Salomão
Eis acima o booktrailer do novo livro de José Saramago, A Viagem do Elefante. Aliás, ele estará no Brasil nos próximos dias e faz o lançamento mundial do romance (que insiste em chamar de conto) numa série de eventos, incluindo um, aberto ao público, no dia 27, no Sesc Pinheiros. Abaixo reproduzo a resenha crítica do livro, que fiz para a edição de novembro da Playboy. A edição brasileira saiu pela Cia das Letras e está um primor. Comprem e espero que gostem.
A Viagem do Elefante
José Saramago, Cia das Letras
É improvável que Woody Allen produza, hoje, algo fundamental para a sua obra como Annie Hall (1977). Ou que Van Morrison apareça com um disco impactante como Astral Weeks (1968). Isso, no entanto, em nada afeta a condição de ícones. A analogia cabe em Saramago. A Viagem do Elefante, seu novo romance – que ele chama conto, não tem a força de O Ano da Morte de Ricardo Reis ou Memorial do Convento, mas é igualmente importante por tudo que dele conhecemos. A capacidade de criar enredos sem brechas, a construção de personagens fortes, a ironia indagadora, o humor refinado e o completo domínio da forma e da língua. É com a maestria de sempre – e o frescor renovado, faltoso em As Intermitências da Morte – que ele narra a inusitada história de um elefante, Salomão, que por caprichos reais viaja de Lisboa a Viena. Em torno da viagem e do tratador, o cativante Subhro, enxertam-se histórias humanas, solidárias, pantominas medievais e saborosos conflitos que findam traçando uma pequena radiografia humana. A certa altura do livro dá-se a seguinte cena: “Que é um acto poético, perguntou o rei, Não se sabe, meu senhor, só damos por ele quando aconteceu”. O livro se encaixa perfeito aí. A Viagem… é um ato poético, e independe de ser maior ou menor na obra do autor português.
Cotação: ótimo.
Ps.: Uma entrevista com o autor, no Diário de Notícias, de Lisboa.
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