Sobre a festa do Oscar

Posted by levino on fevereiro 25th, 2008 filed in Premiére

A cerimônia do Oscar 2008 não fugiu do tédio de sempre. Cheguei a comentar antes do início que a julgar pela cafonice vista nos anos anteriores e a incapacidade dos apresentadores - quase sempre comediantes ótimos em seus programas de TV, mas que não conseguem emular a mesma verve durante a entrega da estatueta - seria melhor a greve dos roteiristas ter se estendido até ontem e a festa se resumisse a premiação dos vencedores depois de lida uma lista burocrática.

O que importa são os filmes, a qualidade dos que concorreram este ano, a festa em si é dispensável, muito embora não tenha sido de todo graças a crueldade de Jon Stewart, que golpeou republicanos e democratas com graça, entre outras piadas de menor humor com os próprios concorrentes. No mais, concentremo-nos no principal: é o melhor Oscar, em termos de concorrentes, dos últimos dez anos. Sangue Negro e Onde os Fracos Não Têm Vez sozinhos já justificariam a afirmativa.

Os irmãos Coen foram recompensados por uma filmografia que apesar de irregular, quando acerta é capaz de produzir filmes estupendos, vide Onde os Fracos Não Têm Vez. Sobre o filme que levou mais estatuetas, uma coisa passou em branco, obviamente por ser um prêmio de cinema e não de literatura, mas é bom lembrar que é o que é não apenas pelo talento dos irmãos, mas sobretudo pela fidelidade com a qual adaptaram o romance No Country For Old Men, de Comarc McCarthy, um dos três melhores escritores americanos vivos.

A previsibilidade dos outros prêmios (mesmo com a relativa surpresa de ver Tilda Swinton premiada pela atuação em Conduta de Risco e Marion Cotillard por Piaf, um filme falado em francês) como Daniel Day-Lewis e Javier Bardem vencedores nas categorias de melhor ator e melhor ator coadjuvante pode tirar o brilho da festa cheia de piadas para americanos e que este ano não se rendeu ao discursos panfletários, mas confirma o que vem sendo desenhado nos últimos cinco anos: a renovação dos padrões e critérios da premiação, o diálogo que as recentes produções de jovens diretores vêm travando com o modo épico de fazer cinema entremeado pelo arejamento de produções independentes como Juno.

Os cinco filmes principais ganharão mais salas para serem exibidos agora com os prêmios fazendo propaganda por si só, mas independente disto merecem ser visto, pois são o retrato das pedras lapidadas que o cinema americano, englobando britânicos, espanhóis, franceses e quem mais se dispuser a fazer bons trabalhos, é capaz de produzir no meio de tanto lixo. E a real é: não existem filmes americanos, brasileiros, europeus, existem filmes bons e filmes ruins, e o Oscar deste ano estava cheio de filmes ótimos.

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