Violência
Posted by levino on janeiro 22nd, 2009 filed in C.A.O.S.Caros, nas últimas 24 horas tenho vivido uma situação assustadora, violenta e dolorosa. Algo pelo qual jamais imaginei passar e que, nas vezes em que li, ouvi ou assisti a respeito, confesso não ter sido suficientemente solidário.
É fato a dificuldade de compreender o trauma gerado por um ato violento sem que estejamos na pele de quem o sofre. É provável que o mesmo aconteça com vocês, diante de notícias sobre guerras internacionais ou mesmo a guerra urbana com a qual nos deparamos diariamente.
Até que onde e quando menos esperamos, coisas estranhas acontecem. Vem a revolta, a angústia, a necessidade de que alguém se importe com a nossa dor e a faça sua também. É isso que tento com este relato.
Em resumo, desde a tarde de quarta-feira deu-se uma desgraça. Num intervalo de cinco minutos, tempo em que fui ao banheiro e busquei um café a poucos metros do meu posto de trabalho (àquela hora, sem quase ninguém por perto), perdi duas pessoas a quem trato como filhos, com quem divido a casa, a minha vida, o local de trabalho. Sumiram. Como num passe de mágica.
A primeira reação foi achar que tudo bem, em segundos eu os encontraria não muito longe dali, e que o fato que deixou a todos perplexos com o passar das horas se revelaria um grande mal entendido. Crasso engano. Era o início de um pesadelo. A cada “não”, “não vi”, “não faço idéia” ou “já procurou em tal lugar?” a exasperação e a dor me tomaram de assalto. Eles não voltaram, ninguém os viu ou os trouxe são e salvos, depois de horas de agonia.
Dali em diante, paralisado e com um profundo sentimento de perda e imobilidade, fui obrigado a esperar. À noite, em casa, a pior hora. Vazio, desespero e a mensagem da polícia de que “só consideramos alguém desaparecido após 48 horas de sumiço”.
Sem força alguma para trabalhar na manhã seguinte, mas crente que alguém naquele gigantesco lugar traria uma boa notícia ou estaria com os dois à porta, retornei à labuta.
Qual não foi a surpresa ao encontrar na minha mesa um envelope pardo, lacrado e sem remetente. Abri-o tremendo e apressado. “ENTRAREMOS EM CONTATO”, estava escrito numa folha de papel A4. As letras recortadas de jornal e dispostas em duas linhas alinhadas como que por régua. Ali tornei-me cioso de que haviam sequestrado os dois, na tarde anterior.
Creio não ser preciso detalhar o desespero abissal a que estou submetido desde então. O horror, o horror, o horror.
Pouco mais de duas horas depois, entregue pelo carteiro do andar, veio mais um envelope pardo, lacrado e sem rementente. Nele havia uma foto. Eloquente, dura, cruel.
De lá para cá, nenhum outro contato, nenhum envelope anônimo, nenhum telefonema. Espero como se pudesse ouvir as badaladas de um relógio sinistro e mortal, as 48 horas suficientes para valer-me da polícia, da busca que certamente será empreendida por quem é de direito, por quem sabe agir correta e necessariamente ao caso.
Para dar a todos com os quais compartilho essa dor, idéia do quão angustiante tem sido, eis abaixo uma cópia da primeira e única foto que recebi. Caso reconheçam algum dos meliantes ao redor, por favor, entrem em contato através do e-mail desde site. Qualquer ajuda será de grande valia. Enquanto isso, só me resta esperar que o pesadelo se dissipe e os dois voltem ao lugar onde cruelmente foram usurpados: a minha mesa de trabalho. Batman e Captain McCrea.


janeiro 23rd, 2009 at 12:46 am
Tudo bem… Já no começo, apesar da previsibilidade de piada, eu sorri. Mas lá pelo meio, o jeito de contar a história me arrancou gargalhadas. Desculpe rir do seu sofrimento. Mas foi impossível não fazê-lo.
janeiro 23rd, 2009 at 10:08 am
negocia cautelosamente. qualquer coisa, tem uns parecidos no McDonald´s.
janeiro 23rd, 2009 at 11:10 am
Em breve, farei outro contato com você. E, prepare-se, porque o valor do resgate será alto, muito alto.
Ass: O(a) Poderoso(a) Fodão(dona)
janeiro 23rd, 2009 at 11:44 am
Que Absurdo!
A violência em São Paulo está realmente fora do controle.
Não podemos nem ter mais nossos amiguinhos de plástico.
Depois que eu li sobre essa triste caso, fiz um seguro de vida no meu Ronald McDonald e no meu Power Ranger.
Sugiro que você entre em contato com a ANABPB(Associação Nacional dos Amantes do Bonecos de Plástico e Borracha)para que junto com os membros do conselho elaboremos uma campanha para arrecadar fundos para o resgate.
Desejo do fundo do meu coração que o caso seja resolvido pacificamente.
um forte abraço,
Boneco Lover
janeiro 23rd, 2009 at 2:17 pm
e ai?
alguma novidade do caso?
janeiro 23rd, 2009 at 3:41 pm
é possível que o mal estejá mais próximo do que a vã filosofia possa imaginar…
janeiro 23rd, 2009 at 4:22 pm
no mínimo, este é o post mais comentado.
faça uma campanha pela abril… já percebeu que dá certo.
uma passeata em pró dos pobres bonequinhos do menino da playboy. ;(
janeiro 23rd, 2009 at 5:06 pm
Levino,
o resgate: deverá ser pago na próxima segunda-feira,
caso contrário…
PLÁSTICOS VÂO ROLARRRRRR.
Não vou avisar mais!