Adeus Columbus

Impressões

“Dilma tentou mostrar firmeza, mas o efeito foi o contrário: gaguejando, sem informações novas, apenas com velhas negações, ela não explicou como o dossiê saiu tão preciso e tabulado com os gastos na presidência de FHC. Lançou as hipóteses de “invasão” e “manipulação” do sistema de dados da Casa Civil, mas não respondeu como é possível que ele seja tão inseguro. E, se considera vazamento o único crime cometido no episódio, afinal as informações são todas “públicas e notórias”, por que então não divulga as de Lula? Dilma, que há mais de um ano sugeri que estava sendo testada como candidata à sucessão, José Dirceu de saias (”companheira de armas”), agora parece menos forte do que nunca.”

Tive a mesma impressão, e comentei logo abaixo assim que vi/ouvi. Ah, o texto acima é de Daniel Piza.

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Ética, PT, Dilma e dossiê

É incível como o governo Lula consegue se auto-detonar. Basta uma recapitulação mínima para ver que desde Waldomiro Diniz, passando por José Dirceu e Antonio Palocci, o governo foi perdendo um a um dos personagens do seu núcleo duro por causa de escândalos nascidos dentro dos gabinetes e alguns, como no caso de Antonio Palocci, vazados para a imprensa por descontrole de ação, como a notícia da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Caídos os fortes, Dilma Roussef, que é dessas pessoas que a aparência superficial confirma o que dizem os que a conhecem, é insuportável e grosseira no trato, passou a ser a gerente do governo, articuladora do PAC, idéia de Lula para a campanha de 2010.

E o que acontece? A ministra deixa - veja bem, estamos contando com a sua inocência - que produzam um dossiê debaixo de suas narinas, com gastos de cartões corporativos e contas tipo b do governo FHC, não para ser, como disse a Veja sem mostrar os personagens ativo e passivo do delito, instrumento de chantagem contra a oposição. Novamente um escândalo saindo de um gabinete oficial, criado por gente graúda da máquina estatal. Não, não é nenhum complô das elites, pois as elites estão mais do que satisfeitas com o governo Lula, vide os lucros dos bancos e a operação da BrOI.

Obviamente iremos ouvir as mesmas ladainhas e cantilenas, de que o governo de nada sabia, criando um clima de impunidade do qual o PT foi crítico feroz a vida inteira. Talvez, e por costume, a questão ética preocupe menos o presidente, afinal, nunca houve ministro forte em seu governo que não estivesse passível de queda quando não servisse mais aos seus interesses, sem contar seus níveis de aprovação e confiança da população no governo, nas nuvens, e uma oposição tão desarticulada e sem projeto que causa dó. Mas não deixa de ser mais um prego no caixão aonde o partido enterrou o discurso de respeito às instituições públicas, desde a década de oitenta. É pena.

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