Adeus Columbus

Dossiê Pelicano II

No fim de semana eu havia repercutido aqui a informação de Luis Nassif, de que o suposto dossiê manufaturado na Casa Civil, sob as narinas da ministra Dilma Roussef, teria digitais da própria oposição. Não exatamente na feitura, mas no vazamento. E eu disse que não estava de todo convencido pelos seus argumentos. A tal fonte que Veja e Folha de São Paulo esconderam debaixo de sete chaves, o Noblat divulgou. Mas como um escape. Pois é, o Nassif tinha razão. A Veja se deu mal de novo. A Folha foi a reboque. De qualquer forma, isso não exime o governo de explicar os motivos de ter em suas mãos algo que poderia, já que obviamente o documento todo não tem apenas treze páginas como divulgado por Veja e Folha, ser usado em chantagem contra a oposição. Assim o governo fica um tanto menos sujo do que a oposição, que, mais uma vez (e depois não entende o governo com índices de popularidade nas aturas), pôs os pés pelas mãos

Outro comentário que fiz, baseado em matéria do Estado de São Paulo, foi que, caso fosse verdade de que entre os operadores do suposto dossiê encontravam-se Dilma Roussef e Franklin Martins, era algo a se lamentar com especial vigor. Por que? Por serem os dois quem são, por terem lutado justamente contra tudo que a ditadura representava de pior, que era o acache, a arbitrariedade, a chantagem, e justo eles estavam, de acordo com matéria do Estadão, envolvidos numa coisa tão suja quanto, no caso o dossiê. É possível que agora, com a oposição enrolando-se tanto quanto o governo, o assunto esfrie por interesse de ambas as partes. Mas ainda guardo a dúvida se os dois, Dilma e Franklin, seriam capazes de usar do mesmo expediente do qual foram vítimas um dia.

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Deixem Lula falar com a patuléia

Lucidez é um artigo raro no jornalismo político brasileiro… De tão cegos, não enxergam o óbvio que o Gaspari aponta. Reproduzo abaixo:

Lula conseguiu construir sua agenda e ninguém conseguirá tirá-lo do trilho. É um cestão com progresso (5,4%) e aumento do consumo das famílias (13,4%). Há mais carne no prato e menos mês no fim do salário.

Nosso Guia impôs sua agenda falando diretamente à patuléia. É injusto querer limitar seus movimentos. Em 2002, quando FFHH recebeu seu 18º título de doutor honoris causa na Universidade de Oxford, vivia sua campanha, no mundo encantado que tanto aprecia. Pulando de palanque em palanque e torturando a gramática, Lula faz campanha em outro mundo, o de seus encantos.

Assim como a estabilidade da moeda saiu da agenda de FFHH , impondo-se a Lula e ao PT, o cestão de Nosso Guia haverá de demarcar os rumos da política brasileira por um bom tempo. Seria aquilo que o governador Aécio Neves chama de “Pós-Lula”.

O “Pós-Lula” já começou. É um quadro no qual não adianta xingar os programas sociais. O coração dessas iniciativas, como a leis trabalhistas de Getúlio Vargas, o fundo de garantia de Castello Branco, o Funrural de Emílio Médici, tornaram-se parte da sociedade brasileira. Podem mudar, mas não acabam. Pelo contrário, acabará quem propuser que acabem.

No bojo desse êxito está o desafio do “Pós-Lula”. Já não há cartões para distribuir ao andar de baixo. O baú da transferência de renda esvaziou-se, ajudando a criar um Brasil diferente. Não se trata mais de pensar na família que está na miséria, mas de milhões de pessoas que saíram dela, ou que viajaram no “elevador social”.

Coisas que hoje parecem idéias de jerico poderão entrar na agenda. Por exemplo: a universalização de um plano de saúde básico. É desnecessário lembrar que esse é um dos principais assuntos da campanha eleitoral americana. Seria necessário misturar o SUS com as operadoras de serviços privados. Coisa dificílima, mas, quando se trata de tungar a Viúva, é matéria fácil. Até hoje ela não conseguiu receber regularmente o dinheiro que gasta com o atendimento, na rede pública, de segurados de empresas privadas.

