Adeus Columbus

Reclamamos ao bispo?

“A nova CSSL (Contribuição Social para a Saúde do Lula), em pauta hoje na Câmara dos Deputados, não é só um estupro tributário, que se acumula com os impostos aumentados para compensar a antiga CPMF.

É também um estupro constitucional. Leiam trechos de artigo do advogado Paulo André Simões, publicado no portal Jus Navigandi:

“O artigo 154, inciso I, combinado com o artigo 195, parágrafo quarto, ambos da Constituição de 88, possibilitam a criação de tributo, para fins de custeio da seguridade social, aí incluída a saúde, desde que a sua criação ocorra por Lei Complementar, seja não-cumulativo e não tenha fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição.””

E aí, a gente vai ficar parado e reclamando como sempre? O Fiúza tem razão.

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Como eu estava dizendo…

… a correria está medonha. Por isso resolvi atualizar com um monte de coisas de uma só vez, assim tem o que ver até o fim de semana. Gostas?

- Hoje me deu vontade de tomar banho de psina. Isso mesmo: psina. Coisa que eu não faço a menor idéia do que se trata, mas fiquei curioso depois que a Nivea Stelman, que está em Bali, contou que estava curtindo “uma psininha natural por lá”. (A Hermman levantou essa lebre)

- “Por que gostamos de novela? Porque fomos criados com elas, ora! Resposta fácil, claro. Mas como deixar de fora essa explicação, se elas já existiam quando eu nasci? O problema é que essa explicação é simples demais. Estava particularmente interessado nisso porque, enquanto estava fora (não era longe – Buenos Aires – mas mesmo assim, estava ligado) vi na internet notícias “alarmantes” de que “A favorita” havia estreado com uma das piores médias de audiência para aquele horário.”

Zeca Camargo faz um relato interessante sobre novelas, audiência e coisa e tal.

- Sabia que em São Paulo vai acontecer o primeiro Campeonato Brasileiro de Arremesso de Celular? É o exorcismo da modernidade…

- “Comigo esse lance do samba só aconteceu muito no começo. Nas primeiras críticas, rapidíssimo se dissipou. Eu gosto muito de samba, mas meu trabalho não é de samba. E o Brasil tem isso, de sempre querer grandes intérpretes exatamente porque já as tivemos no passado. Não me considero uma. [risos] Nunca quis isso, não é minha paixão esse lance de diva, essa coisa visceral. Minha relação é mais com a música, sinto-me mais uma musicista. Claro, acabei caindo na coisa das novas cantoras. Não me incomodo, muitos talentos vieram dessa geração. Fico feliz.”

Uma entrevista bacana da Céu ao Paulo Terron.

- Radiohead fazendo cover do Portishead? Só assim para eu gostar alguma coisa do Third, o último disco da trupe de Beth Gibbons. Achei o disco (e comentei aqui até) datado, estranho, confuso. Talvez meu erro foi esperar ser surpreendido como fui anos atrás pelo Dummy. Será?

- O Galera avisou que Leonard Cohen estava de volta aos palcos e fazendo turnê depois de 15 anos. Procurando é fácil de encontrar registros dessa magistral e necessária volta. Cohen é deus. Cohen vem ao Brasil, segundo dizem… Eu não vou perder o show do Cohen.

- “Sobretudo nas horas do crespúsculo, que sempre haviam sido as minhas preferidas, eu era acometido por uma angústia a princípio difusa, depois cada vez mais densa, em virtude da qual o belo espetáculo das cores empalideciam e transformava em uma lividez maligna e sem luz, o coração no peito se comprimia até um quarto do seu tamanho natural, e na cabeça só me restava um pensamento: preciso subir ao patamar do terceiro piso de uma certa casa na Great Portland Street, onde alguns anos atrás tive um estranho impulso depois de uma consulta médica, e me jogar da balustrada nas profundezas escuras do poço da escada”

O Laub conta que Austerlitz é o lançamento literário do ano no Brasil. Será?

