Paudurescência
“Queremos colocar no mainstream, mas a gente precisa de um mainstream forte. Não é renegar o mainstream, é povoá-lo com coisa boa. E não essa coisa xiita e excludente de dizer “eu não vou sujar as minhas mãos nessa podridão”. Isso é o fim, porque outro cara faz cagada o resto da vida, sem ninguém para interferir. No Brasil as pessoas se tornaram franciscanas no meio independente: “não, não vou ganhar dinheiro”. Dinheiro é fundamental para ter qualidade, ter um puta show, não pode deixar de influenciar a coletividade, ser a trilha sonora da adolescência de certas pessoas.
A única salvação para o Brasil é se tornar um pouco mais paudurescente, e a paudurescência tá no rock’n’roll. Não vai ser na brejeirice paumolescente da mpb. A mpb pensa em todas as doenças, é o embevecimento com o pobre, a terraplanagem geral, pró ladrão, pró pobreza, pró todos serem comunistas, pró feriado, pró carnaval. Tudo que é o cancro no Brasil a mpb subscreve.
Nós somos inerentemente bunda-moles porque somos brasileiros. As pessoas querem tapar o sol com a peneira com essa síndrome de dignidade intelectual. O Los Hermanos, que é o coletivo de Luiz Gonzaga Jr., era uma banda de hardcore e agora tá tocando Maria Bethânia. Isso daí é o fim pra gente, é entregar a rapadura para o filão.
As pessoas são xiitas, partidárias, facistóides, fãs do Ariano Suassuna, que é um cancro para a nossa cultura. Ele escreve bem pra caralho, mas o que ele fala é uma burrice, ele é avesso ao computador, a tudo o que é de fora. Nada mais jeca do que rechaçar o que é de fora. A nova geração da mpb é uma sombra pálida do que foi a outra, porque não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, virou uma capitania hereditária.”
Sempre gostei de ouvir o Lobão. Continuo gostando. Desde os doze anos. Ele continua tendo razão.
Deixe seus comentários ainda. Seja o primeiro.
Deixe um retorno

