Adeus Columbus

Arquivos de maio, 2008

Economia para iniciantes

Gustavo Franco mostra que não basta saber, tem que saber passar. Troca tudo em miúdos, hoje na Folha de SP. Sacaê:

“Não são muitos os que sabem explicar exatamente o que é o “grau de investimento”, a grande notícia desta semana. Mas a idéia geral é simples, como as certificações de qualidade, começando por ISO e seguidas por um número, geralmente aplicadas para produtos industriais. É claro que um consumidor indefeso, diante de um ferro de passar roupa ISO 9.000, pode ficar impressionado com o selo, mas vai ficar indeciso diante de outro produto com um selo ISO 8.000, de outra cor e mais caro.

Quando se trata da certificação da qualidade do crédito de um país, ou mais precisamente do risco soberano, o que se pode dizer de forma muito simples sobre as escalas é que, como as notas no colégio, vão de zero a dez, em intervalos de meio ponto. E, também como no ginásio, as notas iguais ou maiores que cinco são designadas como “grau de investimento”. Para duas das três principais agências certificadoras ou classificadoras de crédito no mundo, o Brasil é nota cinco. Para a terceira, a Moody’s, estamos ainda com um esforçado quatro e meio.

Há muito significado na nota cinco, que é a mínima exigida em muitos estatutos de investidores institucionais, de modo que ganhar um cinco é semelhante a passar de ano, motivo de festa para um país que esteve em estado crônico de reprovação há décadas. Todavia, o alívio deve ser comedido, pois, na realidade, o menino passou raspando, e a nota não é boa e está muito abaixo do potencial de aprendizado da criança. Por isso mesmo os pais não devem pensar que a vida ficou mais fácil, pelo contrário. Ao passar de ano, o menino vai ver matéria nova, bem mais difícil. O grau de exigência ficou maior, como bem sabe o América de Natal, que, no ano retrasado, ganhou com méritos o direito de jogar na primeira divisão do futebol brasileiro, mas teve dificuldade em se equilibrar na nova condição.

A lição do América de Natal, hoje rebaixado, deve ser muito útil para o ministro da Fazenda e para o governo em geral, que devem investir nos atributos que são próprios dos clubes grandes, e que as agências elogiaram, e não nos conceitos e idéias que as agências criticaram abertamente, como esse keynesianismo paraguaio que às vezes assoma o governo quando se trata de despesa e, mais especificamente, como algumas piruetas como o Fundo Soberano e a nova CPMF. A melhor coisa do “grau de investimento” é deixar claro que idéias alternativas e esotéricas no domínio da política econômica ficaram para trás e não cabem mais na nossa classificação de crédito. Mais um prego no caixão das heterodoxias.”

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O amor nos tempos da internet

Via Don’t Touch My Moleskine

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Micocelebridade

Cara, é surreal o tanto que as “celebridades” brasileiras são ridículas

Ps.: Ah, na boa, faz tempo que o Te Dou Um Dado? passou o Papelpop, né? Pronto, falei.

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Censura na web

O Pedro Doria, que é para mim o melhor blogueiro do país, foi censurado. A justiça brasileira mais uma vez dá exemplo de como não sabe lidar com a internet. A linha entre cumprir a lei e censurar é tênue. A discussão se alastra pela internet. Tô com Doria e não abro.

“Ordem judicial não se discute. Se cumpre. Este Weblog lançou, há alguns meses, uma campanha pedindo que um deputado federal se lançasse candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Aconteceu e ele é candidato. Hoje, o deputado foi intimado por conta do banner que este e outros blogs publicam em apoio a sua candidatura. O TRE-RJ exige que seja retirado do ar. Em caso contrário, corre o risco de ter sua candidatura cassada.”

“Há uma boa discussão acontecendo no post sobre a censura ao Weblog. Acho que algumas questões valem ser trazidas à frente – para mim é uma questão de princípios. A questão, polêmica, está se espalhando na Internet. É bom que discutamos. Alguns de vocês sabem que passarei um ano em Stanford, nos EUA, estudando justamente as pressões que os tempos correntes impõem às democracias. Me é uma discussão muito cara. E, dos direitos básicos das democracias, considero a liberdade de expressão o maior de todos. Se o Estado não impuser limites naquilo que a sociedade pode dizer e discutir, o resto se resolve.”

A censura e a discussão.

