Sobre caráter
Posted by levino on março 20th, 2008 filed in C.A.O.S.Comentei algumas vezes aqui sobre meu descontentamento acerca dos rumos que o jornalismo político havia tomado no país. Lamentáveis, diga-se. Um processo de “reinaldoazevedização” assustador, onde o achincalhe vale mais que o fato, a opinião mais que a análise (eles são capazes de fazê-lo?). Nenhum dos dois lados da moeda, seja o grosseiro (mesmo que inteligentes), como Reinaldo Azevedo, ou o descaradamente governista, como Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, conseguem dialogar de forma sensata entre si, muito menos com o leitor/internauta. Preferem a arena.
A demissão de PHA do IG acirrou essa discussão, alimentada por uma platéia de stalkers virtuais. É um jogo onde a lama dá, como se diz no Nordeste, no meio da canela. Não há santos nem candura alguma nos sujeitos citados. Perde, de certa forma, o leitor/internauta, que fica na maioria das vezes preso num maniqueísmo opinativo (Mainardi x Sader, Arbex x Rossi, Azevedo x Amorim etc), por outro lado, os mesmos tratam de expor publicamente as entranhas de um jornalismo podre que há muito usa de expedientes nada honestos para manipular e servir a interesses velados, aqueles que o público médio, da família que comenta a Veja, a Folha de São Paulo e os demais grandes veículos no almoço do domingo, não faz idéia do quanto são fortes.
Sobre PHA, que se arvora guardião do bom jornalismo no país, e por tabela a atitude “solidária” de Mino Carta, uma espécie de Forrest Gump um pouco mais rspeitável do jornalismo brasileiro, pincei um comentário de Cora Ronai, esposa de Millor Fernandes, uma das melhores jornalistas do país, sensata, lúcida e inteligente. Por aí, dá para perceber com quem lidamos quando abrimos o site/jornal ou ligamos a TV.
“Nos meus 36 anos de jornalismo, Paulo Henrique Amorim foi o único chefe que encontrei que me mandou deliberadamente alterar os fatos de uma reportagem. Fiz estardalhaço, me recusei a assinar a matéria. Ele me puniu durante meses; não podia demitir, porque o JB tinha um acordo com o sindicato. Mas eu fiquei proibida de escrever, passava os dias indo aos supermercados, conferindo os custos de uma tabela de produtos, coisa que qualquer analfabeto faria sem esforço. Todo santo dia eu chegava em casa à noite e chorava, chorava; o Millôr não entendia por que eu não pedia demissão. Tinha virado ponto de honra para mim, eu não ia fazer o jogo de um canalha. Quando o acordo com o sindicato venceu, fui demitida. E fui trabalhar com teatro, porque estava enojada com jornalismo. Se não fosse o Zuenir Ventura me chamar de volta à redação quando o Paulo Henrique foi - afinal! - demitido, talvez eu nunca mais tivesse feito as pazes com a minha profissão, que amo tanto.”

Leave a Comment