Pitacos
Conclusões de um leigo interessado em politica depois de ler meio mundo de jornais, sites, blogs, articulistas de lá, de cá, enfim, entornar um caldo de opiniões, análises e pitacos sobre o conflito entre o Equador, a Colômbia e a Venezuela. Que aliás, chegaram a um acordo ontem.
- Álvaro Uribe tem um passado suspeito, principalmente de ter ligações com o narcotráfico e muitas coisas que até hoje não ganharam explicações convincentes. Independente disso, tem feito um governo pragmático e eficaz - obviamente com o apoio militar e financeiro dos EUA - no combate ao narcotráfico, o mesmo que ele é acusado de ter tido ligações. Resumindo: o que é melhor para a Colômbia? O fim do narcotráfico. Se isso está sendo conseguido, que argumento contrário vai pesar mais contra um presidente eleito democraticamente?
- Contra fatos não há argumentos: a aliança da Colômbia com os EUA conseguiu um resultado impensável se lembrarmos do país quinze ou vinte anos atrás. 78.000 hectares de terra a menos disponíveis para o plantio de coca. Isso significa metade da área utilizada pelo tráfico. Eficaz e pragmático.
- A crise com o Equador, e por tabela com a Venezuela, encobre um problema interno que a Colômbia precisa resolver e trazer à tona: os grupos paramilitares de direita. O problema não se dá apenas com narcoguerrilheiros terroristas de esquerda. O governo tem um problema grave para resolver e diria que tão grave quanto as Farc, pois divide o pais ao meio, num clima de embate político e ideológico que só prejudica o desenvolvimento social, político e econômico.
- Invadir território equatoriano é um desrespeito grave, às leis internacionais, à soberania do país vizinho. Um pedido de desculpas público não basta. O ideal vai além do comprometimento de que fatos dessa natureza não voltarão a ocorrer. Mais do que ideal são pactos de cooperação entre os países onde haja área de domínio das Farc. Contra elas, obviamente.
- Na mesma medida que a Colômbia deve desculpas e comprometimento com a não invasão de território alheio, o Equador deve sim explicações sobre o envolvimento do seu governo com as Farc. Em resumo: se as denúncias forem verdadeiras, o Equador foi pego com as calças nas mãos, negociando com um grupo que que implodir o país vizinho. Isso é tão grave quando ser invadido por esse país vizinho.
- Rafael Correa não é Hugo Chávez. Apesar de apoiado pelo fanfarrão venezuelano, el puto del todo genero, o presidente eleva o tom de suas críticas mas sem a bufonice teatral de Chávez. Além do mais, procurou o melhor caminho, a via diplomática, não declarou guerra, fez o que devia ser feito, chamou seu embaixador de volta e pôs-se num périplo por países vizinhos em busca de apoio. Apoio diplomático, diga-se.
- Chávez é das coisas que mais dão nojo no mundo. Fanfarrão, bufão, dissimulado. Encheu a fronteira com a Colômbia de soldados, tanques, armas. Mas eu pergunto: cortou relações comerciais? Não. É bom não esquecer que 40% dos itens básicos consumidos por venezuelanos vêem da Colômbia. Ovos, carnes e cositas mas, tudo Hecho en Colombia. Por que? Pelas condições precárias em que se encontra o mercado interno e o consumo na Venezuela. Com os petrodólares investidos em armas e financiamento de guerrilhas e governos de esquerda e esquerda delirante, o país deixa de produzir o básico para o seu povo, por falta de incentivo estatal.
- Por que Chavéz non se calla? Porque precisa de apoio interno. Desde o plesbiscito em que foi fragorosamente derrotato e surpreendido, o fanfarrão precisa de alguma forma justificar sua política tendo um inimigo sempre à mão. Eis a bola da vez: Colômbia. Se o consumo fosse mais prejudicado ainda com o acirramento da crise e por tabela a dificuldade em se importar produtos colombianos (afinal, não se come gasolina), quem será o culpado? Álvaro Uribe. Bingo! Maquia-se o problema apontando para o lado errado. A crise nasce no palácio de Mira Flores, mas auto-crítica não é um costume muito aceito por ditadores.
- O Brasil é o único país que pode gerenciar crises no continente sem sem arroubos de arbitrariedade disfarçado de ideologia. Quem está certo? Ninguém. Nem a Colômbia, por ter pescado em aquário alheio, nem o Equador, por ter dado apoio as Farc (mesmo com a desculpa de que a ligação com a guerrilha fazia parte de um plano para soltar reféns, eis uma desculpa fácil), nem a Venezuela, que entrou de gaiata no navio, feito cachorro que late mas não morde. Aliás, só morde se a Colômbia continuar exportando carne. Que o país por ser o maior e mais importante da América Latina, saiba racionalmente conduzir sempre as negociações. Afinal, na boa? Não é interesse de nenhum dos três envolvidos um conflito armado. Chávez e Correa sabem, que por exemplo, se juntarem seus exércitos ainda perdem e feio num combate com as forças armadas colombianas.
- Quanto aos teóricos de esquerda, continuo com a fala de antes: precisam assumir uma postura de auto-crítica, deixar de argumentar com condicionantes. E aí, as Farc sequestram? Sim. Que ideologia reside em sequestrar e manter em condções subumanas os sequestrados? Nenhuma. Isso pode ser defendido? Não. Envolvimento com o tráfico é correto? Não. Então, por que defender algo pelo simples fato de ser contra um alvo do qual discordamos? Por isso são o que são, sectários, anacrônicos, fadados aos museus.
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