Arquivos de julho, 2008
Mergulho
Caros, como avisei em algum post abaixo, preciso me ausentar do Adeus Columbus por motivo de trabalho. Temporário é verdade. Nos próximos três meses não faço a menor idéia de quando atualizarei o site, e certamente se o fizer, será com pouco conteúdo, uma anotação ou outra, que convenhamos, devo preferir rabiscar nalgum moleskine. Enquanto o mundo gira estarei mergulhado até o pescoço em trabalho e depois espero tirar merecidas férias.
Enquanto isso no iPod toca Lulu, MGMT, Cassius, Justice, Leonard Cohen, Curumin, Josh Rouse, Maria Bethânia e Roberto Carlos. Se quiserem ler algo interessante, indico o que devorei nos últimos 45 dias: Fantasma sai de cena (Philip Roth), Stasilândia (Anna Funder), Diário de um ano ruim (J.M. Coetzee), O livro amarelo do terminal (Vanessa Barbara), King Kong e Cervejas (Fabrício Corsaletti), Menina Gauche (Ada Lima), XII poemas sobre a parábola zen do pastoreio (Márcio Simões) e Satolep (Vitor Ramil). No mais, e caso necessitem de algo para mudar definitivamente a vida de vocês, basta o Twitter do Vitor Fasano.
Tudo isso acima, para que um dia eu possa fazer isso abaixo:
Sorte sempre. Se alimentem bem, mantenham-se agasalhados se necessário, usem protetor solar, camisinha, seringa descartável, se forem beber chamem um táxi. Qualquer hora eu volto.
1 comentárioLambedor
Alguém, por favor, ofereça uma colher de manteiga quente com sal ou uma garrafada de lambedor de sete ervas para a pobre Rosana Jatobá. Como é que deixam a pobrecita apresentar o jornal nessa rouquidão?
Deixe seus comentáriosPrograma Livre, volta… já!
Tem umas coisas que quando a gente lembra, custa a acreditar que aconteceu. E quando revê, então… Por exemplo, eu senti o mesmo soco no estômago hoje, de quando vi Smashing Pumpkins no Programa Livre, de Serginho Groisman. Vocês lembravam disso?
Deixe seus comentáriosTira-Gosto
“O que eu quero? Sossego…”
Mas vamos que vamos que daqui a pouco a bodega aqui vai funcionar só meio expediente. E olhe lá.
- “Para que se tenha uma idéia: algo como um bilhão e 900 milhões de dólares foram rastreados na investigação. Fortuna essa advinda de aplicadores e, quase sempre, a transitar por paraísos fiscais. Técnicos do Banco Central e da Receita Federal também trabalharam na megainvestigação pilotada pelo delegado Queiroz.”
Crianças, tudo tim-tim por tim-tim do caso Daniel Dantas, que quase me fez cair da cadeira quando abri os jornais hoje cedo. Bob Fernandes explica tudo, mas tudo mesmo.
Azeredo é aquele puto corrupto de Minas Gerais? Ajude a derrubar esse descalabro. Aliás, os eleitores controlam as contas dele?
- Já baixou o Donkey, do CSS? Olha, eu odeio a palavra “maturidade”. E óbvio que não dá pra usá-la assim num segundo disco, mas é como se a banda estivesse mais… séria. Isso. Como se fosse banda de verdade, tocando direitinho, com uma fórmula pop bem traçada. Eu gostei muito de metade do disco.Aliás, a banda é capa da nova NME, na Inglaterra.
- Cara, e se a internet… er… tipo… sumir do mapa?
- Pizza no casquinho, como se fosse um Cornetto?
- “É que periodicamente surgem entre os nigerianos surtos de uma espécie de psicose. O cidadão acredita que seu próprio pênis está desaparecendo; sente um súbito encolhimento do órgão genital, prenúncio de sua progressiva aniquilação no rumo de um buraco negro. Atribui o fenômeno à feitiçaria, e identifica num passante – ou na pessoa sentada à sua frente numa sala de espera, por exemplo — o responsável pelo malefício. Dá o grito de alarme, e o acusado fará bem em fugir rapidamente: o linchamento vem antes que alguém possa pronunciar “psicose paranóide coletiva.”
E aí, já pensou perder o pau assim?
- O cara mora em Perdizes, o bairro, ninguém sabe direito muita coisa sobre ele, mas aí apareceu no site do Sasha Frere-Jones, da New Yorker, que deu como referência pro som do cara o Animal Collective. Ai a indie scene daqui começou a sacar Babe, Terror. Depois o Pitchfork levantou a bola também. Adianto: achei chaaato.