- “O site FilmeB publica hoje texto e gráfico sobre o Atlas 2008 do cinema mundial, lançado pela revista francesa “Cahiers du Cinéma”, que congrega números sobre o público de filmes em 34 países. Embora os dados sobre a China não sejam completos, é possível concluir que, assim como na economia, o país é a grande estrela em ascensão do cinema mundial. O mercado chinês dobra de tamanho a cada três anos. Em 2007, a renda cresceu 26%, foram construídos 492 novas salas, e o “market share” dos filmes locais chegou a 54,1% (conseguido com forte controle sobre a entrada de produtos estrangeiros).”

A China está com tudo…

-“I love people who make me laugh. I honestly think it’s the thing I like most, to laugh. It cures a multitude of ills. It’s probably the most important thing in a person.”

Audrey Hepburn

- “Para Scliar, o diálogo é apenas um recurso para preencher espaço em uma história. “Quando me deparo com um livro, busco descobrir a quantidade de diálogos que estão ali. Se forem muitos, não acredito que seja um bom livro.”

Polêmica na literatura nacional. Às vezes concordo com ele, outras não… Imagine um livro todo feito com diálogos (hahaha)

- “Observação importante para que o suspense de thriller fique completo: as mesas mais concorridas, como vimos em outros anos, costumam se esgotar em poucos minutos. Nessa situação, cada ligação telefônica que cai é acompanhada de acordes funestos, cada segundo de espera na porta de um servidor superlotado cai como grão de areia na ampulheta do Juízo Final…”

A confusão por ingressos da Flip continua como todos os anos: péssima. Ano passado não tive que passar por isso, mas imagina esse ano querendo justo as mesas mais concorridas… 2009 vem aí.

- “A África Subsaariana vem crescendo 6% ao ano desde 2004 – lideram os países produtores de petróleo e minerais. Não é pouco para um continente considerado perdido até há bem pouco tempo. Este crescimento, com apoio chinês, tem se traduzido em nítida melhoria da infra-estrutura: estradas, eletricidade – e, com elas, hotéis, postos de gasolina, serviços. Negócios. Neste sentido, a China é uma boa influência que traz, para o continente, algo que o imperialismo e o pós-imperialismo ocidental não trouxeram. Mas há um problema, aí, comum a todo o planeta mas particularmente grave no caso africano. Um bom naco do dinheiro que entra, sai de imediato. Há algo como 500 bilhões de dólares fruto da corrupção governamental em bancos do ocidente. É um dinheiro que, se repatriado, pagava a gigantesca dívida externa.”

A África é o novo hype da economia? Quem diria…

- “Nada que esteja acontecendo no planeta, neste exato momento, é mais grave do ponto de vista humanitário do que o Sudão. Mesmo se incluirmos na lista as conseqüências dos atos da ditadura de Myanmar, que nega ajuda aos próprios cidadãos após um desastre natural. Mesmo que incluamos o Iraque ou qualquer outro episódio do Oriente Médio. No entanto, já faz cinco anos, o que se passa é uma certa reação blasé. ‘Horrível aquilo no Sudão, não é?’ E daí para outro assunto. Por que a esquerda não se esgoela e põe o Sudão no topo de sua lista de prioridades? Cruze os blogs ou revistas de esquerda no mundo e os assuntos são vários, as vítimas do imperialismo muitas, mas para as três milhões de vítimas do governo sudanês não sobra muita compaixão.”

O Doria faz um dos mais importantes alertas de política internacional dos últimos anos. E aí, vamos permanecer indignados no sofá?

- Já viram a capa da Rolling Stone de junho?

Ainda bem que esse mês eu tenho matéria na Playboy… =P

- Em ano de eleições municipais, não seria legal que os candidatos lessem a entrevista de Enrique Peñalosa ao Ny Times, o cara que deu um jeito em Bogotá?

- Hum… acho que por 199 dólares vai dar pra comprar daqui uns dias um iPhone.

- Até a Enciclopédia Britânica entrou na onda da web. Vai ser quase o mesmo esquema da Wikipedia. Bom, né?

- Pantanal, a novela, já foi o paraíso dos punheteiros imberbes. Na era da internet, será que ainda existem esses tipos?

- Caetano Veloso agora tem blog. Mas ele não escreve. Claro, tinha que ser Caetano: tem blog e não escreve. Ao invés disso ele filma trechos da Obra em Progresso, os shows e ensaios abertos que tem realizado enquanto compõe o próximo disco. Fodaço, como sempre.