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A voz do povo

O post abaixo, em que Rosana Hermman faz uma lúcida análise sobre audiência, Ibope e público, vai se confirmando ao longo do dia, não apenas na TV. A internet é uma boa forma de medir o quanto o público gosta de ler/ver coisas inúteis, pouco edificantes e muita, muita tosqueira. Nada contra, sou um dos que - e volta e meia ainda compartilho com vocês aqui - gostam de coisas leves e deslizes alheios, mas dai a transformar isso num tom dominante do que você consome na mídia há uma distância e claro, um grande problema. Vejam por exemplo qual é a manchete mais lida no portal Terra de hoje:

Pois é, existe gente (e muita) mais interessada no sorriso do pai de Angelina Jolie com um alface preso no dente do que na liberação da pesquisa com células-tronco, do STF, a criação de uma nova CPMF, rebatizada de CSS. É a vida. É o circo. E o círculo vicioso. Não há culpa. Há demanda, quem tiver a oferecer algo que satisfaça esse público, sai na frente.

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Números

“Se uma loja está faturando bem, o dono investe naquilo que deu certo e tentam vender mais ainda. Se o seu filho tira dez na escola, você nem pergunta como ele chegou lá, apenas celebra. Ao contrário, se ele vai mal, você quer entender por que. O Ibope é parecido. São números frios, que não analisam conteudos.

Você vê isso o tempo todo. Quando uma notícia diz que Ana Maria Braga perdeu para o programa da Record, ninguém, preste atenção, ninguém analisa o que estava no ar no Mais Você e no outro programa. Ninguém compara e publica na web que embora Ana estivesse mostrando uma prestação de serviço em saúde, para todos os brasileiros, o outro programa estava fazendo um sorteio ou vice-versa. O conteudo não aparece. Só os números.

Da mesma forma muita gente repete ‘não aguento mais o caso Isabella’. E aí, quando os programas do domingo à noite voltam a falar no assunto, as mesmas pessoas que dizem não aguentar mais vão lá e assistem. Tudo. E a audiência sobe.

É como pesquisa sobre televisão. Na hora da pesquisa todo mundo diz que aprecia programas culturais, documentários. E na hora H as mesmas pessoas que responderam o questionário vão ver uma bobagem ou baixaria qualquer. E aí, conta o número.”

A Rosana sabe das coisas. Está a muito tempo no ramo, conhece os dois lados do balcão e é muito, muito inteligente e sagaz. Bela análise.

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Machado

“O livro infantil “Conto de Escola”, de Machado de Assis, publicado no Brasil pela Cosac Naify, será adotado na França. A obra foi selecionada pelo Ministério da Educação Nacional, para alunos de oito a dez anos.”

Deu na Bergamo de hoje. Coisa boa, né?

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Paudurescência

“Queremos colocar no mainstream, mas a gente precisa de um mainstream forte. Não é renegar o mainstream, é povoá-lo com coisa boa. E não essa coisa xiita e excludente de dizer “eu não vou sujar as minhas mãos nessa podridão”. Isso é o fim, porque outro cara faz cagada o resto da vida, sem ninguém para interferir. No Brasil as pessoas se tornaram franciscanas no meio independente: “não, não vou ganhar dinheiro”. Dinheiro é fundamental para ter qualidade, ter um puta show, não pode deixar de influenciar a coletividade, ser a trilha sonora da adolescência de certas pessoas.

A única salvação para o Brasil é se tornar um pouco mais paudurescente, e a paudurescência tá no rock’n’roll. Não vai ser na brejeirice paumolescente da mpb. A mpb pensa em todas as doenças, é o embevecimento com o pobre, a terraplanagem geral, pró ladrão, pró pobreza, pró todos serem comunistas, pró feriado, pró carnaval. Tudo que é o cancro no Brasil a mpb subscreve.

Nós somos inerentemente bunda-moles porque somos brasileiros. As pessoas querem tapar o sol com a peneira com essa síndrome de dignidade intelectual. O Los Hermanos, que é o coletivo de Luiz Gonzaga Jr., era uma banda de hardcore e agora tá tocando Maria Bethânia. Isso daí é o fim pra gente, é entregar a rapadura para o filão.

As pessoas são xiitas, partidárias, facistóides, fãs do Ariano Suassuna, que é um cancro para a nossa cultura. Ele escreve bem pra caralho, mas o que ele fala é uma burrice, ele é avesso ao computador, a tudo o que é de fora. Nada mais jeca do que rechaçar o que é de fora. A nova geração da mpb é uma sombra pálida do que foi a outra, porque não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, virou uma capitania hereditária.”

Sempre gostei de ouvir o Lobão. Continuo gostando. Desde os doze anos. Ele continua tendo razão.

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Pede pra sair!

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo.”

Wagner Moura x Pânico na TV

Ps.: Tô com Wagner. E olha que eu gosto de coisa trash, humor sem noção feito Jackass. Mas quer aloprar, alopra entre si - como WildBoyz, Viva La Bam! e Jackass, não com os outros.

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Células-tronco no STF

“O Supremo Tribunal Federal (STF) enfim conseguiu decidir alguma coisa sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Permitiu o que a lei 11.105 já permitia e era muito pouco, quase nada. E ainda levou mais de três anos para decidir o óbvio.

