Adeus Columbus

Iraque, o atoleiro

“Criou-se no Iraque um tal redemoinho de tensões que hoje fica muito difícil de sair de lá”

“A saída das tropas pode levar a uma guerra civil de grandes proporções”

Luiz Felipe de Aencastro tece comentários sobre os cinco anos da Guerra do Iraque. A guerra que desmoralizou os EUA. Por outro lado, penso que retirar as tropas agora e de vez, seria um erro tão grande quanto foi invadir o Iraque. Não faz sentido abandonar os iraquianos a própria sorte. E esse sempre foi o problema dos países do norte: invadem, saqueiam e viram as costas. A conta é descontada anos depois. Como aconteceu no Afeganistão pós vitória dos talibãs contra a URSS. Armaram e deram apoio até os dentes e quando os soviéticos estavam derrotados, o que os EUA fizeram? Foram embora. Abriram uma lacuna, um vácuo que foi preenchido pelo fundamentalismo. A vingança pela falta de apoio de infra-estrutura e ordem, veio anos depois. Era o 11 de setembro. Os EUA devem sim continuar lá até que toda a situação esteja normalizada, sob o risco de isso desaguar anos mais tarde na cabeça dos americanos novamente. Só uma coisa consegue reparar o erro americano: choque de educação. Dotar o Iraque de escolas e estrutura.

Ainda sobre o Iraque, a jornalista espanhola Angeles Espinosa fez um relato como poucos da situação de caos e desesperança que tomou conta da vida dos iraquianos.

“Cerca de 30 mil famílias de refugiados e 6 mil deslocados internos regressaram no ano passado a seus lares, segundo fontes do governo iraquiano que a ONU não tem condições de confirmar por falta de pessoal em campo. Enquanto isso, uma média de 60 mil iraquianos continuam abandonando o país a cada mês. Os que voltam o fazem para bairros ou áreas que se tornaram homogêneas quanto à composição étnica ou religiosa dos habitantes.”

“Para os iraquianos é incompreensível que as infra-estruturas não tenham melhorado em cinco anos: 70% da população continuam sem água potável e 80% não têm esgoto. Em Bagdá o fornecimento elétrico é tão variável quanto imprevisível, contra as 12 horas diárias -com cortes programados semanalmente- que eram a norma nos tempos de Saddam. Nem sequer a produção de petróleo conseguiu superar os níveis anteriores à invasão (em torno de 2,4 milhões de barris diários), em parte devido aos ataques às instalações que só agora voltam a produzir.”

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Não é (só) o que parece

“Ele não se complicou por ter usado os serviços caríssimos de uma prostituta e com isso ferido os “valores de família” protestantes, etc. Ele estava sendo investigado pelo uso irregular de verbas públicas. Descobriu-se então que havia usado nome falso para pagar pelos serviços, o que incluía o transporte da moça, cognome Kristen, de um estado para outro, tipificado como crime nos EUA. À denúncia do New York Times só houve um meio de o governador reagir: assumir o erro, pedir desculpas e se afastar do cargo para se defender das acusações.”

Daniel Piza lança uma luz sobre o que aparentemente (por causa de uma cobertura falha da imprensa brasileira houve essa impressão) era apenas mais um escândalo sexual na política norte-americana.

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VIP

“Kristen, the high-priced prostitute described in a federal affidavit as having a Feb. 13 rendezvous with Mr. Spitzer at the Mayflower Hotel in Washington,has spent the last few days in her ninth-floor rental in an upscale apartment building in the Flatiron district.”

Sério, por mais que pareça divertido, eu acho trágico o modo doentio e sádico como os americanos lidam com a sexualidade alheia, principalmente quando se trata de autoridades públicas. O pobre do governador do Estado de Nova York está passando por maus bocados por causa de uma prostituta de luxo (não esquecer que a denunciante foi uma cafetina brasileira). Dia desses foi a vez de McCain, o candidato republicano a presidência do país, ter que desmentir um rolo fora do casamento. Além de Clinton, claro, o mais emblemático de todos (ou teria sido Kennedy com Monroe?). Isso me lembra Roth escrevendo (mais ou menos assim, pelo que me lembro): “Sonhei com a Casa Branca. No sonho aquele prédio impoluto estava enrolado num imenso lençol branco, onde com letras garrafais vermelhas era possível ler: Aqui mora um humano”. É mais ou menos isso. Humanos, como todos aqueles que agora cercam, olham, espreitam um novo escândalo. Vá entender essa mistura de devassidão e puritanismo saturado…

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Obamania

Eu quero votar em Obama =X

Sério.

Quem foi que disse “me dê um hino e uma bandeira e eu faço uma revolução”?

