Arquivos da Categoria 'Notas'
A verdade sobre a vida
Ah, tem esse papo todo de intelectual (haha!), escritor, livros lançados e coisa e tal, Dostoiévski na infância, Drummond no fim dela e Roth com Manuel Bandeira, filme europeu a dar com pau, Bobbio, Francis etc e tal. Acho bonito e não tem encenação. Mas na boa? Eu sou filho disso aqui também:
Cara, eu lembro de quando esse disco caiu em minhas mãos. Eu tava de férias em Natal, 1994, o disco marrom dos Raimundos. Eu lembro (quase consigo sentir o frio na espinha) de como era ouvir isso escondido dos meus pais, da baixaria, do chulo, da paulada distorcida, sem medo de ser pesado. O mundo assombrado, a Warner lançando cinco mil cópias por semana e o disco esgotando em dois dias por cada remessa. Putz, Raimundos era do caralho! Raimundos foi meu grunge, saca? Paixão sem fim, saudade daquela época.
Olha o naipe da presepada:
Nêga Jurema veio descendo a ladeira
Trazendo na sua sacola um saco de Maria Tonteira
E a mulecada avisou a rua inteira:
“Vem correndo que a feira já está pra começar”
“Mas olha as nuvens esse tempo não ajuda
Pelo menos as minhas mudas eu já sei que vão brotar”,
Dizia a Nêga quando vieram os soldados
Se dizendo avisados e começaram a atirar
Pois foi Antônio, filho de José Pereira,
Que no meio da bagaceira olhou pro céu e a rezar
Pediu pra Santo Antônio, São Pedro ou Padim Cícero
Ou pros filhos do Canisso que viessem ajudar
Foi no pipoco do trovão
Que se armou a confusão e ninguém pôde acreditar
Que aquilo fosse verdade, foi por toda a cidade,
Cresceu em todo lugar
Na igreja das alturas, barzinho, prefeitura,
No engenho de rapadura nasceu mato de fumá
E foi com a santa Malícia
que driblou-se a polícia
e fez a guerra acabar
FUMÊ FUMÁ
Não é flor de intestino é um matinho nordestino
que a senhora vai queimar
Faz um bem pra diarréia para o véio e para a véia,
faz o morto suspirar
Faz um bem para as artrites, febre ou conjutivite
Faz qualquer mal se curar
CUMÊ CAGÁ
BEBÊ FUMÁ
São as leis da natureza e ninguém vai poder mudar.
Desejo de consumo
Deu na Folha de SP:
“Dono de um dos mais poderosos shows da música eletrônica, o duo francês Justice se apresentará ao vivo pela primeira vez no Brasil em setembro, dentro do Skol Beats. A dupla, formada por Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, está entre os artistas escolhidos pelo público em votação promovida pelos organizadores do evento, que acontece em 27/9 em local ainda a ser definido.”
Vai treinando:
Mais um pouco:
Baixa o disco aqui.
Ouve coisa nova aqui.
Entenda porquê você deve ir ao show aqui.
Deixe seus comentáriosNa Playboy, além do créu
Bom, não quero concorrer com a Mulher Melancia, mas enfim, quem quiser comprar a Playboy de junho, a matéria em destaque na capa é de minha autoria e tem fotos de Renan Rego. Enjoy!
1 comentárioCadê a galera que tava aqui?
“A opinião pública partiu para cima do pai e da madrasta com gosto de sangue na boca. Delegados, vizinhos, populares, leitores, telespectadores gritaram “assassinos”, deram chute em camburão, cercaram prédio, o diabo. Pergunta-se onde está essa bravura agora, no caso da milícia que torturou barbaramente jornalistas cariocas numa favela em Realengo. São circunstâncias completamente diferentes, mas… Não são os bons e velhos direitos humanos sendo ameaçados? Cadê a militância?”
O Fiúza deu na veia.
Deixe seus comentáriosGarden State
É só um filme doce, tem quem ache brega, piegas, ruim apenas. Eu gosto muito. E gosto particularmente do final, mesmo sendo previsível. Acho que poucas músicas se encaixam tão bem num final quanto Let Go, do Frou Frou, nas cenas abaixo. Cenas de Garden State.
Deixe seus comentáriosEconomia de alta escala
“Apareceu uma inflação maior do que a esperada. O Banco Central seguiu seu roteiro tradicional: subir os juros. Lula temeu esfriar demais a economia nos seus dois últimos anos de mandato e também ficou com medo de legar ao sucessor uma “herança maldita”.