Pior, durante dois dias inteiros tivemos de agüentar uma xaropada interminável, votos que se arrastavam na companhia de profusas citações de Aristóteles e Santo Tomás, explicações mais capengas que as nossas (de jornalistas) para conceitos biológicos, excursos sobre a polissemia do termo “embrião”, apologias mornas do progresso da ciência e da relevância ética da religião…

Realmente, democracia é osso duro de roer.”

Marcelo Leite comenta a decisão do STF sobre a pesquisa com células embrionárias.

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Anota na agenda

Domingo, uma da tarde (13 hrs) a TV Brasil vai transmitir um documentário sobre a Área de Preservação Ambiental dos Recifes de Corais, no litoral do Rio Grande do Norte. Tem meia hora de duração com imagens belíssimas áereas, terrestres e submarinas e fala de iniciativas que têm sido executadas para preservar a região, que é uma das mais ricas em diversidade marinha do mundo. O documentário foi realizado num parceria entre o Idema, órgão ambiental do RN, e o grupo espanhol de investimento financeiro Iberdrola.

Fui um dos envolvidos - escrevendo o roteiro - na produção do material e, não é por ser meu, digo que é coisa de primeira. Interessante não apenas do ponto de vista estético, mas também informativo, com uma abordagem interessante e sem radicalismos de preservação ambiental, com trilha sonora original composta para o documentário etc. Então é isso, domingo hora do almoço, da mesa mesmo você liga a TV e saca o programa. A transmissão é nacional. TV Brasil na Sky, Directv e Net. Dado o recado.

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Poplicious, ainda

Entonces, o ColumbusCast está sendo bem recebido pelos leitores do blog =)

Qualquer reclamação, eis a caixa de comentários abaixo. Mas que bom que estão curtindo o set list do primeiro. Tem lá o problema de começar a tocar imediatamente após a sua entrada no site, mas estou tentando resolver isso. É bem melhor que toque apenas quando você mandar ou quiser.

Para quem curtiu e quer sair ouvindo por aí uma hora de música sem intervalo e num só arquivo, CLICA AQUI e faz download gratuito do ColumbusCast e põe no seu iPod. Enjoy!

To Pretend - MGMT
Phantom Part II - Justice
Gone Daddy Gone - Gnars Barkley
Big Dog - Guillemots
Supernatural Superserious - REM
Consoler of Lonely - Racounters
No One Knows - Queens of The Stone Age
Yeah Yeah Yeah Song - Flaming Lips
Mercy - Duffy
Black Shoes - The Films
Mr. Maker - The Kooks
Tales of San Francisco - Arctic Monkeys
Song for Clay - Bloc Party
King of The Rodeo - Kings of Leon
Smokers Outside The Hospital Doors - Editors

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Como assim?!

“Entendemos a frustraçao do consumidor de Ovomaltine tipo Suíço. Ovomaltine é único em todas as suas apresentaçoes, nao guarda similar no mercado. A indignaçao do consumidor fiel é legítima e nao há justificativa gerencial que pareça plausível. Entretanto, é preciso esclarecer que Ovomaltine nao saiu de mercado e que nao houve nenhum processo de empobrecimento do produto. Nao mudamos a fórmula do tipo Suíço para deixá-la mais barata, lucrativa e digerível pelo mercado, como se sugeriu erroneamente.

Não abaixamos a qualidade de nenhum item do portfolio e nem tao pouco reduzimos teor de cacau do produto. Nao aumentamos preço (ao contrário, Suíço custava em torno de R$ 8,00, enquanto Flocos Crocantes e Chocolate Fino custam em torno de R$ 5,00 ao consumidor). E finalmente nao reduzimos gramatura do produto. Tiramos sim um item de linha, que tinha aceitaçao decrescente.”

Pô, como assim?! Ovomaltine Suíço não existe mas pra vender no Brasil? Saiu de Linha?

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Cositas

E aí, já tem o disco novo do Al Green? Clica aqui e baixa. Disco foda. Os caras do The Roots são a banda de apoio. Tinha que dar em coisa boa.

E já que estamos falando de música, saca isso aí embaixo. É muita tiração de onda no meio do mundo… Tudo com capa de discos.

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A Estrada

“A grande realização de Cormac McCarthy não é o sonho americano (…). Agora, ele nos deu o grande pesadelo americano.”

O Guardian resumiu dessa forma o livro A Estrada, do genial Comarc McCarthy. Já o NY Times dá conta de como vai ser o filme, com toques de Mad Max. Para mim, uma coisa basta para indicar que vai ser um puta filme: Viggo Mortensen. Não tem o livro ainda? Corra, compre e leia.

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