Na Natureza Selvagem
Posted by levino on fevereiro 26th, 2008 filed in Premiére
Nós aqui nessa vidinha besta, filhos de Deus nessa canoa furada, por mais que exemplos surjam ao redor vez por outra nunca temos dimensão exata do limites que o ser humano pode imprimir à vida. É esse redimensionamento do que é liberdade que faz com que Na Natureza Selvagem, o melhor trabalho do ator Sean Penn como diretor, arrebate o público. Mesmo com um enredo às vezes claudicante, que segue jogando no colo do espectador peças de um subjetivo quebra-cabeça. A história verdadeira do jovem Chris McCandless, interpretado por Emile Hirsch, nos dá outra noção de liberdade e obstinação, e como não há nada sem um preço, também de egoísmo. Há vários referenciais que podem resumir o desapego de Chris - que chegou a criar uma nova identidade, Alex Supertramp, para completar a sua nova história - à vida comum. Um deles talvez faça mais sentido para quem viveu a o início da juventude na mesma época. É o que traça uma improvável relação entre a emotiva trilha sonora de Eddie Vedder e a vida de Alex. Vedder, ícone do movimento grunge, o mais importante de rock da década de 1990, complementa nas letras e melodias fortes o sentimento de liberdade que impulsionou Alex a largar a família, o futuro promissor, a irmã a quem protegeu desde cedo para se embrenhar numa viagem ensandecida até o Alasca, por motivos até hoje pouco palpáveis. A largar inclusive a tentativa, sem muita importância diante do que ele se propôs a viver, é verdade, de compreender a liberdade almejada num disco do Pearl Jam, banda de Vedder, ali pelo início dos anos noventa, a mesma época da aventura que deu origem a um livro e ao road/walking movie. Compreender a liberdade que só ele parece ter concretizado se integrando de fato à natureza selvagem.
Into The Wild, 2008, Sean Penn.

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