Adeus Columbus

Discos

O rearranjo pelo qual a música pop vem passando, com as novas ferramentas de divulgação e acesso como a pirataria, o download gratuito e o compartilhamento entre usuários, redefine também a relação entre público e música. Sem um “atravessador”, no caso as gravadoras, o cardápio é farto, variado; sem as lojas e com os discos “vazando” antes mesmo de chegarem às prateleiras, as informações são tantas que caso caiamos no hype não vamos degustar um disco, ouvi-lo com calma, prestar atenção em cada detalhe faixa a faixa, auscutar, afinal de contas daqui a meia hora tem um disco novo para ser baixado.

Resultado? Perde-se a expectativa, aquela espera ansiosa pelo disco da banda preferida, sobre o qual não se leu absolutamente nada a não ser declarações vagas na imprensa (era assim um dia, lembram?). Quem há de nos arrebatar? Quem há de causar os calafrios que a espera por um disco dos Smiths ou do Echo and The Bunnymen, causavam na década de oitenta? Ou o sucessor de um Definitely Maybe, do Oasis, ali pela metade dos anos noventa? Eu fico cá fuçando uma coisa ou outra, mas são poucas as que aguardo com especial atenção.

Pois esse nariz de cera todo é para apresentar dois discos que vazaram não faz dois dias, mesmo anunciados para daqui a uns dias nas melhores lojas (elas ainda existem?) e que eu esperava ansiosamente, curioso, depositando a fé e nenhum trocado, afinal o download é gratuito, cobra-se apenas o tempo em que ele sai do link para repousar numa pasta do HD, daí ouvir com calma, curioso, escarafunchando os arranjos, a mixagem, os solos, os efeitos. O primeiro é Red, do Guillemots, o segundo é Consolers of The Lonely, do Raconteurs. Agora sem mais delongas: puta que pariu! Como um disco bom me deixa feliz! E dois então… Baixa aí e ouve no talo que a massa é de primeira.

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- É realmente preocupante ouvir um Senador da República, Arthur Virgílio (PSDB-AM), um dos líderes da oposição, dizer que se uma matéria de interesse do governo não for aprovada “dane-se”. Eis a explicação simplória, crua, nua, sem arroubo nenhum de ciência política para o governo Lula, sua aprovação astronômica, a incapacidade para o diálogo que se firmou entre a imprensa política e a sociedade, a anulação completa da boa oratória e a “ritualística” dos cargos públicos, o solene desconhecimento do povo em relação a oposição. Não há oposição que propõe o oposto, há o fel esverdeado da bílis, a falta de planejamento, a irmandade siamesa com a oposição raivosa que o próprio PT exerceu um dia. Em resumo: a oposição está muito, mas muito em maus lençóis. Em outro resumo: a política brasileira idem.

- Apesar de controverso (e caricato, é verdade), o jornalista Reinaldo Azevedo é inteligente. Mas foi por ter perdido a mão nas críticas ao governo e a quem quer que discuta ou discorde do seu ponto de vista, de forma tão grosseira e mal educada, que abriu o flanco para um tiro de doze cano duplo do Nassif. Não há resposta no mundo do Tio Rei que o faça se recuperar dessa. Essa foi, como dizem lá no meu Caicó Arcaico, “na titela”.

- Um dos jornalistas que mais me dão prazer de ler suas resenhas e críticas é Luiz Fernando Vianna. Discordo de um tanto de opiniões dele em relação a muitos discos principalmente, mas gosto do modo como escreve, claro, objetivo, sem os floreios e as estacas no cu de boa parte da grande imprensa cultural dos jornalões. Enfim, isso é uma introdução para dizer que sem nunca ter visto o sujeito passei a admirá-lo ainda mais depoi da cativante (e em certa medida revoltante) história dele com seu filho Gabriel. Se tiver com tempo, vale à pena fazer o que fiz: retornei ao primeiro post e acompanhei tudo, desde o início.

- “A experiência de conviver com um membro fantasma nunca é prazerosa. Na realidade, mais de 70% dos pacientes que vivem essa ilusão sofrem de algum tipo de dor na primeira semana depois da amputação. Quase 65% das pessoas ainda experimentam dores seis meses depois da remoção cirúrgica do membro. Pior: quase 60% relatam sentir algum tipo de dor até dois anos depois da perda do membro. Uma fração ínfima dos pacientes que sofrem dores em membros fantasma consegue encontrar alívio com quaisquer das mais de 50 terapias já propostas na literatura médica.” Do blog do Miguel Nicolelis, o cientista brasileiro que (aposto) não demora e vai ganhar um Nobel de Medicina.

- Aos amigos que irão à Europa nos próximos dias, favor trazer cartazes de Andy Warhol às pampas para este que vos escreve. Custam a merreca de dez euros, cada um.

- Ano passado o filme 30 Days Of Night despertou a minha antiga paixão por filmes que zumbis. Voltei à carga com tudo, por isso curti essa lista com os 26 melhores zumbis de todos os tempos. Qual a sua lista?