Por que São Paulo, como Nova York, Londres e Paris, têm bilhete único de transporte público, e o Rio de Janeiro não tem? Teria, segundo o governador Sérgio Cabral, no final deste ano, mas a promessa ficou para maio de 2009 e há um forte cheiro de empulhação no palavrório disponível. Por que o programa de regularização de lotes urbanos só é um êxito em Manaus?

No “Pós-Lula” será necessário mudar a qualidade da discussão de assuntos desse tipo. Em geral, os burocratas sacralizam um obstáculo e esterilizam as propostas. Assim, o ressarcimento do SUS não anda porque as operadoras vão à Justiça. Lorota. O jogo virará no dia em que o ministro da Saúde mostrar ao país o caso de um magano que paga ao plano de saúde e, tendo batido com o carro, foi para um pronto-socorro onde seu tratamento custou uma fortuna, mas o SUS levou um beiço. No dia em que governadores e prefeitos botarem a boca no mundo, virarão o jogo dos transportes públicos em todas as cidades dominadas por cartéis semelhantes ao do Rio de Janeiro.

Na área da educação e da segurança pública, há dezenas de temas semelhantes. Cada um terá sua trava, mas nenhuma dessas travas resiste à exposição pública. Talvez a principal novidade do “Pós-Lula” seja que a patuléia veio para ficar.

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Revolução no andar de baixo

A oposição ao governo Lula tem dois caminhos: ou parte para um projeto pós-Lula e não anti-Lula, apresentando em 2010 um plano de governo e poder que assumam o que é fato (a manutenção da política econômica e a ampliação dos programas sociais estão mudando o país) e ampliem o que é bom para o povo, seguindo a tese de Aécio Neves - vejam bem, a tese, não necessariamente a candidatura -, ou saltita no bate boca sem fim e na incapacidade de dialogar com a sociedade. A sociedade que sente na mesa e na casa que algo está mudando e para melhor. Sob o risco de conseguir dois dedos de prosa apenas com a classe média espremida entre impostos e arrocho salarial. Um terceiro caminho, que parece medo de assumir o óbvio, é achar que é tudo sorte do presidente. Já a imprensa, seria tão bom que refletisse sobre o modo ridículo como vem fazendo a cobertura política (dividindo-se entre “reinaldazevedianos” e “paulenricamorinianos”)… Afinal, fato é fato, não se desarma com falsos argumentos. Que o diga o Gaspari, em sua coluna de hoje, na Folha de SP, que reproduzo abaixo.

O Boston Consulting Group apresentou uma idéia à praça: há 1 bilhão de novos consumidores prontos para serem atendidos pela economia mundial. A maior parte desse mercado está na China, na Índia e no Brasil. Ele começa logo acima da linha da pobreza e acaba no início da classe média. São pessoas que estão fora do radar de muitas companhias e deverão provocar mudanças na economia mundial. Pode-se arriscar que sejam semelhantes às que ocorreram na Europa nas duas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra.

No Brasil, esse mercado tem 120 milhões de fregueses, com renda familiar inferior a R$ 1.200 mensais. Eles produzem perto de um terço da renda nacional e ficam com metade do consumo, cerca de R$ 200 bilhões anuais. Uma família típica gasta 78% do que recebe em casa, comida, transporte, saúde e telefone. Sobram 22% para ir às compras. No topo do grupo, o excedente chega a 50% da renda. É um dinheiro que começa a mudar o perfil da produção nacional. De cada 10 brasileiros que fazem parte desse mercado, 6 trabalham na informalidade e 8 recebem seus pagamentos em dinheiro. Mesmo assim, gastam R$ 28 bilhões por ano com prestações e 1 em cada 2 acredita que poupará mais no ano que vem.

Esses brasileiros estão um pouco melhor que os europeus do início da segunda metade do século passado. Como as coisas por lá foram de bom a melhor, aconteceram situações incríveis. Em 1950, na Alemanha, venderam-se 900 mil pares de meias de náilon para mulheres. Quatro anos depois, as alemãs compraram 58 milhões de pares de meias. A explosão do consumo europeu levou o escritor comunista Roger Vailland a dizer que os franceses não precisavam de geladeiras, um “símbolo da mistificação” americana.

“Nova classe média”, “turma do bilhão”, “neo-emergentes” ou seja qual for o nome que se dê ao fenômeno, ele está aí para mudar muita coisa. Não é à toa que grandes empresas começaram a mergulhar na periferia das grandes cidades e que o Banco Azteca (capitais mexicanos) abriu no Recife sua primeira agência sem exigência de renda para abrir conta, nem cobrança de tarifas. Ele opera acoplado a uma loja de móveis e aparelhos domésticos.