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Links

- Um livro do Junichiro Tanizaki, o maior e melhor romancista da literatura japonesa moderna, eu guardo com especial afeição. É Há Quem Prefira Urtigas, editado no Brasil pela Companhia das Letras. Muito pelos relatos detalhados dos teatros de bonecos japoneses, do ritual que existia (acredito que com mais riquefifes antigamente) no ato de assistir as peças, e como aquilo resumia muita coisa da cultura japonesa, já que incluía preceitos morais, música, tradições orais e religiosas. Um primor. Agora vou poder assistir um desses espetáculos pessoalmente, o Yukiza, um das principais modalidades dessa arte dramática, que fará apresentação em São Paulo.

- Norman Mailer, segundo Gore Vidal, seu maior algoz, descuidou-se do grande jornalista que era e tornou-se um romancista horroroso. Concordo, pelo menos baseado nos romances dele que li. Mas era um bom pensador, provocava, às vezes com classe, noutras com golpes abaixo da cintura. Uma voz americana para ser ouvida, sempre. Mesmo depois de morto. Por isso vale a pena comprar o livro O Grande Vazio, lançado recentemente, onde em diálogos com o filho, Mailer disseca do pôquer aos grandes dilemas da América, como o dualismo político, a saturação dos costumes e por aí vai.

- Courtney Love quando perde a classe fica hilária. Escrevendo sobre o Foo Fighters então… Aliás, sobre o que escreveram sobre o FF. Total hate!

- Da série de shows do Wilco em Chicago (meu nome é inveja) um deles já pode ser baixado. Faça isso. Vale muito a pena.

- Isso é surreal. Eu teria um surto a cada dez minutos vivendo assim. E você?

- E aí, tio, me paga uma tapioca com seu cartão corporativo?

- E as múmias do Mosteiro da Luz, hein? Tem palpite para todos os gostos. Eu fico com o desejo, descoberto agora debaixo de sete palmos.

- Boas notícias do mundo pop chegando do Nordeste. Por partes, como Jack. O Abril Pro Rock que já tinha confirmado New York Dolls, Helloween e Gamma Ray na programação da edição 2008, agora anuncia a quase lenda Júpiter Maçã. Ou seja: imperdível e antológico. O Hugo Morais, lá de Natal (RN) fez uma apresentação bacana sobre o Júpiter para quem precisa conhecer um pouco mais da banda.

- Confirmado: vai rolar a primeira edição do Festival NE Indie, simultaneamente nalgumas cidades da região. Faz um tempo que a cena do Nordeste vem se organizando e acho que um festival assim dá um pouco de idéia de como é possível se mobilizar fora do mainstream usando ferramentas alternativas de divulgação. Aliás, tem até coletânea do evento todo disponível para download. Dicas por minha conta e risco: Barbiekill, Sweet Fanny Adams, George Belasco e o Cão Andaluz, The Dead Superstars e The Sinks.

- Eu acho que zoação tem limites. E o meu limite é bem elástico em relação a humor negro, escatologia etc. Gosto de Jackass, sou fã de Steve-O e Wildboyz, acho Bull Fighting demais para o meu laquê. Passado o nariz de cera, vamos ao principal: eu sempre curti o Bonde do Rolê (apesar de achar o hype deles na gringa desmedido) a tiração de onda de branquelos indies e bem nascidos fodendo o funk carioca com riffs de rock etc. Mas para tudo há um limite. O meu em relação a banda aconteceu na seletiva que escolheu as duas novas vocalistas. Passou muito do meu aceitável. Não gostaria de ver isso num palco. Por isso leia-se alguém enfiar um bife no rabo. Na boa? Atitude zero. GG Allin fazia isso muito melhor.

- É bom ficar de olho nos debates entre Hillary e Obama. Como diz o JM Salles, “a eleição americana é tão importante que todo o resto do mundo deveria votar”.

- Na Rússia também tem eleições. E uma análise estupenda sobre a Era Putin.

- Para encerrar o assunto eleições, eu votaria com muito prazer em Soninha. Se houvesse como transferir meu título de Natal/RN para cá, São Paulo, o faria amanhã ainda.

- Persépolis. Não esqueça esse nome. Compre o livro. Leia a resenha.

- Música, até dizer basta. Que eu cansei de escrever. By Matias.

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Os EUA e o mundo

“Me parece óbvio que os EUA não podem lutar sozinhos por todas as questões de interesse do Ocidente. Assim, duas conclusões são possíveis. Uma é que não há qualquer interesse ocidental na região, aí não lutamos. Outra: há interesses do Ocidente, então temos que lutar. Quer dizer, precisamos de mais tropas da OTAN no Afeganistão. A esta altura, no ano que vem, teremos um novo governo nos EUA. É aí que descobriremos se o governo Bush era a causa ou o álibi dos desentendimentos entre Europa e EUA. Hoje, muitos europeus se escondem atrás da impopularidade de Bush. E seu governo realmente cometeu muitos erros no início.”

Kissinger, o Golbery americano (para trocar em miúdos) elevado à décima potência, fala.

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