Pitacos

Posted by levino on março 6th, 2008 filed in C.A.O.S.

Conclusões de um leigo interessado em politica depois de ler meio mundo de jornais, sites, blogs, articulistas de lá, de cá, enfim, entornar um caldo de opiniões, análises e pitacos sobre o conflito entre o Equador, a Colômbia e a Venezuela. Que aliás, chegaram a um acordo ontem.

- Álvaro Uribe tem um passado suspeito, principalmente de ter ligações com o narcotráfico e muitas coisas que até hoje não ganharam explicações convincentes. Independente disso, tem feito um governo pragmático e eficaz - obviamente com o apoio militar e financeiro dos EUA - no combate ao narcotráfico, o mesmo que ele é acusado de ter tido ligações. Resumindo: o que é melhor para a Colômbia? O fim do narcotráfico. Se isso está sendo conseguido, que argumento contrário vai pesar mais contra um presidente eleito democraticamente?

- Contra fatos não há argumentos: a aliança da Colômbia com os EUA conseguiu um resultado impensável se lembrarmos do país quinze ou vinte anos atrás. 78.000 hectares de terra a menos disponíveis para o plantio de coca. Isso significa metade da área utilizada pelo tráfico. Eficaz e pragmático.

- A crise com o Equador, e por tabela com a Venezuela, encobre um problema interno que a Colômbia precisa resolver e trazer à tona: os grupos paramilitares de direita. O problema não se dá apenas com narcoguerrilheiros terroristas de esquerda. O governo tem um problema grave para resolver e diria que tão grave quanto as Farc, pois divide o pais ao meio, num clima de embate político e ideológico que só prejudica o desenvolvimento social, político e econômico.

- Invadir território equatoriano é um desrespeito grave, às leis internacionais, à soberania do país vizinho. Um pedido de desculpas público não basta. O ideal vai além do comprometimento de que fatos dessa natureza não voltarão a ocorrer. Mais do que ideal são pactos de cooperação entre os países onde haja área de domínio das Farc. Contra elas, obviamente.

- Na mesma medida que a Colômbia deve desculpas e comprometimento com a não invasão de território alheio, o Equador deve sim explicações sobre o envolvimento do seu governo com as Farc. Em resumo: se as denúncias forem verdadeiras, o Equador foi pego com as calças nas mãos, negociando com um grupo que que implodir o país vizinho. Isso é tão grave quando ser invadido por esse país vizinho.

- Rafael Correa não é Hugo Chávez. Apesar de apoiado pelo fanfarrão venezuelano, el puto del todo genero, o presidente eleva o tom de suas críticas mas sem a bufonice teatral de Chávez. Além do mais, procurou o melhor caminho, a via diplomática, não declarou guerra, fez o que devia ser feito, chamou seu embaixador de volta e pôs-se num périplo por países vizinhos em busca de apoio. Apoio diplomático, diga-se.

- Chávez é das coisas que mais dão nojo no mundo. Fanfarrão, bufão, dissimulado. Encheu a fronteira com a Colômbia de soldados, tanques, armas. Mas eu pergunto: cortou relações comerciais? Não. É bom não esquecer que 40% dos itens básicos consumidos por venezuelanos vêem da Colômbia. Ovos, carnes e cositas mas, tudo Hecho en Colombia. Por que? Pelas condições precárias em que se encontra o mercado interno e o consumo na Venezuela. Com os petrodólares investidos em armas e financiamento de guerrilhas e governos de esquerda e esquerda delirante, o país deixa de produzir o básico para o seu povo, por falta de incentivo estatal.

- Por que Chavéz non se calla? Porque precisa de apoio interno. Desde o plesbiscito em que foi fragorosamente derrotato e surpreendido, o fanfarrão precisa de alguma forma justificar sua política tendo um inimigo sempre à mão. Eis a bola da vez: Colômbia. Se o consumo fosse mais prejudicado ainda com o acirramento da crise e por tabela a dificuldade em se importar produtos colombianos (afinal, não se come gasolina), quem será o culpado? Álvaro Uribe. Bingo! Maquia-se o problema apontando para o lado errado. A crise nasce no palácio de Mira Flores, mas auto-crítica não é um costume muito aceito por ditadores.

- O Brasil é o único país que pode gerenciar crises no continente sem sem arroubos de arbitrariedade disfarçado de ideologia. Quem está certo? Ninguém. Nem a Colômbia, por ter pescado em aquário alheio, nem o Equador, por ter dado apoio as Farc (mesmo com a desculpa de que a ligação com a guerrilha fazia parte de um plano para soltar reféns, eis uma desculpa fácil), nem a Venezuela, que entrou de gaiata no navio, feito cachorro que late mas não morde. Aliás, só morde se a Colômbia continuar exportando carne. Que o país por ser o maior e mais importante da América Latina, saiba racionalmente conduzir sempre as negociações. Afinal, na boa? Não é interesse de nenhum dos três envolvidos um conflito armado. Chávez e Correa sabem, que por exemplo, se juntarem seus exércitos ainda perdem e feio num combate com as forças armadas colombianas.

- Quanto aos teóricos de esquerda, continuo com a fala de antes: precisam assumir uma postura de auto-crítica, deixar de argumentar com condicionantes. E aí, as Farc sequestram? Sim. Que ideologia reside em sequestrar e manter em condções subumanas os sequestrados? Nenhuma. Isso pode ser defendido? Não. Envolvimento com o tráfico é correto? Não. Então, por que defender algo pelo simples fato de ser contra um alvo do qual discordamos? Por isso são o que são, sectários, anacrônicos, fadados aos museus.

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