Do ponto de vista dos negócios, quem não olhar para o andar de baixo ficará com um mico. Do ponto de vista político, seria muito simples supor que essas famílias são devotas de Nosso Guia. Podem não ser, mas foi no governo de Lula que o crédito se expandiu e sobrou mais salário no fim do mês.

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Mãe do PAC, madrasta do dossiê

O governo Lula mete tanto as mãos pelos pés, que consegue se rebaixar ao tipo escuso e partidário da cobertura política da grande mídia. Ninguém sabe quem é pior, e todos se nivelam por baixo. Dilma, que era a mãe do PAC, agora virou madrasta do dossiê e se comporta (sempre foi esse o seu defeito e o medo de Lula) de maneira pedante. O que pode ser também, prenúncio da queda. Não há quem não queira manter a altivez para disfarçar que dança à beira do abismo. É aguardar novos lances do fato que pode minar a candidatura de Dilma à sucessão de Lula, numa crise criada pelo próprio governo, que acaba alimentando a sanha oposicionista da grande imprensa. Por enquanto, o que temos é isso: Dilma descarta demissão da funcionária que comandou a montagem do dossiê/banco de dados, há quem ja aposte na morte da candidatura de Dilma, antes mesmo de nascer, tudo leva a crer que a ação foi orquestrada pelo governo e não apenas por uma funcionária, há quem também queira tirar o braço da seringa, jogando a culpa no TCU e FHC o investigado, defende Dilma, mas a gente sabe que é só para fazer a média. 

É bom lembrar que ainda cabe o tratamento de “suposto” ao dossiê, não há crime comprovado, há indícios, que convenhamos a grande imprensa não faz a mínima questão de diferenciar. O que é péssimo para o cidadão, que não sabe que conclusão tirar de nenhum dos atos, seja a farsa do governo ou a sanha da imprensa. Péssimo. A reclamação do vazamento dos gastos de FHC e da ex-primeira dama Ruth Cardoso foi feita pelo governo, é tão de baixo nível quanto a divulgação desordenada que a imprensa faz, sem discriminar o que é pode ou não ser crime. O governo pisa na bola, e a imprensa entra de canela. Não há inocentes nesse jogo, novamente a lama dá no meio da canela. Até agora ninguém provou que houve chantagem contra a oposição, trouxeram à tona o que chamam de dossiê mas não lhe deram uma finalidade e o governo, inábil como sempre no trato das crises, ou se comporta como se nada estivesse acontecendo, ou é agressivo como Dilma. O jogo é sujo e niguém sabe quem é mais cabeça de bagre.

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Da água para o vinho

Uma coisa, como se não bastasse o escândalo do suposto dossiê dos gastos com cartões cosporativos e contas tipo b do governo FHC, é realmente estarrecedora: os personagens envolvidos na tal montagem, seja de dossiê ou banco de dados; obviamente, ninguém é criança de achar o objetivo desse trabalho era beneficente. De acordo com matéria d’O Estado de São Paulo, entre os envolvidos, além de funcionários de médio e pequeno porte da Casa Civil e outros Ministérios, estão Dilma Roussef e Franklin Martins.

Então, por que o destaque desses dois nomes? Ora, como se sabe, dossiê, espionagem e chantagem é coisa de regime arbitrário, de exceção, ditadura. E são Dilma e Franklin talvez os últimos com destaque no governo, com exceção do presidente que esteve preso durante o regime militar, as figuras emblemáticas que lutaram justamente contra a arbitrariedade, a repressão, a chantagem, a criação de dossiês que a ditadura representava. E o que fazem agora? A mesma coisa da qual foram vítima, mesmo que indiretamente.

Cabem, para mim, indagações que vão além do plano político, chegam ao humano: por quê? O que acontece com alguém que no exercício de manutenção do poder conseguido a duras penas, deixa-se sucumbir pela tentação autoritária contra a qual já lutou? Que pragmatismo é esse que faz alguém largar os princípios que o fizeram enfrentar tortura, prisão e desterro para agora fazer parte de um jogo sujo que diz respeito a projeto de poder e não de governo?