- “O que digo ali é que gosto mais de preto do que de mulher, o que não quer dizer que não goste de mulher. O que está aparecendo é o tema. A causa do negro me interessa mais do que a da mulher. Evidentemente, (isso foi dito) com uma conotação maliciosa, que fica parecendo que gosto mais de homem preto do que de mulher. Não disse isso, mas sei que eu sou um pouco assim…”

Ainda Caetano

- “Eu tinha o compacto de ‘Surfin’ Bird’ e, na primeira parte eu ficava girando, ficava tonto, no meio eu me atirava no chão, olhando o teto rodar e escutava a música meio enrolada. E levantava correndo pra colocar de novo. Fazia isso a tarde inteira, às vezes”

Miranda é rei. Sim, o tiozinho grisalho do Astros (ex-ídolos, SBT). E o Tiago, amigo da comuna da Bizz no Orkut e parceiro de Orkontro, fez um bom trabalho sobre o velhinho.

Foi bom pra você?

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Economia para iniciantes

Gustavo Franco mostra que não basta saber, tem que saber passar. Troca tudo em miúdos, hoje na Folha de SP. Sacaê:

“Não são muitos os que sabem explicar exatamente o que é o “grau de investimento”, a grande notícia desta semana. Mas a idéia geral é simples, como as certificações de qualidade, começando por ISO e seguidas por um número, geralmente aplicadas para produtos industriais. É claro que um consumidor indefeso, diante de um ferro de passar roupa ISO 9.000, pode ficar impressionado com o selo, mas vai ficar indeciso diante de outro produto com um selo ISO 8.000, de outra cor e mais caro.

Quando se trata da certificação da qualidade do crédito de um país, ou mais precisamente do risco soberano, o que se pode dizer de forma muito simples sobre as escalas é que, como as notas no colégio, vão de zero a dez, em intervalos de meio ponto. E, também como no ginásio, as notas iguais ou maiores que cinco são designadas como “grau de investimento”. Para duas das três principais agências certificadoras ou classificadoras de crédito no mundo, o Brasil é nota cinco. Para a terceira, a Moody’s, estamos ainda com um esforçado quatro e meio.

Há muito significado na nota cinco, que é a mínima exigida em muitos estatutos de investidores institucionais, de modo que ganhar um cinco é semelhante a passar de ano, motivo de festa para um país que esteve em estado crônico de reprovação há décadas. Todavia, o alívio deve ser comedido, pois, na realidade, o menino passou raspando, e a nota não é boa e está muito abaixo do potencial de aprendizado da criança. Por isso mesmo os pais não devem pensar que a vida ficou mais fácil, pelo contrário. Ao passar de ano, o menino vai ver matéria nova, bem mais difícil. O grau de exigência ficou maior, como bem sabe o América de Natal, que, no ano retrasado, ganhou com méritos o direito de jogar na primeira divisão do futebol brasileiro, mas teve dificuldade em se equilibrar na nova condição.

A lição do América de Natal, hoje rebaixado, deve ser muito útil para o ministro da Fazenda e para o governo em geral, que devem investir nos atributos que são próprios dos clubes grandes, e que as agências elogiaram, e não nos conceitos e idéias que as agências criticaram abertamente, como esse keynesianismo paraguaio que às vezes assoma o governo quando se trata de despesa e, mais especificamente, como algumas piruetas como o Fundo Soberano e a nova CPMF. A melhor coisa do “grau de investimento” é deixar claro que idéias alternativas e esotéricas no domínio da política econômica ficaram para trás e não cabem mais na nossa classificação de crédito. Mais um prego no caixão das heterodoxias.”

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Economics

“Segundo o plano do Tesouro, o Fed “teria a responsabilidade e a autoridade de reunir informações apropriadas, quebrar sigilo de informações, colaborar com outros regulamentadores na formulação de regras e tomar ações corretivas quando necessário para garantir a estabilidade de todo o mercado financeiro.”

“Recentemente, o Fed ampliou o uso de sua linha emergencial de financiamento, conhecida como redesconto, abrindo-a para os bancos de investimento. O Fed também interveio para resgatar e propor a aquisição do banco de investimento Bear Stearns pelo banco comercial JP Morgan ao concordar em financiar US$ 29 bilhões dos ativos do Bear Stearns.”

