dia. 100 mortos. É impossível defender Israel diante de tamanho descalabro, tão desmedida reação. Como exemplo de indefensável bastava a declaração imbecil do Vice-Ministro da Defesa, Matan Vilnai, dizendo que os ataques promovidos pelo Hamas contra o país na Faixa de Gaza levariam os palestinos a uma grande “shoah” (expressão que de tão judaica e por carregar tanto simbolismo, jamais deveria ser usada em vão), leia-se uma grande catástrofe, pois Israel “vai usar tudo que dispõe para se defender”. Mas isso não é legítima defesa. A desproporcionalidade de um míssel de pequeno porte e médio alcance, que causou a morte de um judeu, diante de uma incursão tão violenta, fortalece os detratores do estado israelense, essa gente ideologicamente pobre e sem alicerce histórico, que não consegue diferenciar terrorismo de genocídio, conflito reliogioso de Holocausto. São essas pessoas que agora, diante da ação mais violenta desde o início da intifada de 2000, sentem-se um tanto mais com razão. E isso é péssimo, depõe contra a legitimidade de Israel, enterra a lembrança de todos os atos falhos palestinos, a irredutibilidade suicida de Arafat em Oslo (a grande chance real de paz), porque no fim das contas, finda-se na contagem de mortos, no placar desigual. 60 x 01. E pior, tais fatos acontecendo num governo de aliança entre o Kadima e os Trabalhistas. Se igualharam ao Likud, então? Ou melhor, se igualharam ao lixo do Hamas? Foi para isso que chegaram lá?
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