Manguaça, carros, vidas e quetais
Posted by levino on julho 6th, 2008 filed in C.A.O.S.Sobre a nova lei 11.705/08 recém posta em vigor no Brasil, que quase veta o consumo de álcool para quem está ao volante, li três textos interessantes, de dois amigos (Marlos e Antonio) e uma colega (vejam só, de bar. A Ivana vive na Mercearia, assim como eu, quando estou em São Paulo). Concordo em parte com todo mundo e no geral estou no time dos que acham que choppinho nenhum no mundo vai pagar uma vida sequer. Brasileiro só conhece civilização sob chicote, é verdade.
O problema é justamente esse chicote do Estado. É como aquele pai que não tendo moral para apenas olhar e fazer o filho calar, ou pior, não possui a mínima habilidade para dialogar, prefere surrá-lo; que entra também nesse círculo vicioso de enfrentamento, afinal, que graça tem fazer o que é legal, não é? O proibido ou o atrito instigam. Isso vira uma disputa de poder sem sentido, até que alguém vença pelo cansaço ou pela força. A lei permite até dois decigramas de álcool por litro de sangue. Igualzinho na Noruega. Já vimos esse filme antes. O Brasil, com um Estado frouxo, corrupto e ineficiente, mas com lei de primeiro mundo (o ECA, com ares de Suíça e práticas de Comando Vermelho, ou a Constituição, de cor escandinava e prática Zimbabueana).
Afora essas questões que Noberto Bobbio responderia melhor do que eu, sobre Estado, lei, coerção legal etc, a gente sabe que a lei é necessária, porque na maioria das vezes, enquanto assistimos ao Jornal Nacional e ouvimos aqueles números absurdos sobre mortes no trânsito, aquilo soa como apenas um número absurdo, impalpável. Não nos é mensurável até que vitimemos uma pessoa ou conheçamos alguém vítima de acidente de trânsito.A realidade é bem dura e às vezes passa ao largo da nossa vidinha, do nosso choppinho. Talvez por isso a maioria ainda reclame, ou pior, ouse enfrentar a proibição.
Entre os tantos problemas de dirigir bêbado dois eu destacaria. O primeiro é que a gente sempre acha que está bem o suficiente para fazê-lo. O segundo é que, quando a gente tem consciência que não está bem, mas continua dirigindo, começa a correr para chegar o mais rápido possível em casa. Nos transformamos num canhão em alta velocidade. Ou pior, se formos devagar o risco é de adormecer ao volante. Dá no mesmo. Livrar milhares de pessoas da morte por causa da nossa e da alheia imperícia e irresponsabilidade é, claro, o grande mérito da proibição, mas podíamos listar mais algumas.
Eu por exemplo, que quando em São Paulo armo tenda em Pinheiros, na Artur Azevedo com Mourato Coelho, acostumei-me a ficar ilhado da quinta-feira ao sábado. A quantidade de carros invadindo os bares da Vila Madalena, que têm como uma das principais entradas as ruas de Pinheiros, é algo absurdo. A lei, servirá, espero, para coibir um pouco o nosso individualismo de bar. Aquilo de cinco amigos marcarem num bar e cada um ir no seu carro. O que poderia ser quatro bebendo e um se resguardando ali (numa espécie de rodízio) para voltar sóbrio e dirigindo, deixando todo mundo em casa, transforma-se em cinco armas de matar gente.
O que eu espero é que a lei aguce esse sentimento de solidariedade que muitas vezes aflora no balcão do bar e na mesa do pé-sujo, quando todo mundo é amigo e se ama e se abraça, mas na hora de voltar cada um pega seu carro e retorna bêbado e sem amor nenhum. Os bares vão dar um jeito. Os mesmos 12 reais que pagamos para o Vallet, eu pagaria um pouco mais para que me deixassem em casa numa van com a logo da Mercearia, do Sabiá, do Piratininga, ou melhor, para um táxi, mais seguro, confortável e sem o risco de nos transformar em assassinos potenciais. É isso que espero: menos gente morta e/ou ferida, mais carona entre amigos e as ruas de Pinheiros vazias em plena sexta-feira. Fala sério, vai ser muito melhor, né não?


julho 6th, 2008 at 12:10 pm
assino embaixo menino levino, vidas serão poupadas e a coisa tende a ficar mais divertida
é hora de brincar de amigo da vez… o sortudo leva todo mundo pra casa! Adorei o tipo de prisão sugerido pelo Prata hehehehehe…. excelente! Campo de concentração pra quem diz que “enchi a cara de Smirnoff Ice”.
Bom domingo
Abraço
ercia