Vai aqui um elogio para o presidente: nas vezes em que foi chamado a tomar decisões para evitar catástrofes econômicas, ele não hesitou. No começo do primeiro mandato, jogou fora, por exemplo, aquelas receitas econômicas inaplicáveis do PT de então. Lula tem sido um bom presidente, apesar de erros graves na política e de uma soberba que o faz, por exemplo, ter a imprensa brasileira em pior conta do que ela realmente é.”
Uma análise interessante do Alencar.
Deixe seus comentáriosDilma foi mal
Olha, na boa, eu achei Dilma Roussef péssima ontem, em entrevista ao Programa do Jô. E mesmo com um apresentador sem o menor senso jornalístico, fazendo as vezes de levantador de vôlei pra entrevistada cortar. Clima amigável que me incomoda profundamente em entrevistas, foi o que vi. Jornalismo é incômodo, oposição, como diz Millôr, o resto é mercado de secos e molhados. Mas o que vi é que mesmo assim, envolta em amenidades e clima amistoso, Dilma é muito ruim. Ela tenta vencer usando três armas (sem trocadilhos, por favor): altivez de voz, superestimação de números e imposição. Isso disfarça sobremaneira o vazio das suas colocações sobre o PAC, que é, convenhamos, um tremendo engodo. O Governo Federal juntou num balaio só investimentos que já estavam previstos para acontecer, com dinheiro da iniciativa privada e recursos estaduais e municipais, cercou tudo isso com cifras absurdas e deu um nome que na verdade nada mais é do que obras de infra-estrutura, dever de todo Estado, realizadas em seu ritmo normal, independente de existir ou não um plano de aceleração do crescimento do país. Afora o rasgo de oratória na resposta dia desses a José Agripino (merecido, aliás), Dilma vai precisar de muito, muito pancake para parecer uma candidata convincente. O que me impressiona é o que contam de como ela gosta de gritar subalternos e quetais… E jogando para a platéia, fica constrangida?
2 comentáriosClasse A
José Gonzalez, na PitchforkTV.
Deixe seus comentáriosSobre poesia
“A poesia é justamente o lado que não estou lendo. Ainda não foi escrito o gosto de uma baganha fumada por um mendigo, o que pensa o pegador de cabelos em cima de uma cômoda, o quanto a ferrugem é vento que desistiu de amar. Sempre existe uma forma de casar o nosso desejo com o ímpeto do mundo. Poema é combinação, os elementos só mudam quando se fundem.”
“Como eu costumo fazer? Essencializo a história para a síntese verbal. Ela precisa ser contada. O que me lembro dela? O que sou capaz de guardar? O poema será a insistência de uma história contada aos filhos e amigos.”
“É papel da poesia ser melhor do que o papel, como dizia Nicanor Parra. Ela tem o propósito de não esgotar os assuntos. Se o romance, o conto e a novela ainda encontram temas, devem creditar essa renovação à poesia. A poesia é o terreno baldio da ressurreição. Propõe comparações inusitadas, estabelece aproximações inauditas, revê microscopicamente o que não era detectado. Para cada um se alcançar, ou se abraçar, o caminho é o poema. O poema não traz compreensão, traz participação no mundo.”
Carpinejar, melhor que o pai e a mãe, quando escreve, fala do ofício nesta bela entrevista.
Deixe seus comentáriosMilhaze$

A tela “O Mágico”, da artista plástica carioca Beatriz Milhazes, foi vendida anteontem em leilão da Sotheby’s, de Nova York, por US$ 1,049 milhão, cerca de R$ 1,74 milhão. O valor é o maior alcançado por um artista brasileiro vivo em um leilão internacional.
Milhazes bateu o próprio recorde, obtido em outubro de 2007, com a venda da tela “Laranjeiras”, por US$ 465 mil, aproximadamente R$ 772 mil, em um leilão da Christie’s, de Londres.
No catálogo da Sotheby’s, a tela “O Mágico” é descrita como “arte por amor à arte, livre de funções didáticas, filosóficas e utilitárias”. O texto diz ainda que a pintura tem, entre outras referências, a art déco, a abstração geométrica, os papéis de parede de Minas Gerais, a psicodelia e o tropicalismo.
Nascida em 1960 no Rio de Janeiro, Milhazes faz parte da geração 80, grupo de artistas plásticos que inclui Nelson Leirner e Nuno Ramos, entre outros.
Ps.: A tela que ilustra o post não é a citada na nota da Folha de SP de hoje. Apenas uma que gosto muito, entre tantas, que aliás, vi pessoalmente na exposição que ela manteve numa galeriazinha charmosa da Fradique Coutinho, no início deste ano.
