Castrou-se: Fidel, 1959-2008
A renúncia de Fidel (que de certa maneira é também o anúncio da chegada da moça Caetana pelas bandas de Cuba) traz à tona opiniões empoeiradas, revisita paixões e alimenta outro tanto de ingenuidade que me dão uma preguiça sem fim. Sono. Prefiro o futuro. Consigo lembrar de duas coisas como palpite, não como análise, não sou capaz de tanto.
Uma é Paulo Francis dizendo (será no livro Certeza da Dúvida? Não lembro) que os meninos que foram às ruas em 68 seriam os managers do capitalismo dali a trinta anos. Deve haver dois ou três que não se acomodaram nalguma giroflex pública ou desistiram e foram ganhar dinheiro privado. Os que restaram têm todo o meu apreço. Ou seja: dito e feito, Francis estava certo. Francis continua certo, esperemos Cuba.
Agora com a ilha prestes a ser loteada pelos plutocratas (vide a antiga URSS), já posso ouvir a festa daqueles que Roberto Campos chamava de “filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”, se esbaldando no espólio del comandante e transformando suas fotos em bottons, que serão vendidos a dois contos de réis por meninos cubanos calçando Nike e de iPod no ouvido.
O sonho acabou para os Beatles, que dirá para a revolução. E por puro anacronismo, não soube se moldar à realidade selvagem do mercado, preferiu o sectarismo primitivo. Adios. E quem for a Cuba, favor não esquecer um Cohyba para este que vos escreve, ou mesmo uma camiseta com a foto de Camilo, muito mais digno que Fidel.
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