- “Eu já havia participado de turnês de Bob Dylan e gravado Bob e The Band em 1974, mas ‘Blood on the Tracks’ foi o primeiro e único álbum de Dylan que eu gravei no estúdio. Como muitos de seus fãs, eu sentia grande admiração pelo talento de Bob e respeito por sua postura polida e distante. (…) Era evidente que este álbum trataria de questões pessoais. Bob estava se separando; estava frágil emocionalmente e numa encruzilhada, do ponto de vista criativo.”
Trecho desse livro aqui. Eu quero.
- Um disco pra viciar. Aliás, sempre curti a banda, desde… “Lucyyyyy, não diga que já foi o bastaaaante”. Bons tempos.
1 comentárioEquipe
Haha!
Ps.: Mas sabe que desde que comecei a trabalhar em casa, às vezes sinto falta da equipe? Juro.
Deixe seus comentáriosMacGyver
Genial isso. Lembra do MacGyver, né? Então, eu sempre quis saber como ele fazia para construir uma bomba atômica tendo em mãos apenas um canivete e um chiclete mastigado. Meus problemas acabaram! Aqui você pode encontrar a lista dos problemas resolvidos por ele e os métodos usados.
Via M.A. Canônico
Deixe seus comentáriosBossa, chata e velha
E não param de chegar opiniões que coadunam (hahaha! nunca pensei que fosse escrever isso!) com o que o blog prega sobre a Bossa Nova. Com vocês, Carlos Heitor Cony, hoje na FSP:
“Quanto à bossa nova, sem contestar sua importância e seu sucesso, continuo achando que “Garota de Ipanema”, carro-chefe do movimento, é de uma chatice avassaladora, sobretudo em sua segunda parte. De Tom, prefiro “Samba de uma nota só”, parceria com Newton Mendonça, e “Lígia”. Mas o melhor produto da bossa nova, para meu gosto pessoal, é “Maria Ninguém”, de Carlos Lyra, na versão cantada por Brigitte Bardot. Gosto também dos clássicos gravados por João Gilberto, como “Bolinha de papel”, de Geraldo Pereira, e “Pra machucar meu coração”, de Ary Barroso. Músicas anteriores ao movimento, mas que se tornaram novas na interpretação do cantor baiano. Detesto com todas as veras d’alma os diminutivos nas letras de Vinicius de Moraes: “Pois há menos peixinhos a nadar no mar do que os beijinhos que darei na sua boca”. Aqui, ô!”
Deixe seus comentáriosManual de jornalismo
Bruna Lombardi entrevistando o Kiss, em 1984.
Deixe seus comentáriosPetiscos
- Oh, céus! Por uma hora dessas diretor, editores, montadores e quetais devem estar trancados num estúdio animalesco de cinema, retocando The Road, de Comarc McArthy. Isso realmente aguça minha ansiedade. Comprem o livro, saiu no Brasil pela Alfaguara, se chama A Estrada.
- Stephen Hawking by Lego. Que tal?
Roubei do Parada.
- “de roupão na varanda tomando uma margarita frozen”, “billy ocean combina com um domingo no melhor clima curtindo a vida adoidado. empolgante”, “No lounge do baile o melhor estilo Rick Martin”, “SP para mim se resume em uma palavra: olhar moema. Uma verdadeira explosão de emoções, cores e sabores. bom dia a todos”.
Pow! Pow! Pow! Pára tudo! Vitor Fasano TEM TWITTER e fica o dia inteiro contando o que faz…
- Já imaginou Rembrant pintando Homer Simpson?
- “Eu não agüento mais falar de bossa nova (…). Com esse advento do cinqüentenário da bossa nova, não param de me ligar. Fico sem saber para onde ir. Venho para São Paulo, falo um pouquinho sobre o assunto e volto para o Rio no mesmo dia. Como se eu fosse o Ministro da Cultura, o embaixador da bossa nova, acompanhado de uma comitiva. É… desagradável.”
Como eu adoro o João Donato.
- O clipe de Rat is Dead, do CSS. Era pra eu ter postado antes, acabei esquecendo. Já é velharia por aí.
Boa segunda-feira.
1 comentárioCine Columbus
Um dos filmes do circuitinho de arte (algumas vezes chato de dar dó, convenhamos) que eu mais curti ver (isso a uns oito anos atrás) foi Violência Gratuita (Funny Games), de Michael Haneke. Se não me engano a produção do filme era mezzo alemã mezzo austríaca. Trocando em miúdos era uma espécie de Laranja Mecânica sem tanta pretensão, na era do Big Brother. Jovens bem apessoados aterrorizando, espancando e violando uma singela família na sua casa de campo. Uma delícia. Daí o Márcio deu o toque que fizeram um remake americano do título. E, como se sabe, americano quando decide fazer remake, com raras exceções como um The Departed, de Scorsece, geralmente produz merda em grande escala. Só que a nova versão de Funny Games é do mesmo diretor, o Haneke, tem os mesmos enquadramentos e tal, a diferença é Tom Roth, Naomi Watts e Michael Pitt. Abaixo trechos da primeira versão e do remake. Quero rever um e inaugurar outro. Sacaê:
Falando em filme, você já viu Wall-e? Cravou a segunda pérola da coroa do cinema em 2008, junto com Homem de Ferro e breve The Dark Night. Como se não bastasse o filme ser mesmo o melhor da Pixar desde Procurando Nemo, a trilha é saborosa. Se quiser baixar clicaqui.