“A reforma proposta por Paulson, se aprovada pelo Congresso americano, será a maior no sistema de regulamentação financeira do país desde a Grande Depressão, iniciada com a forte queda da Bolsa de Nova York em 1929.”

É… Não tem essa de capitalismo livre. Na hora do arrocho, todo mundo corre pro Estado. Tem que regular sim. 

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Revolução no andar de baixo

A oposição ao governo Lula tem dois caminhos: ou parte para um projeto pós-Lula e não anti-Lula, apresentando em 2010 um plano de governo e poder que assumam o que é fato (a manutenção da política econômica e a ampliação dos programas sociais estão mudando o país) e ampliem o que é bom para o povo, seguindo a tese de Aécio Neves - vejam bem, a tese, não necessariamente a candidatura -, ou saltita no bate boca sem fim e na incapacidade de dialogar com a sociedade. A sociedade que sente na mesa e na casa que algo está mudando e para melhor. Sob o risco de conseguir dois dedos de prosa apenas com a classe média espremida entre impostos e arrocho salarial. Um terceiro caminho, que parece medo de assumir o óbvio, é achar que é tudo sorte do presidente. Já a imprensa, seria tão bom que refletisse sobre o modo ridículo como vem fazendo a cobertura política (dividindo-se entre “reinaldazevedianos” e “paulenricamorinianos”)… Afinal, fato é fato, não se desarma com falsos argumentos. Que o diga o Gaspari, em sua coluna de hoje, na Folha de SP, que reproduzo abaixo.

O Boston Consulting Group apresentou uma idéia à praça: há 1 bilhão de novos consumidores prontos para serem atendidos pela economia mundial. A maior parte desse mercado está na China, na Índia e no Brasil. Ele começa logo acima da linha da pobreza e acaba no início da classe média. São pessoas que estão fora do radar de muitas companhias e deverão provocar mudanças na economia mundial. Pode-se arriscar que sejam semelhantes às que ocorreram na Europa nas duas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra.

No Brasil, esse mercado tem 120 milhões de fregueses, com renda familiar inferior a R$ 1.200 mensais. Eles produzem perto de um terço da renda nacional e ficam com metade do consumo, cerca de R$ 200 bilhões anuais. Uma família típica gasta 78% do que recebe em casa, comida, transporte, saúde e telefone. Sobram 22% para ir às compras. No topo do grupo, o excedente chega a 50% da renda. É um dinheiro que começa a mudar o perfil da produção nacional. De cada 10 brasileiros que fazem parte desse mercado, 6 trabalham na informalidade e 8 recebem seus pagamentos em dinheiro. Mesmo assim, gastam R$ 28 bilhões por ano com prestações e 1 em cada 2 acredita que poupará mais no ano que vem.

Esses brasileiros estão um pouco melhor que os europeus do início da segunda metade do século passado. Como as coisas por lá foram de bom a melhor, aconteceram situações incríveis. Em 1950, na Alemanha, venderam-se 900 mil pares de meias de náilon para mulheres. Quatro anos depois, as alemãs compraram 58 milhões de pares de meias. A explosão do consumo europeu levou o escritor comunista Roger Vailland a dizer que os franceses não precisavam de geladeiras, um “símbolo da mistificação” americana.

“Nova classe média”, “turma do bilhão”, “neo-emergentes” ou seja qual for o nome que se dê ao fenômeno, ele está aí para mudar muita coisa. Não é à toa que grandes empresas começaram a mergulhar na periferia das grandes cidades e que o Banco Azteca (capitais mexicanos) abriu no Recife sua primeira agência sem exigência de renda para abrir conta, nem cobrança de tarifas. Ele opera acoplado a uma loja de móveis e aparelhos domésticos.

Do ponto de vista dos negócios, quem não olhar para o andar de baixo ficará com um mico. Do ponto de vista político, seria muito simples supor que essas famílias são devotas de Nosso Guia. Podem não ser, mas foi no governo de Lula que o crédito se expandiu e sobrou mais salário no fim do mês.

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