Deixe seus comentáriosMemória Afetiva

E aí, meu irmão, cadê você? Corria o ano 2000 e lá estavam Ethan e Joel Coen adaptando Homero (!!!) para o sul dos EUA, num road blues movie emocionante, divertido, com uma fotografia impecável e músicas que passaram meses ecoando na minha caixola. Eu tenho muito orgulho dos Coen. E de George Clooney, claro, que deixou o filme ainda melhor. Oito anos atrás.
Deixe seus comentáriosLinks
- Não tem jeito. Quando se disputa poder (e qualquer disputa, em tese, é por isso) a ponto de tornar-se extenuante e cansativo, como o embate Obama x Hillary, a primeira coisa que sai pela porta dos fundos é a civilidade. Os golpes estão cada vez mais baixos.
- Eu havia comentado isso antes. Não é incrível que um fato comece a amainar na mídia e nos vem a impresão que tal assunto está resolvido? Vejam a Guerra do Iraque, por exemplo. A Cruz Vermelha tem uma série de relatórios que adjetivam como “desesperadora” a situação no país. Algumas famílias chegam a gastar um terço da renda mensal só para comprar água límpa. Um horror, um horror. Todos os documentos estão disponíveis para download. Já para quem gosta de números…
- O festival É Tudo Verdade, o maior do país dedicado aos documentários, acontece do próximo dia 26 até 04 de abril. Imperdível. A programação é aquele tipo de coisa estupenda que você escolhe um que quer ver enquanto perde três. Vai ser exibido um combo com os 10 documentários que mudaram o mundo que me interessa bastante. Além de estar curioso para ver O Rosto de Karim, um curta feito por Ingmar Bergman sobre sua mãe.
- Não é preconceito. É conhecimento de causa. Um reggaeiro pode se transformar numa das maiores empulhações sociais do mundo. Óbvio, assim como um metaleiro etc e tal. O problema do reggae é o caráter messiânico que atribuem a Bob Marley. O que não tira minha admiração pelo jamaicano, que agora vai ganhar dois filmes a seu respeito. Um baseado na história contada por Rita Marley, sua ex-esposa, e outro dirigido por Martin Scorsese.
- Falando em fã chato, e os do Los Hermanos, hein? Para as viúvas dos barbudos, Marcelo Camelo encheu o MySpace dele com coisas novas. Tem musiquinha assombiada, vídeos com uma molecada de Portugal e por aí vai.
- Amanhã tem show gratuito de João Bosco, no Memorial da América Latina. Isso quer dizer que tem coisas que até injeção de graça é melhor.
- Strokes tocando Lou Reed. Pois é, é só clicar aqui e começar a baixar.
- Alguns brasileiros que foram ao South by Southwest, um dos maiores festivais de música do mundo, que acontece no Texas, estão contando tudo que se passa por lá. Lembrando que de lá o Lucy And The Popsonics arruma as malas e faz quase trinta shows na Europa. Bacana demais.
- Saiu a lista dos cinquenta blogs mais influentes do mundo. Nenhum é brasileiro. Pô, a gente bem que podia fazer uma lista nacional, né?
- “Formado em direito em Harvard, ele fez carreira e fama como um agressivo promotor de Justiça especializado em perseguir altos executivos de Wall Street. Sempre cercando seus casos de ampla publicidade, ele se proclamava um paladino do cidadão comum que combatia a ganância dos “peixões” (fat cats). Intimidação, insinuações, vazamento seletivo de informações para repórteres que o apoiassem, a ameaça de processos que não ganharia, mas cuja abertura em si bastava para abalar a credibilidade de tal ou qual empresa.” Pois é, era essa a postura de Spitzer, o ex-governador do estado de Nova York que foi obrigado a renunciar por suspeitas de envolvimento com prostituição. Um dia de caça, outro…
- A mulher do cara pode ter jogado o MacBook Air dele no lixo, pensando que era jornal… Sério.
- Política internacional analisada e relatada com classe. Pois é, Erika Sallum já tem um blog.
- Bom, o disco físico só chega às lojas dia 01 de abril. Mas a banda já prometeu disponibilizar oficialmente o petardo para download por uma semana, antes disso. O fato é que já vazou na internet. E eu baixei. Supernatural Superserious, o novo lançamento do R.E.M. Curti. Bem nervosinho. O single é a melhor música do disco.
- Quando o quiprocó começou a moer no Tibet, só um jornalista estrangeiro estava lá. E ele conta como foi.