1 comentárioManguaça, carros, vidas e quetais
Sobre a nova lei 11.705/08 recém posta em vigor no Brasil, que quase veta o consumo de álcool para quem está ao volante, li três textos interessantes, de dois amigos (Marlos e Antonio) e uma colega (vejam só, de bar. A Ivana vive na Mercearia, assim como eu, quando estou em São Paulo). Concordo em parte com todo mundo e no geral estou no time dos que acham que choppinho nenhum no mundo vai pagar uma vida sequer. Brasileiro só conhece civilização sob chicote, é verdade.
O problema é justamente esse chicote do Estado. É como aquele pai que não tendo moral para apenas olhar e fazer o filho calar, ou pior, não possui a mínima habilidade para dialogar, prefere surrá-lo; que entra também nesse círculo vicioso de enfrentamento, afinal, que graça tem fazer o que é legal, não é? O proibido ou o atrito instigam. Isso vira uma disputa de poder sem sentido, até que alguém vença pelo cansaço ou pela força. A lei permite até dois decigramas de álcool por litro de sangue. Igualzinho na Noruega. Já vimos esse filme antes. O Brasil, com um Estado frouxo, corrupto e ineficiente, mas com lei de primeiro mundo (o ECA, com ares de Suíça e práticas de Comando Vermelho, ou a Constituição, de cor escandinava e prática Zimbabueana).
Afora essas questões que Noberto Bobbio responderia melhor do que eu, sobre Estado, lei, coerção legal etc, a gente sabe que a lei é necessária, porque na maioria das vezes, enquanto assistimos ao Jornal Nacional e ouvimos aqueles números absurdos sobre mortes no trânsito, aquilo soa como apenas um número absurdo, impalpável. Não nos é mensurável até que vitimemos uma pessoa ou conheçamos alguém vítima de acidente de trânsito.A realidade é bem dura e às vezes passa ao largo da nossa vidinha, do nosso choppinho. Talvez por isso a maioria ainda reclame, ou pior, ouse enfrentar a proibição.
Entre os tantos problemas de dirigir bêbado dois eu destacaria. O primeiro é que a gente sempre acha que está bem o suficiente para fazê-lo. O segundo é que, quando a gente tem consciência que não está bem, mas continua dirigindo, começa a correr para chegar o mais rápido possível em casa. Nos transformamos num canhão em alta velocidade. Ou pior, se formos devagar o risco é de adormecer ao volante. Dá no mesmo. Livrar milhares de pessoas da morte por causa da nossa e da alheia imperícia e irresponsabilidade é, claro, o grande mérito da proibição, mas podíamos listar mais algumas.
Eu por exemplo, que quando em São Paulo armo tenda em Pinheiros, na Artur Azevedo com Mourato Coelho, acostumei-me a ficar ilhado da quinta-feira ao sábado. A quantidade de carros invadindo os bares da Vila Madalena, que têm como uma das principais entradas as ruas de Pinheiros, é algo absurdo. A lei, servirá, espero, para coibir um pouco o nosso individualismo de bar. Aquilo de cinco amigos marcarem num bar e cada um ir no seu carro. O que poderia ser quatro bebendo e um se resguardando ali (numa espécie de rodízio) para voltar sóbrio e dirigindo, deixando todo mundo em casa, transforma-se em cinco armas de matar gente.
O que eu espero é que a lei aguce esse sentimento de solidariedade que muitas vezes aflora no balcão do bar e na mesa do pé-sujo, quando todo mundo é amigo e se ama e se abraça, mas na hora de voltar cada um pega seu carro e retorna bêbado e sem amor nenhum. Os bares vão dar um jeito. Os mesmos 12 reais que pagamos para o Vallet, eu pagaria um pouco mais para que me deixassem em casa numa van com a logo da Mercearia, do Sabiá, do Piratininga, ou melhor, para um táxi, mais seguro, confortável e sem o risco de nos transformar em assassinos potenciais. É isso que espero: menos gente morta e/ou ferida, mais carona entre amigos e as ruas de Pinheiros vazias em plena sexta-feira. Fala sério, vai ser muito melhor, né não?