Claro que Terêncio tinha razão e concordo com ele, nada do que é humano me surpreende, mas não deixa de plantar essas dúvidas terríveis que dizem respeito a caráter, personalidade, a força que o poder exerce sobre os humanos, a ponto de, para manter-se no poder, alguém ser capaz de ir contra tudo que lutou e fazer uso das mesmas práticas. Lastimável.

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Ética, PT, Dilma e dossiê

É incível como o governo Lula consegue se auto-detonar. Basta uma recapitulação mínima para ver que desde Waldomiro Diniz, passando por José Dirceu e Antonio Palocci, o governo foi perdendo um a um dos personagens do seu núcleo duro por causa de escândalos nascidos dentro dos gabinetes e alguns, como no caso de Antonio Palocci, vazados para a imprensa por descontrole de ação, como a notícia da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Caídos os fortes, Dilma Roussef, que é dessas pessoas que a aparência superficial confirma o que dizem os que a conhecem, é insuportável e grosseira no trato, passou a ser a gerente do governo, articuladora do PAC, idéia de Lula para a campanha de 2010.

E o que acontece? A ministra deixa - veja bem, estamos contando com a sua inocência - que produzam um dossiê debaixo de suas narinas, com gastos de cartões corporativos e contas tipo b do governo FHC, não para ser, como disse a Veja sem mostrar os personagens ativo e passivo do delito, instrumento de chantagem contra a oposição. Novamente um escândalo saindo de um gabinete oficial, criado por gente graúda da máquina estatal. Não, não é nenhum complô das elites, pois as elites estão mais do que satisfeitas com o governo Lula, vide os lucros dos bancos e a operação da BrOI.

Obviamente iremos ouvir as mesmas ladainhas e cantilenas, de que o governo de nada sabia, criando um clima de impunidade do qual o PT foi crítico feroz a vida inteira. Talvez, e por costume, a questão ética preocupe menos o presidente, afinal, nunca houve ministro forte em seu governo que não estivesse passível de queda quando não servisse mais aos seus interesses, sem contar seus níveis de aprovação e confiança da população no governo, nas nuvens, e uma oposição tão desarticulada e sem projeto que causa dó. Mas não deixa de ser mais um prego no caixão aonde o partido enterrou o discurso de respeito às instituições públicas, desde a década de oitenta. É pena.

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Cuidado, piso escorregadio

O jornalismo político brasileiro vem sofrendo desde o início do governo Lula de uma síndrome de partidarização oposicionista lamentável. Talvez por isso não tenha compreendido até hoje como a cobertura maciçamente contrária ao governo federal não surtiu, nem surte efeito algum nos índices de aprovação do governo.

Continua portanto, e pior para o leitor/telespectador/internauta dividido nos que defendem desavergonhadamente o poder ou aqueles que perdem completamente a compostura no exercício diário de atirar pedras sem ter certeza exatamente do alvo. Finda acertando a atividade em si.

Em 13 de fevereiro eu republiquei aqui um artigo do jornalista Marcelo Coelho, da Folha de São Paulo, onde ele se dizia assustado com o que chamou de “Macarthismo das miudezas”, ou seja, a apavorante cobertura sobre a farra com os cartões coorporativos que havia àquela altura (e continua) descambado para uma caça às bruxas sem o mínimo cuidado com o bom jornalismo, diga-se checar uma informação até o fim e ouvir as partes envolvidas. O que se vê é uma “reinaldoazevedização” do jornalismo político. Péssimo. Poucos conseguem manter um meio termo sensato, ou viram Mino Carta e PH Amorim ou enveredam nas hostes de Mainardi.

Todos os grandes veículos embarcaram nessa onda, inclusive a Folha, dando voz ao histerismo do DEM e do PSDB no Congresso Nacional, que convenhamos faz oposição seguindo a cartilha do PT quando o era. A postura da grande mídia, que finda na piada de salão, pode ser contestada agora pelo próprio TCU (Tribunal de Contas da União), o mesmo órgão que liberou os dados referentes aos gastos com os cartões, redigiu através do seu presidente um documento que enumera erros imperdoáveis da impressa na sua sanha acusatória (que interessa a quem?). O documento foi publicado pelo jornalista Josias de Souza, da Folha, e os tópicos seguem abaixo:

- A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi acusada de ter utilizado o cartão corporativo para adquirir roupa de cama. Despesa regular e necessária, atestaram os técnicos da CGU. Os panos forraram as camas utilizadas por servidores da agência que realizam a fiscalização sanitária no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. São plantonistas, obrigados a pernoitar no batente.