- Por falar em cinema, vocês já viram o trailer de The Incredible Hulk? Bah. 2008 vai ser um puta ano para as HQs no cinema. Rememorando: Iron Man, Batman - The Dark Knight, Hulk, Watchmen (2009, mesmo?).

- Filhos. Ou filhas. E que usem roupas cool como a de Beatrix Kiddo for babies. Eu quero =)

- A Blender listou as vinte maiores cagadas da indústria fonográfica mundial. Além do processo desastroso contra o Napster (aliás, sábado tem matéria minha na Tribuna do Norte, lá de Natal/RN, falando em parte sobre isso), os oitenta milhões de dólares pagos por cinco discos do REM foram de doer mesmo.

- A programação da Virada Cultural em São Paulo contemplou uma puta fatia do cenário independente da música brasileira. Bom, né?

- Discos, discos, discos: Third, do Portishead; Sunday at Devil, de Isobel Campbell & Mark Lenegan, Moutains Battles, do Breeders e Baile Bass, do Turbo Trio. É clicar e começar a baixar.

- Tão péssimo quanto conversar no cinema, comentar o filme full time e atender celular, é levar esfirra do Habib’s para comer lá dentro, saca? Pronto, falei.

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Shots

- Eu sinto muita inveja do Stan Lee quando leio coisas como: “Fiquei sentado à mesa tentando pensar num e vi essa mosca andando pela parede e aí pensei, ‘nossa, não seria legal se um herói pudesse andar pelas paredes como um inseto?’ O maior problema quando você cria um super-herói é que superpoder você vai dar para ele. É que todos já foram imaginados. Então imaginei que alguém que grudasse nas paredes como inseto seria legal. Daí precisei de um nome. Que tal Homem Inseto? Não parecia dramático. Homem Mosquito? Nah. Fui fazendo uma lista. Quando cheguei em Homem Aranha, aquilo soava dramático. Homem Aranha!” Tem mais aqui.

Nota do Editor: via Pedro Doria.

- A Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) já tem um calendário completo de eventos para 2007. Este ano um das peças dessa nova engrenagem da música pop ganha o reforço considerável com o patrocínio oficial da Petrobras, que vai dar até 200 mil reais para alguns dos festivais. É bom que isso se converta em ações positivas e de custeio para as bandas.

- Depois dos 25 melhores posters de rock da história (post abaixo), que tal as 100 piores capas de discos?

- Pirataria rulez pra cima do Sonic Youth. Bacana.

- E aí, curte um rock eletro-britadeira? O Cavalera Conspirancy (o novo projeto dos irmãos Iggor e Max, que aliás, é a capa da nova edição da Rolling Stone brasileira) já disponibilizou através da Road Runner o primeiro single, se chama Sanctuary.

- Tem um trecho de uma música do próximo disco da Madonna que já caiu na rede também. Se cama “4 Minutes to Save the World” e é uma parceria com Justin Timberlake. Já tem até para download.

- Lembra do disco Thriller: 25th Anniversary Edition que está custando os olhos da casa? Pode ser feito download dele gratuito aqui.

- A primeira coisa que você pensa quando ouve falar de um home theater de seis milhões de dólares (!!!) é: eu quero um. Depois você pára e vê que é quase irracional. Mas continua querendo.

- Não é todo dia que a gente encontra quem goste dos poemas do soberbo Alexei Bueno. Eu diria que Alexei está, dentro da poesia brasileira, num patamar ocupado por poucos. Por poucos leia-se Bruno Tolentino, Gerardo Mello Mourão, Agripino de Paula e João Cabral de Melo Neto.

- Essa declaração quase põe a perder uma análise interessante do Kennedy Alencar sobre as eleições americanas: “Já Bill Clinton deu uma ajuda danada a FHC na crise cambial de 1999. Clinton bancou um socorro de mais de US$ 40 bilhões do FMI para evitar a quebra do Brasil em janeiro daquele ano.” Ora, como se em política fosse no mínimo sensato esperar por ajuda humanitária quando interesses econômicos estão em jogo. 1999 foi uma exceção. Tanto que ele consegue lembrar até hoje. De resto, o artigo é lúcido. 

- O Polzonoff tem razão. Spoilers definem o que é resenha mal feita e o que é crítica literária profunda. Por falar nisso estou devendo uma resenha do Mãos de Cavalo, do Daniel Galera.

- Eu sei que é difícil acreditar, mas tem quem ache no mundo que investir em jornalismo na internet é furada. Eu conheço um. Não é o caso da Spin, que agora pode ser lida na íntegra na internet. Coisa que o Times já fez ano passado.

- A entrevista que me deu mais prazer em fazer foi a do Antonio Cicero, filósofo, escritor, poeta e compositor. Culto e acessível, foi bastante gentil e sem a afetação que é típica nos filósofos, nos escritores, nos poetas e nos compositores. Pode ser lida aqui.

- A Vanity Fair desse mês é toda dedicada a Hitchcock. Luxuosa.

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