- Óbvio que não é simples assim, mas numa análise tosca, o país que conseguiria (o crescimento a passos de elefante mostram essa possibilidade) encarar os EUA como uma potência bélica e econômica no mundo atualmente é a China. A China que a cinco meses das Olímpiadas começa a mostrar as suas entranhas, seu lado podre, sujo, de repressão, desrespeito aos direitos humanos, violência e censura. O caso das manifestações no Tibet, onde mais de cem pessoas morreram (o governo chinês só admite dez) é típico de um estado arbitrário. Tanques contra templos e um plano ardiloso para eliminar uma cultura. Explica-se: desde que a China abriu uma imensa ferrovia que leva turistas e chineses a Lhasa, capital do Tibet, o inferno deu-se. A cidade virou um imenso Paraguai a céu aberto, por isso o ataque de tibetanos principalmente a lojas de chineses. O detalhe cultural e religioso que o Tibet possuía desde então, passou a figurar como secundário na intenção dos chineses que foram instigados a invadir o país e vestirem a carapuça de vendilhões do tempo. Em resumo, o país que pode ser amanhã a maior potência do mundo, esperando a queda dos EUA (coisa que faz os esquerdóides gozarem) trata as coisas com muito mais truculência e desrespeito. Na boa? A galera que abriu o contador para ver os EUA se ferrarem com suas crises políticas e econômicas, ainda vai sentir muita saudade. Principalmente quando a China decidir exportar a sua política interna. Aguardemos.
1 comentárioA Era da Inocência
A Era da Inocência, o mais recente filme do diretor canadense Denys Arcand, pode não funcionar para aqueles que têm como referência de sua obra As Invasões Bárbaras. Um filme, aliás, que não virou pop, mas foi aonde Arcand mai se aproximou do equilíbrio entre a reflexão do cinema de arte e o entretenimento (mais pela gancho dramático da história) do grande circuito. Por que? Porque enquanto n’As Invasões a história pesarosa de Rèmy servia como pano de fundo para Arcand tecer suas considerações sobre o capitalismo e as agruras subjetivas do mundo moderno, em A Era da Inocência ele se descola desse pano de fundo humanista e solta seus petardos ideológicos contra o mesmo capitalismo, o mais cruel ainda mundo moderno, com um sarcasmo que aproxima o filme das pantominas teatrais. Não há espaço para a dor, pelo menos a objetiva d’As Invasões. Assim, ele dá uma guinada ao contar a história de Jean-Marc LeBlanc, vivido por Marc Labrèche, um burocrata responsável pelo setor de ouvidoria do governo de Quebec, que é, numa analogia forçada, como se Sam Mendes tivesse injetado política na história de Lester, o protagonista de Beleza Americana. LeBlanc cria em torno de si fantasias que o livram de todo mal, representado pela doentia dedicação da mulher ao trabalho, pela apatia de suas filhas em relação ao pai, pelo tédio do seu trabalho que na prática cria mais problemas ainda para quem o procura e todas inquietantes prisões a que qualquer ocidental minimamente inserido no mercado de trabalho está sujeito, como chefes opressores. Tanta agonia finda (e Freud deve explicar isso muito bem) num anseio sexual incontrolável, que é na mesma medida fuga e consolo. O problema do filme se dá quando o sarcástico Arcand toma as rédeas do seu discurso sisudo, dando lugar a uma ideologização primitiva de que a modernidade e o capitalismo têm por oposto o isolamento bucólico. O engano desse ponto de vista fica latente diante das observações que a mulher de LeBlanc faz sobre o mesmo, no momento em que ele decide sair de casa e deixar para trás tudo que o oprime. Ela lista, um por um, os motivos que a levam a, como ele supõe, ser um produto mimetizado do mercado. Mas e ele? Que medida de culpa teria nisso tudo? São perguntas que Arcand pode responder num filme continuação, como fez com os seus dois títulos anteriores.
L’Âge des Ténèbres, 2008, Denis Arcand.
Deixe seus comentáriosI’ve been thinking about you
[display_podcast]
Marianne. É o nome da música. Mas bem que poderia se chamar Georgia.
Ps.: É só clicar com botão direito do mouse, depois “Salvar destino como…” e fazer o download.
Ps2.: Eu nem lembro a última vez que tinha ouvido essa música. Mas sabe quando uma letra começa a se repetir na sua cabeça e você passa o dia inteiro tentando descobrir de que música? Pronto, só sei que foi assim.
1 comentárioCaos
Ontem às seis da tarde na Estação da Luz o mar de gente foi aperitivo. Hoje o inferno deu-se de fato. 216 km de engarrafamento. E eu preso por uma hora e meia num percurso que costumo gastar 10 minutos. Caos, total.
Deixe seus comentários