- A Polícia Federal escalou o noticiário por ter sacado o cartão numa clínica de estética chamada By Kimberly. Eis o detalhe que a reportagem não relatou: a despesa decorre de pagamento de um revólver, devolvido à PF nos termos do Programa Nacional de Desarmamento;

- Denunciou-se que o cartão do Ministério da Agricultura despejara verbas públicas numa agência de matrimônio. Os técnicos da CGU foram atrás. Descobriram o seguinte: pagou-se, na verdade, a manutenção de veículo do ministério numa oficina mecânica. Por equívoco da Receita Federal, a oficina fora classificada no Cadastro de Pessoas Físicas como intermediária de casamentos. Alertado, o fisco promoveu a correção.

- Acusou-se o comando da Marinha de sacar o cartão para adquirir um bichinho de pelúcia. Era lorota. Comprou-se, na verdade, um pedaço de veludo. A loja trazia o vocábulo “pelúcia” na logomarca. Mas o pano foi usado para forrar uma bandeja que carrega medalhas em solenidades de condecoração militar.

- Criticou-se a Marinha por ter manuseado o cartão corporativo numa casa chamada Beleza Cosméticos Ltda.. A compra destinava-se à aquisição de material de consumo para um curso de barbeiro ministrado na Escola de Fuzileiros Navais;

- Atacou-se a Marinha, de novo, por conta da aquisição de uma caixa de bombons. Os chocolates serviram para retribuir gentilezas à esposa de uma autoridade militar estrangeira que visitou instalações navais do Brasil.

- Noticiou-se o gasto de uma repartição pública numa loja que trazia o termo “joalheria” enganchado no nome. Compraram-se jóias? Não. Foram adquiridas baterias para um telefone celular.

- Informou-se que, na Universidade de Uberlândia, até motoboy dispunha de cartão de crédito. Na verdade, tratava-se de um agente administrativo que tem entre suas atribuições a realização de compras emergenciais da reitoria. Por acaso, o servidor vai às compras equilibrando-se numa motocicleta.

- A própria CGU freqüentou o noticiário por ter mandado roupas para uma lavanderia. Foram à máquina de lavar toalhas de mesa usadas num evento festivo da repartição: o Natal dos funcionários.

- Um servidor do setor de manutenção do Ministério das Comunicações ganhou notoriedade por ter mandado reparar o forro de uma mesa de sinuca. O móvel encontra-se na garagem do ministério há 16 anos, desde 1992. Traz a plaqueta de “patrimônio da União”. É usado como passatempo dos motoristas, nos horários de folga. Para a CGU, a despesa foi absolutamente legal.

- Entre as supostas irregularidades praticadas pelo ministro Altemir Gregolin (Pesca) mencionou-se um gasto de R$ 70 feito na choperia Pingüim, em Ribeirão Preto (SP). Varejando as notas da prestação de contas, a CGU verificou que o cartão pagou uma refeição do ministro. Não há no documento menção a bebida alcoólica. Perscrutando a agenda de Gregolin, verificou-se que teve compromisso oficial na cidade no dia em que comeu na choperia mais famosa de Ribeirão.

Nem todas as miudezas escaparam à glosa da CGU. O próprio ministro da Pesca viu-se constrangido a devolver às arcas da Viúva R$ 538 -R$ 512 de um almoço que pagou, sem amparo legal, a uma delegação de autoridades chinesas e R$ 26 de uma outra refeição na qual dividiu a mesa com um acompanhante.

Também o custeio da tapioca do ministro Orlando Silva (Esportes) não pôde ser encaixado na lei. Como as suspeitas estenderam-se dos R$ 8,30 a gastos mais robustos, feitos em restaurantes e hotéis, o ministro optou pos restituir ao Tesouro os R$ 30,8 mil que gastara entre 2006 e 2007. Aguarda a conclusão de auditoria da CGU, para saber se terá direito a algum troco.

Ou seja, é bom tomar cuidado ao ler e ver jornais. O piso está cada vez mais escorregadio para o leitor…

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