Casa
Posted by levino on janeiro 12th, 2009 filed in EstanteFragmento de Aos Pedaços, do já distante 2006.
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Enquanto os dois corriam à beira-mar, descalços e quase sem fôlego, ela roubou a voz dele quando perguntou o que achavam de terem um filho.
E explicou que desde a primeira vez que riu com alguma bobagem dele, antes mesmo de se beijarem, achou que ele seria um perfeito pai.
O riso foi cessando aos poucos e o barulho do mar preencheu as lacunas deixadas por esses silêncios que incomodam e aprisionam as mãos, fazem os pés suarem.
Ela pediu desculpas e deu as costas, pondo as mãos o rosto, fechando os olhos e dizendo que tudo não passava de uma brincadeira e que, enfim. Reticências.
Ele disse que tudo bem, que não precisava ficar corada e que corada era uma palavra estranha, talvez tão estranha quanto a vontade que ele tinha de ter dois filhos com ela. E que esses filhos tivessem nomes de poetas. E morassem numa casinha pequena com um jardim de grama mal cortada, por pura preguiça dele, e dois cachorros dourados que adormecessem ouvindo Nancy Wilson.
Casa, do sobrescrito.

janeiro 13th, 2009 at 10:50 am
Adoro esse fragmento. É tão a alma da gente, que prendo o ar no meio da garganta.